O futuro de Gilbert Burns, o “Durinho”, passa diretamente pelo desempenho contra Mike Malott na luta principal do UFC Fight Night 237, marcada para este sábado (18). Aos 39 anos, Durinho vive um momento delicado na carreira, acumulando quatro derrotas consecutivas no Ultimate. Atualmente na 11ª posição do ranking dos meio-médios, o brasileiro sabe que precisa não apenas vencer, mas também convencer para se manter relevante dentro da organização.
Durinho, que já foi considerado um dos atletas mais perigosos da divisão, atravessa uma fase de baixa após enfrentar nomes de alto nível. As derrotas para Belal Muhammad, Jack Della Maddalena, Sean Brady e Michael Morales impactaram diretamente sua posição no ranking e levantaram dúvidas sobre sua permanência entre a elite. Por isso, o confronto contra Malott, um adversário menos badalado, ganha contornos decisivos. Mais do que um triunfo, Durinho precisa mostrar evolução e capacidade de adaptação.
Durinho sabe que precisará ser mais estratégico
Nas últimas apresentações, Durinho acabou superado ao apostar em um estilo agressivo, baseado na trocação franca e na imposição física. No entanto, essa abordagem não surtiu o efeito esperado contra lutadores mais jovens e resistentes. Agora, o brasileiro reconhece que precisa mudar sua forma de lutar para prolongar sua carreira e voltar a vencer.
Em entrevista à MMA Junkie Radio, Durinho destacou sua evolução mental e técnica após um período afastado do octógono. Segundo ele, a experiência acumulada será fundamental neste novo momento.
“Mudei muito, principalmente neste último ano, depois daquela longa pausa após a luta contra Morales. No começo, eu era um desastre. Eu era o cara que entrava no octógono para ver quem tinha mais fome de vitória, quem aguentava os socos mais fortes”, disse.
“Mas aí, conforme fui lutando contra esses caras de alto nível, fui adquirindo muita experiência. Todos os treinos, todos os estudos, todas as lutas… e agora, que vou fazer 40 anos em julho, preciso usar mais essa experiência em vez de ser um desastre. Vai ser preciso muito mais estratégia, mas o instinto precisa estar lá”, continuou.
Essa mudança de postura pode ser determinante para Durinho, que busca equilibrar agressividade com inteligência tática.
Durinho deve apostar no grappling contra Malott
Para o duelo contra Mike Malott, a estratégia de Durinho deve passar pela aproximação e pelo uso do seu consagrado grappling. Faixa-preta de jiu-jitsu, ele tem no jogo de chão uma de suas maiores armas e pode explorar isso contra um adversário que também apresenta versatilidade.
Apesar de não figurar no ranking, Malott é visto como um lutador perigoso e completo. Durinho, inclusive, fez questão de destacar as qualidades do canadense, mostrando respeito e cautela.
“Acho que Mike Mallott é muito completo, muito bom. Só acho que ele é um pouco subestimado. Ele tem uma boa trocação, um bom grappling. Ele controla o ritmo da luta. Ele controla a distância muito bem.”
Isso indica que Durinho precisará ser paciente e escolher os momentos certos para encurtar a distância. Evitar trocação prolongada e impor seu ritmo no solo pode ser o caminho mais seguro para a vitória.
Durinho projeta reta final da carreira no UFC
Independentemente do resultado deste sábado, Durinho deixou claro que esta não será sua última luta. O brasileiro reconhece que está nos momentos finais da carreira, mas ainda pretende fazer mais algumas apresentações no octógono.
Sem chances reais de voltar a disputar o cinturão em uma divisão repleta de jovens talentos, ele agora busca encerrar sua trajetória com dignidade. Construir um legado sólido e manter um cartel respeitável tornaram-se seus principais objetivos.
Até aqui, são 15 vitórias e 9 derrotas no UFC, números que refletem uma carreira marcada por grandes desafios e combates de alto nível. Mais do que nunca, o momento exige inteligência, adaptação e estratégia.
Neste cenário, Durinho entra pressionado, mas também motivado a provar que ainda pode competir entre os melhores. A luta contra Malott será um teste não apenas físico, mas também mental. E, para Durinho, pode representar a última grande virada de sua carreira.
Foto: AP Photo/John Locher