Na abertura das fases de grupos da Libertadores e da Sul-Americana, os clubes brasileiros encontraram dificuldades atuando fora de casa. Equipes que chegaram como favoritas não conseguiram transformar a superioridade teórica em resultado e deixaram pontos importantes pelo caminho nas competições da Conmebol.
Os resultados chamam atenção e também ligam o sinal de alerta para o restante das competições internacionais, já que cada ponto pode fazer diferença na briga por uma vaga no mata-mata.
Brasileiros tropeçam fora de casa na Libertadores e Sul-Americana
A rodada inicial trouxe uma sequência de tropeços para as equipes brasileiras. Na Libertadores, o Fluminense empatou com o Deportivo La Guaira após desperdiçar chances claras, enquanto o Palmeiras também ficou no empate diante do Junior Barranquilla.
Na Sul-Americana, o cenário foi ainda mais negativo. O Vasco empatou com o Barracas Central utilizando uma equipe alternativa, enquanto o Santos acabou derrotado pelo Deportivo Cuenca, em um jogo que gerou críticas do próprio técnico do Peixe pelo desempenho. Já o Grêmio foi superado pelo Montevideo City Torque no Centenário, e o Atlético-MG perdeu para o Puerto Cabello.
Pouca eficiência custou pontos na Libertadores
Mas o que explica os resultados ruins nas competições internacionais? Na Libertadores, uma das respostas está na falta de eficiência no setor ofensivo. Palmeiras e Fluminense conseguiram, em diferentes momentos, construir superioridade sobre seus adversários, mas não transformaram esse controle em gols.
Na Colômbia, o Palmeiras conseguiu se impor contra o Junior Barranquilla, terminando a partida com 22 finalizações contra nove dos donos da casa. No entanto, das 22 tentativas de balançar a rede, o Verdão acertou apenas sete no gol.
Já o Fluminense, mesmo com uma atuação abaixo do esperado, encerrou o confronto contra o Deportivo La Guaira, na Venezuela, com 14 finalizações. Ainda assim, o Tricolor também acertou apenas sete tentativas no alvo, com pouca precisão.
Ambas as equipes brasileiras desperdiçaram boas oportunidades, um fator que costuma ser determinante em competições com fase de grupos. Os pontos perdidos fora de casa, devido à incapacidade de converter chances claras, podem fazer falta mais à frente na Libertadores.
Falta de peças importantes e baixa intensidade pesaram na Sul-Americana
Já na Sul-Americana, o desempenho ruim de Grêmio, Atlético-MG, Vasco e Santos pode ser explicado por dois fatores: baixa intensidade e ausência de peças importantes.
A decisão de poupar jogadores, dando prioridade ao Brasileirão, algo comum diante do calendário apertado do futebol brasileiro, resultou em atuações abaixo da média.
Enquanto Vasco e Atlético-MG utilizaram formações totalmente alternativas, o Grêmio, por sua vez, optou por um time misto, mas também foi prejudicado pela decisão de poupar alguns dos destaques do elenco. Já o Santos, que também vive um início de ano complicado, não contou com Neymar e Gabigol. O camisa 10 não viajou por opção do clube, visando controle de carga, enquanto o camisa 9 trata uma tendinite no adutor da coxa direita.
Neste cenário, as quatro equipes, que já demonstram problemas nesta temporada, expuseram uma fragilidade ainda maior ao entrarem em campo com escalações enfraquecidas.
Além disso, o desempenho levanta outro ponto: a intensidade apresentada esteve abaixo do esperado. Os brasileiros tiveram dificuldades para controlar o ritmo e impor a superioridade prevista antes dos confrontos. Embora parte do rendimento ruim esteja ligada a limitações das equipes, também há a percepção de uma abordagem menos urgente na competição continental, com a Sul-Americana recebendo menos prioridade.
Momento da temporada influencia
Apesar dos problemas apresentados pelas equipes brasileiras nas primeiras rodadas da Libertadores e da Sul-Americana, o estágio atual da temporada também ajuda a explicar o cenário.
Com calendário cheio e pouco tempo de preparação, muitas equipes ainda estão em processo de ajuste, seja na parte física ou na organização tática. Além disso, o rodízio constante impacta diretamente o entrosamento. Fora de casa, onde o nível de exigência costuma ser maior, esses detalhes acabam fazendo diferença.
Alerta ligado logo na estreia
Mesmo com cinco rodadas restantes para recuperar os pontos perdidos, as equipes brasileiras precisam ficar atentas ao desempenho apresentado na estreia das competições internacionais.
Em torneios como Libertadores e Sul-Americana, a classificação costuma ser decidida nos detalhes. Após os tropeços iniciais, os clubes passam a ter a obrigação de recuperar os pontos em casa, ao mesmo tempo em que precisam corrigir os erros para os próximos compromissos como visitantes.
Créditos da foto de capa: Divulgação/Palmeiras/Cesar Greco.