Désiré Doué já havia feito questão de dar seu cartão de visitas na temporada passada, fazendo da atual, o momento de confirmação de todo o seu talento. Aos 20 anos, o ponta do Paris Saint-Germain virou simplesmente o rosto de uma nova era no clube francês. E não estamos falando de qualquer destaque: o garoto foi eleito MVP da final da Champions League que deu o primeiro título da equipe parisiense an competição, coroando uma ascensão meteórica que começou há pouco tempo, mas já parece coisa de veterano.
Pra quem acompanha futebol de base, o nome já não era novidade. Lá em junho de 2022, na Holanda, Doué fazia parte de uma geração francesa que conquistou o Europeu Sub-17. O líder daquele time era Mathys Tel, mas quem olhava com mais atenção percebia que tinha algo especial ali também no jovem do Rennes. Habilidoso, ousado e com personalidade, ele já mostrava que não estava ali só pra completar elenco.
Dois anos depois, o cenário mudou completamente. O diamante virou protagonista no maior palco do futebol europeu.
Doué vai da base ao topo: a escolha que mudou tudo
A saída do Stade Rennais era inevitável. Doué já tinha chamado atenção nos Jogos Olímpicos de Paris e rapidamente entrou no radar de gigantes europeus. O Bayern de Munique tentou até o fim, mas quem levou a melhor foi o PSG, muito por influência de Luis Enrique.
O técnico espanhol bancou a contratação e convenceu o clube a investir pesado: cerca de 60 milhões de euros, incluindo bônus. Na época, muita gente torceu o nariz. Hoje, é absurdamente barato, porque estamos falando do futuro do futebol europeu, ao lado de Lamine Yamal. E mérito total de Luis Enrique. Porque não foi só contratar, foi lapidar.
Anfield, o ponto de virada
Nem tudo foi imediato. No começo, Doué alternou entre titularidade e banco, como qualquer jovem em adaptação. Só que jogador diferente sempre dá um jeito de aparecer. E o palco escolhido não poderia ser mais simbólico: Anfield.
Contra o Liverpool, em uma eliminatória pesada de Champions, o garoto simplesmente decidiu jogar sem sentir o peso do momento. Enquanto muitos se escondem, ele apareceu. Foi ali que começou a mudança de patamar.
A atuação na prorrogação manteve o PSG vivo e colocou Doué definitivamente no mapa do futebol europeu. A partir dali, não era mais “promessa interessante”. Era realidade.
Influência de Neymar e identidade própria
Desde pequeno, Doué nunca escondeu sua admiração por Neymar. Dá pra ver em alguns dribles, na confiança, no jeito de chamar o jogo. Mas ele faz questão de deixar claro: não quer ser comparado. E não precisa mesmo.
Porque se Neymar era mais imprevisível, Doué mistura isso com uma leitura de jogo absurda para a idade. Ele pode atuar em praticamente qualquer posição ofensiva e, em casos extremos, até como lateral. É aquele tipo de jogador que resolve problema em campo e ainda cria outros… para o adversário.
Noite de gala na Champions
A consagração veio na final da Champions League. E veio em grande estilo.
Doué marcou dois gols e deu uma assistência, sendo decisivo do começo ao fim. Com apenas 19 anos na época, se tornou o MVP mais jovem da história da competição. Não é pouca coisa. É entrar para um grupo que, normalmente, só tem lenda.
Meses depois, o reconhecimento continuou com o prêmio Golden Boy, consolidando de vez seu nome entre os maiores talentos do planeta.
Se você acha que foi só sucesso, calma. A temporada também teve seus desafios.
Doué sofreu com lesões musculares que frearam seu ritmo em alguns momentos. Chegou a gerar até um atrito entre o PSG e a federação francesa. Além disso, viveu um episódio interno tenso após uma derrota para o Rennes, com declarações fortes de Ousmane Dembélé.
Só que é aí que a gente separa os bons dos diferentes.
Ao invés de se abalar, Doué respondeu dentro de campo. Contra o Monaco, saiu do banco e, em poucos minutos, mudou completamente o jogo: empatou e depois virou com um golaço. Aquela típica atuação de quem não sente pressão, parece até que joga no modo carreira.
O novo rosto do PSG
E se o olho já convence, os números confirmam. Desde a Copa do Mundo de Clubes, Doué soma 32 participações diretas em gols, com 16 gols e 16 assistências. Para um jogador de 20 anos, em sua segunda temporada no PSG, é simplesmente absurdo.
E não para por aí. Em jogos grandes, principalmente na Champions, ele tem sido decisivo com uma frequência que chama atenção. Contra o Liverpool, por exemplo, voltou a deixar sua marca e foi fundamental para mais uma vitória parisiense.
Com lesões de jogadores como Bradley Barcola abrindo espaço, Doué assumiu de vez a titularidade e não largou mais. Hoje, ele é peça central de um PSG que joga com confiança e que, mais uma vez, sonha alto na Europa.
A sensação é clara: o clube finalmente encontrou um novo protagonista. Alguém jovem, decisivo e com personalidade suficiente para carregar o peso da camisa. E se continuar nesse ritmo, pode ir se preparando… porque Paris já escolheu seu novo rei.
Foto: IMAGO