Futebol Libertadores

Palmeiras reage, é melhor, mas só empata com o Junior Barranquilla

A Libertadores não perdoa distrações e o Palmeiras aprendeu isso cedo demais na estreia. Em Cartagena, o empate por 1 a 1 com o Junior Barranquilla deixa um gosto agridoce: reação importante fora de casa, mas também a sensação clara de que dava para sair com mais. O problema? O roteiro começou da pior forma possível.

Logo aos 10 minutos, o Junior já havia imposto seu jogo. Após revisão do VAR, a arbitragem assinalou pênalti em lance envolvendo Maurício e Rivas. E Teófilo Gutiérrez, experiente como poucos no continente, converteu com categoria para abrir o placar. O gol cedo mudou completamente o cenário da partida.

Um início desorganizado e um Palmeiras que demorou a entrar no jogo

Diferente do que se espera de um time de Abel Ferreira em estreia continental, o Palmeiras começou desconectado. O Junior, empurrado pela vantagem e pelo contexto de mando, foi mais agressivo nos primeiros minutos, ocupando melhor os espaços e dificultando a saída de bola brasileira.

O time colombiano não precisava propor com grande qualidade, bastava competir. E fez isso bem. Durante boa parte do primeiro tempo, o Palmeiras teve mais volume, finalizou mais, mas esbarrou em dois problemas claros: falta de agressividade no último terço e dificuldade para transformar posse em perigo real.

As estatísticas até indicavam equilíbrio ou leve superioridade alviverde em finalizações, mas o controle emocional da partida era dos donos da casa. O Verdão rodava a bola, tentava encontrar Arias entrelinhas, buscava Flaco López na referência, mas tudo parecia um pouco previsível. Faltava ruptura, profundidade, aquele senso de urgência típico de Libertadores. E, principalmente, precisão.

Reação no segundo tempo e um empate que diz muito

Se o primeiro tempo foi morno e desconfortável, o segundo trouxe um Palmeiras mais próximo do que se espera. As mudanças e o ajuste de postura deixaram o time mais vertical, mais agressivo e mais presente no campo ofensivo. E a resposta veio.

O empate nasceu justamente dessa insistência. Em um lance trabalhado, muito mais na base da pressão e da repetição do que da genialidade, o Palmeiras conseguiu finalmente furar o bloqueio colombiano e deixar tudo igual, com Sosa, aos 10 minutos.

Sosa fez o gol do empate do Palmeiras com o Junior Barranquilla, por 1 a 1, em Cartagena
Sosa fez o gol do empate do Palmeiras com o Junior Barranquilla, por 1 a 1, em Cartagena (Imagem: Cesar Greco / Palmeiras)

O 1 a 1 recolocou o Palmeiras no jogo, mas não mudou completamente a história. Depois do empate, o Palmeiras teve o controle territorial, mais posse e presença ofensiva. Só que, novamente, esbarrou em um velho problema: a incapacidade de transformar domínio em chances claras. O time rondava a área, mas criava pouco. Cruzava, mas com pouca eficiência. Finalizava, mas sem grande perigo.

Do outro lado, o Junior fez o jogo que lhe convinha. Recuou linhas, compactou o espaço e passou a apostar em bolas longas e transições. O empate, para eles, era ótimo e foi administrado como tal.

O ponto fora de casa, na Libertadores, nunca deve ser desprezado. Ainda mais em um cenário adverso, com gol sofrido cedo e pressão inicial do rival. O Palmeiras mostrou poder de reação, maturidade competitiva e, em alguns momentos, controle do jogo. Mas isso não pode esconder o principal.

O time voltou a apresentar dificuldades claras contra adversários que se fecham após sair na frente. Faltaram variações ofensivas e soluções individuais em espaços curtos e sobraram previsibilidade quando precisa propor com urgência. E esse é um padrão que se repete.

A atuação não foi ruim, longe disso. Mas também não foi de uma equipe que se impõe como favorita absoluta. Foi uma atuação de time competitivo, organizado, mas ainda com lacunas importantes para jogos de maior exigência emocional.

O Palmeiras somou um ponto importante, mas deixou escapar uma vitória possível e, mais do que isso, deixou sinais de alerta. A Libertadores cobra caro de quem não resolve quando tem a chance. No primeiro jogo, tudo bem, mas isso não pode se repetir com frequência.

Final: Junior Barranquilla 1×1 Palmeiras

(Imagem: Cesar Greco / Palmeiras)