Após o título de Fórmula 1 em 2025, Lando Norris chega ao novo regulamento sob expectativa. O britânico é um dos campeões mais questionados do século e tem a pressão de provar que a campanha não foi um ponto fora da curva na carreira. Mas, até aqui, tanto o piloto quanto a McLaren têm enfrentado problemas que o afastaram da briga pelas posições de topo.
Apenas quinto no Mundial de Pilotos, Norris ainda não subiu ao pódio em 2026. Embora tenha defendido o novo regulamento na pré-temporada, sua postura mudou em relação aos novos carros e ele tem sido ativos em suas críticas a aspectos que não o agradam na “nova Fórmula 1”.
Dentre as reclamações, estão a perda de prazer ao pilotar e a falta de controle, que causa risco à segurança dos competidores.
Gestão de energia incomoda Norris

As mudanças no regulamento técnico da Fórmula 1 para 2026 colocaram a gestão de energia no centro do desempenho dos carros, mas também no foco das críticas de Norris. O campeão mundial aponta que a dependência das unidades híbridas, especialmente do uso da bateria, alterou profundamente a forma de pilotar e, segundo ele, para pior. Em vez de extrair o máximo do carro em cada volta, os pilotos precisam constantemente reduzir o ritmo para preservar ou redistribuir energia ao longo do traçado.
Um dos exemplos mais emblemáticos citados por Norris envolve as voltas de classificação, que costumam ser o momento em que os carros alcançam o pico de performance e velocidade no fim de semana. O britânico criticou a necessidade de aliviar o acelerador em trechos de alta velocidade para não prejudicar a gestão de energia. Em circuitos como Suzuka, isso significa perder dezenas de quilômetros por hora em curvas rápidas, o que compromete não apenas o tempo de volta, mas também a sensação de controle do carro por parte do piloto.
De acordo com Norris (e outros competidores, como Verstappen), essa característica vai na contramão da essência da categoria. Ele reforça que o desejo dos competidores é simples: pilotar “no limite” durante toda a volta, sem interferências artificiais impostas pela gestão energética. A necessidade de levantar o pé em pontos onde, historicamente, se acelerava ao máximo gera frustração e reforça a percepção de que o desempenho não está totalmente nas mãos do piloto.
Além disso, o impacto vai além da pilotagem em si. A redução de velocidade em determinados trechos pode tornar os carros mais lentos que categorias inferiores em velocidade final..
Norris detalha riscos à segurança nas corridas

Se a perda de prazer ao pilotar já é um ponto negativo para os competidores, Norris eleva o tom da crítica para o fator da segurança. O britânico destaca que a forma como a energia é distribuída nos carros de 2026 reduz o controle do piloto em momentos críticos, como em curvas de alta velocidade. Em situações específicas, o comportamento do carro passa a depender mais do sistema do que da ação direta do piloto.
Um dos principais problemas apontados por ele é a imprevisibilidade da entrega de potência. Norris explica que, ao aliviar o acelerador e voltar a pisar, o sistema pode redistribuir energia de forma automática e fora do timing ideal, o que cria situações em que o piloto não consegue reagir de maneira imediata, ficando “à mercê” do que acontece atrás. Em disputas roda a roda, isso pode ser um fator perigoso.
Os chamados “closing speeds” (diferenças de velocidade em aproximações) aumentam, tornando ultrapassagens e aproximações mais perigosas, como o caso do acidente de Oliver Bearman no Japão.
Norris não é o único a criticar esses aspectos, já que outros pilotos também manifestaram preocupação com a segurança e pedem intervenções rápidas da FIA. Com isso, mudanças poderão ser vistas já na próxima corrida, o GP de Miami, em 3 de maio.

