Perder para o Cruzeiro foi mais um capítulo de algumas das atuações ruins do Flamengo na temporada de 2026, sobretudo para Plata. O equatoriano entrou no decorrer da partida no Mineirão e, novamente, teve uma participação discreta.
A performance do camisa 19 levanta um debate sobre sua permanência no elenco, especialmente após a notícia de que o jogador recebeu uma proposta do futebol espanhol. Porém, a insistência de Leonardo Jardim, somada ao discurso de que Plata possui “importância tática”, acaba sustentando um comportamento que parece cada vez mais teimoso e resulta em aparições discretas ou pouco impactantes do equatoriano. Seria a hora de o camisa 19 encarar um novo desafio?
Plata entre diferentes funções e o mesmo problema
Desde que chegou ao Flamengo, no segundo semestre de 2024, Gonzalo Plata passou por três comissões técnicas — assim como alguns outros jogadores do elenco rubro-negro. De Tite a Leonardo Jardim, o equatoriano atuou em praticamente todas as funções do ataque e, em quase todas elas, foi elogiado pela responsabilidade tática e pelo cumprimento das funções defensivas.
Dentro das características do camisa 19, velocidade, drible e pressão na saída de bola adversária são, de fato, aspectos muito presentes. O problema é que Plata é um atacante, não um marcador genuíno. Sendo assim, sua eficiência para marcar gols acaba ficando em segundo plano diante da responsabilidade pelo combate e das obrigações táticas.
Isso dialoga diretamente com alguns dos problemas do Flamengo em 2026. O time cria muito, mas não converte na mesma proporção. E Plata é quase um retrato disso: participa, movimenta-se e ajuda na construção, mas a principal função de um atacante — fazer gols — acaba sendo preterida, fazendo falta ao time.
Embora o Flamengo tenha o melhor ataque do Brasileirão, com 45 gols, também está entre os times que mais desperdiçam grandes chances, com 36. E esses gols perdidos têm peso.
No Mineirão, o Flamengo finalizou 14 vezes e teve, pelo menos, duas boas oportunidades, mas converteu apenas uma delas — justamente o gol de Pedro. Esse é um ponto básico para um time que pretende ser campeão: se cria muito, é necessário ter precisão nas finalizações. Só que nem sempre a bola cai nos pés de quem possui o “faro de gol” mais apurado.
Esse é o caso de Plata. Em 2026, a situação se torna ainda mais crítica porque, se sua utilização depende principalmente da contribuição tática, quando ele também não consegue entregar isso, torna-se uma peça de pouco impacto dentro da equipe.
Plata faz parte da história, mas…
Todo flamenguista guarda boas memórias quando pensa na final da Copa do Brasil de 2024 e na decisão da Libertadores de 2025. Em ambas, Plata teve papel importante: seja marcando um gol decisivo, seja apresentando uma atuação de alto nível.
O equatoriano também é dono de um repertório variado de dribles e, em diversas ocasiões, assumiu o papel de “abridor de latas” que o Flamengo esperava de Samuel Lino em outras situações. Sua passagem pelo clube, portanto, tem momentos importantes e que não podem ser ignorados. O problema está na oscilação.
Dentro e fora de campo, principalmente por questões extracampo, Plata acumulou momentos que desafiam a paciência do torcedor e dos dirigentes. E seus números também acabam cobrando um preço do Flamengo. Uma das estatísticas que mais chama atenção é a produção de gols: em três temporadas pelo clube, o equatoriano marcou apenas nove vezes — quase a mesma quantidade de Wallace Yan, que soma sete.
A comparação ganha ainda mais peso porque Wallace é cria das categorias de base do Flamengo, foi promovido ao time profissional em 2024 e, mesmo assim, frequentemente sequer é relacionado para as partidas. Enquanto Plata recebeu diversas oportunidades e uma função tática considerada importante por diferentes treinadores, o jovem formado no Ninho teve muito menos espaço para mostrar seu futebol — mesmo sendo merecidamente criticado.
Em Belo Horizonte, o equatoriano entrou mal. Perdeu disputas, errou tomadas de decisão e pouco acrescentou ao ataque rubro-negro. Diante desse cenário, as críticas da torcida parecem compreensíveis, sobretudo porque a escolha por mantê-lo como peça importante é sustentada, em boa medida, por Leonardo Jardim.
O próprio português criticou a falta de maturidade do time após a derrota e citou as “perdas de bolas infantis”. É justo cobrar os jogadores, mas também é necessário questionar o treinador quando algumas escolhas se repetem apesar dos resultados pouco convincentes.
De saída?
De acordo com o jornal AS, Gonzalo Plata está no radar da Real Sociedad. O clube basco ainda não enviou uma proposta oficial, mas já sinalizou interesse no equatoriano, que estaria disposto a retornar ao futebol espanhol — onde atuou pelo Valladolid entre 2021 e 2023.
A possibilidade pode representar uma alternativa interessante para o camisa 19, mas dificilmente terá um desfecho imediato. Segundo as informações divulgadas, os valores de uma eventual negociação girariam em torno de 10 milhões de euros, cerca de 60 milhões de reais.
Por isso, é difícil imaginar Plata deixando o Flamengo de maneira imediata. O cenário, porém, abre uma discussão que precisa ser feita pela diretoria: o clube ainda enxerga o equatoriano como uma peça importante para o futuro ou sua saída seria a melhor solução para ambas as partes?
Se a importância de Plata está cada vez mais restrita ao cumprimento de funções táticas, enquanto sua produção ofensiva permanece abaixo do esperado, talvez seja o momento de considerar novos caminhos.
O Flamengo precisa decidir se continuará apostando em uma peça que oferece características específicas, mas pouco impacto no terço final, ou se aproveitará uma eventual proposta para buscar um jogador capaz de entregar justamente aquilo que tem feito falta: mais gols, mais agressividade e mais capacidade de decidir partidas.
Créditos da foto de capa: Buda Mendes/Getty Images



