O técnico Cuca chegou a dizer que era “impossível” o Santos perder o jogo diante do Deportivo Cuenca em sua estreia na Copa Sul-Americana, mas nada parece tão ruim que não possa piorar durante a atual temporada do Peixe. Com apenas cinco vitórias em quatro meses, havia uma obrigação para conquistar um resultado positivo fora de casa dada a diferença de ambos os elencos, mas a equipe da Baixada Santista acabou marcando apenas gol contra (Gabriel Brazão), os venezuelanos voltaram a derrotar um brasileiro depois de 40 anos.
Santos mais uma vez foi lento e ineficaz
O Santos terminou a partida com ampla posse de bola (mais de 60%) e volume ofensivo superior, com 20 finalizações contra 12 do adversário. No entanto, a estatística acaba não mostrando que o Peixe mais uma vez demonstrou dificuldade crônica para transformar circulação em penetração. No 4-1-4-1 de Cuca, houveram tentativas de construir desde trás com um volante centralizador, com o intuito de abrir o campo com extremos bem abertos para ocupar entrelinhas com meias interiores.
No entanto, o Santos mais uma vez foi previsível, com circulação de bola lenta permitindo que o adversário tivesse rupturas em profundidade e muita presença efetiva na área. Enquanto isso, o Deportivo Cuenca apresentou um plano de jogo claro e bem executado com a mesma formação tática do Peixe e linhas bem compactas no bloco médio/baixo.
Além disso, o Deportivo conseguiu explorar a altitude (2500m acima do mar) ao reduzir a intensidade do Santos ao longo do jogo, afetando a velocidade de circulação e a recomposição defensiva. Mesmo com menos posse, o Cuenca foi mais objetivo. Seus ataques, ainda que menos frequentes, tinham direção clara: explorar espaços nas costas dos laterais e atacar a última linha em transição.
O lance decisivo no segundo tempo nasceu de uma jogada típica do confronto: pressão pontual do Cuenca, bola alçada na área e desorganização defensiva santista, culminando no gol contra de Brazão, confirmando as dificuldades do Santos em defender a própria área e a falta de controle emocional após perda de posse.
Cuca não merece ficar com todas as críticas após derrota do Santos
Mesmo após sofrer o gol, o Santos manteve o mesmo padrão: posse longa, pouca aceleração e escassa criatividade, sem conseguir ajustar o ritmo da circulação de bola e a a pressão pós-perda, com transições defensivas vulneráveis. Contudo, mesmo que Cuca necessite receber todas as críticas possíveis, alguns jogadores merecem destaques negativos em mais uma atuação abaixo do esperado.
Rony foi o pior jogador do Santos em campo e fez um de seus piores jogos na carreira com muitos erros no sistema ofensivo, além das falhas constantes no posicionamento defensivo. Barreal também ficou devendo atuando pelo lado esquerdo do ataque e também na lateral direita, sem conseguir melhorar muito o desempenho de Rony. Lautaro Díaz teve baixa participação efetiva no campo ofensivo e Thaciano deu motivos para seguir no banco de reservas por mais tempo, perdendo uma chance inacreditável de jogo aéreo na pequena área.
Desta forma, o Santos precisa abrir muito o olho para não ficar pelo caminho na Sul-Americana com muita antecedência, sendo que a situação no Brasileirão também já necessita de maior cuidado após dez rodadas.
Imagem: Getty Images

