Em meio ao calvário que vive em 2026 com a Aston Martin, Fernando Alonso voltou a tecer críticas ao novo regulamento da Fórmula 1. O bicampeão afirmou que as curvas de alta velocidade se tornaram “estações de recarga móveis”.
As novas declarações se somam à crítica feita na pré-temporada, quando o espanhol disse que “até o chef [da Aston Martin] consegue guiar o carro na curva 12 [do Bahrein] nessa velocidade”.
Fim das curvas de alta: como o regulamento afetou a pilotagem em 2026

Alonso reforçou suas preocupações com os rumos tomados pela Fórmula 1 em 2026 e com a queda do impacto da habilidade dos pilotos nas corridas. O ponto central da crítica, como tem sido na maioria dos casos, é a unidade de potência.
O motor de 2026 é fornecido igualmente por potência elétrica e à combustão, o que torna a gestão de energia durante a corrida um fator primordial. O impacto disso ocorre principalmente nos trechos de alta velocidade, nos quais os pilotos se veem obrigados a andar abaixo do limite possível para poupar bateria.
“Como já disse algumas vezes, as curvas de alta agora se tornaram a estação de recarga do carro. Você vai devagar ali, carrega a bateria nas curvas rápidas e depois tem potência total nas retas. Assim, a habilidade do piloto deixa de ser necessária, já não é mais um desafio nessas curvas”, reforçou Alonso.
No caso do piloto da Aston Martin, a situação se agrava porque o AMR26 tem problemas crônicos de vibração, que afetam a bateria do motor Honda e a confiabilidade do conjunto.
Alonso ressaltou que o problema precisa ser corrigido, mas que, graças ao novo regulamento, levar o carro ao limite talvez não seja mais necessário como antes.
Críticas de Alonso aumentam pressão sobre a FIA por mudanças
A Fórmula 1 se prepara para uma reunião que pode definir os rumos das novas regras de 2026. Em 9 de abril, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e as equipes da categoria irão discutir mudanças no regulamento.
Segundo a imprensa, é pouco provável que mudanças drásticas na distribuição de potência elétrica e combustão ocorram ainda nesta temporada, mas elas podem ser programadas para 2027, além de ajustes menores que visam mitigar os problemas ainda este ano.
O estopim da situação foi a forte batida de Oliver Bearman no GP do Japão. Na ocasião, o britânico duelava com Franco Colapinto, que estava em uma estratégia diferente de gerenciamento de energia e ficou cerca de 50 km/h mais lento em uma curva de alta velocidade. Bearman não conseguiu desviar, saiu da pista e bateu forte na curva Spoon.
As críticas de Alonso se somam às do compatriota e diretor da GPDA (Associação de Pilotos de Grandes Prêmios, que defende os interesses dos competidores), Carlos Sainz Jr., além de outros adversários que também reclamaram do regulamento.
A expectativa é de que algumas mudanças sejam vistas já a partir da próxima etapa, o GP de Miami, em 3 de maio.
(Foto principal: Foto: Reprodução/Motorsport)