O Flamengo ainda segue precisando dar maiores sinais de confiança sob comando de Leonardo Jardim, e a estreia fora de casa diante do Custo pela Conmebol Libertadores consistiu em mais uma boa oportunidade de retomar uma boa relação com a torcida. Mesmo que tenha ocorrido alguns problemas repetidos, o rubro-negro venceu por 2 a 0 e abriu sua campanha com três pontos fora de casa, justamente antes de uma boa sequência com quatro jogos consecutivos jogando no Rio de Janeiro, evitando viagens praticamente pelo restante do mês.
Flamengo se ajustou taticamente durante a partida
A equipe de Leonardo Jardim iniciou a partida estruturado em um 4-2-3-1, enfrentando um Cusco organizado em 4-5-1. Nos primeiros 45 minutos, o cenário foi de equilíbrio, não apenas no placar, mas também nas ações e na pose de bola, com o Flamengo optando por uma circulação segura da bola sem forçar acelerações, evitando perdas em zonas perigosas e controle do desgaste físico na terceira maior altitude possível na atual Libertadores.
O Cusco executou um plano coerente dentro de suas limitações. Compacto em duas linhas de cinco sem bola, o time peruano buscava fechar o corredor central e induzir o rubro-negro à forçar alguns cruzamentos, um cenário diferente do que equipes “donas” da altitude costumam ter em jogos de Libertadores. A estratégia funcionou parcialmente pois o Flamengo teve dificuldade (sobretudo na etapa inicial) para encontrar espaços interiores, mas, por outro lado, o Cusco pouco produziu ofensivamente, com apenas 2 finalizações no alvo durante toda a partida.
A virada tática do jogo veio na segunda etapa. O Flamengo aumentou o ritmo de circulação e passou a explorar melhor os intervalos entre linhas, especialmente com seus meias, os quais passaram a receber com mais liberdade entre o meio e a defesa do Cusco, forçando a desorganização do bloco baixo. Após longas sequências de passes, o Flamengo passou a acelerar em momentos específicos, especialmente com infiltrações e trocas rápidas de corredor.
O gol de Bruno Henrique veio justamente de justamente de um ataque mais vertical após período de controle, pegando a defesa desajustada, enquanto o decisivo gol de Arrascaeta premiou um seguro comportamento do Flamengo, que melhorou muito os números de finalizações e chutes no alvo na etapa complementar. Outro ponto-chave foi o comportamento sem bola, pressionando muito o portador da bola no pós-perda, relembrando os melhores momentos de Filipe Luís.
Bruno Henrique foi decisivo na vitória do Flamengo
A atuação de Bruno Henrique foi o principal termômetro da evolução ofensiva do Flamengo ao longo da partida, especialmente pela forma como ele interpretou os diferentes momentos do jogo na altitude. Nos 45 minutos iniciais, o atacante teve uma função mais tática, partindo majoritariamente pelo lado esquerdo buscando manter amplitude máxima, com a missão de alongar a linha ofensiva do Cusco para abrir espaço para infiltrações de meias por dentro.
Sem a bola, foi peça importante na recomposição, ajudando a formar uma segunda linha de quatro no 4-4-2 defensivo. Isso exigiu esforço físico elevado, ainda mais na altitude, o que explica sua participação mais discreta em ações decisivas nesse período. No segundo tempo, com o Flamengo aumentando o ritmo, Bruno Henrique mudou de comportamento, atacando mais as costas da linha defensiva para acelerar em jogadas longas.
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