Max Verstappen Red Bull F1
Automobilismo Fórmula 1

Red Bull projeta recuperação após início desastroso; perder Verstappen é risco real?

Após dominar três das quatro temporadas no regulamento anterior da Fórmula 1, a Red Bull chegou a 2026 sob grande expectativa. Apesar de apontada por rivais como um dos melhores conjuntos do grid durante a pré-temporada, o que se viu quando o RB22 precisou mostrar seu potencial de fato foi desanimador.

O sexto lugar de Max Verstappen no GP da Austrália ainda é o melhor resultado do time de Milton Keynes no ano, enquanto a paciência do holandês parece ter se esgotado tanto com a Red Bull quanto com os rumos tomados pela categoria.

A dúvida que paira no ar é se a equipe de Laurent Mekies terá capacidade para recolher os cacos e virar o jogo. A resposta pode impactar mais do que apenas o resultado no fim do campeonato, mas também a continuidade de seu maior astro.

Mekies projeta recuperação, mas desvantagem da Red Bull é grande

Laurent Mekies Red Bull
Foto: Reprodução/Autosport

Para o chefe da Red Bull, a pausa de 35 dias entre o GP do Japão e a próxima etapa, em Miami, será crucial para a equipe estudar o que deu errado até aqui e melhorar o desempenho do conjunto.

No entanto, Mekies ressalta que nenhum “milagre” deve acontecer até a etapa nos Estados Unidos. Sua previsão otimista em relação ao desenvolvimento do RB22 transmite pouca confiança aos fãs da equipe austríaca, já que ele mesmo admite que “só a pista e o tempo de volta vão mostrar se estamos indo na direção certa”.

A Red Bull já conseguiu se recuperar de inícios pouco animadores, como na última temporada, quando Verstappen foi ao pódio apenas cinco vezes nas primeiras 14 etapas, mas fez uma segunda metade impecável e levou a decisão do campeonato para a corrida final.

Mas 2026 apresenta desafios bem maiores para os taurinos. O início da nova era técnica da Fórmula 1 aumentou significativamente as diferenças de tempo de volta entre as equipes. O pole position Kimi Antonelli, da Mercedes, foi cerca de 1,2 segundos mais rápido que a Red Bull de Isack Hadjar, oitavo colocado, no Q3 do Japão. No ano anterior, a distância do primeiro para o décimo, último do Q3, foi inferior a um segundo.

A chave não está apenas em melhorar a eficiência e o desempenho do carro, mas também em torná-lo mais amigável à pilotagem. Ironicamente, é Verstappen quem tem sido a maior vítima do estilo do carro desta vez, enquanto Hadjar aparenta lidar melhor com o equipamento, ao menos em classificações.

Continuidade de Verstappen está em jogo

Max Verstappen Red Bull Fórmula 1
Foto: Mark Thompson via Getty Images

Para a Red Bull, reverter o cenário e tornar o carro competitivo é vital. Não apenas para recolocar a equipe no topo, mas também para manter seu principal piloto, que tem feito comentários pessimistas sobre sua continuidade na Fórmula 1.

Perder Verstappen representaria muito mais do que abrir mão do maior nome recente do esporte a motor. O holandês tem forte apelo comercial, e seu nome é instantaneamente associado ao da empresa de energéticos.

A equipe sabe que o risco é real e Mekies tratou de dizer que a situação de infelicidade de Verstappen irá desaparecer quando o carro melhorar, mas isso conflita com a aparente falta de horizonte que os austríacos demonstram. Deixar o carro mais rápido não será suficiente se isso não significar que o piloto de 28 anos tem condições de brigar na frente.

Fora o tetracampeão, a Red Bull conta nos outros três assentos, o segundo da equipe principal e os dois da Racing Bulls, com nomes inexperientes e pouco consagrados. Hadjar teria apenas dois anos de categoria em 2027, Liam Lawson já foi testado na equipe principal sem sucesso, e Arvid Lindblad ainda é uma incógnita, embora já tenha demonstrado grande potencial.

Portanto, caso os rumores de aposentadoria se concretizem, será inevitável buscar um nome fora do escopo da marca. Ainda assim, no cenário atual do mercado de pilotos, é difícil imaginar alguém com a mesma liderança e renome de Verstappen.

Fato é que podemos estar vivendo os últimos momentos de uma parceria que já dura 11 anos e rendeu quatro campeonatos mundiais e 71 vitórias, número inferior apenas ao de Lewis Hamilton e Michael Schumacher.

(Foto principal: Reprodução)