John Kennedy Fluminense
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Fluminense se afunda em crise e mostra que temporada de títulos sem novas contratações é ilusão; confira

O Fluminense entrou em um momento delicado após as derrotas para o Flamengo no último domingo (12), no Brasileirão, e para o Independiente Rivadavia, na última quarta-feira (15), pela Libertadores. O revés no clássico aumentou a distância para o líder Palmeiras, que abriu seis pontos, e a derrota para o clube argentino, no Maracanã, colocou a equipe de Luis Zubeldía em uma situação bastante complicada no Grupo C da competição continental.

Após ser apontado como um dos times de melhor desempenho no país há poucas semanas, o Fluminense passou a conviver com um cenário de instabilidade, intensificado pela polêmica envolvendo a mudança de data do Fla-Flu. O episódio gerou desgaste entre diretoria e torcida e contribuiu para um ambiente mais pressionado. Diante disso, a equipe precisa reagir rapidamente para manter suas ambições na temporada de 2026.

Crise do Fluminense expõe limitações do elenco tricolor

Um dos principais pontos evidenciados pela atual fase é a limitação estrutural do elenco de Luis Zubeldía. Apesar dos reforços no início do ano, o grupo ainda apresenta carências importantes, especialmente relacionadas à condição física de jogadores mais experientes e ao nível técnico em algumas posições.

Após a conquista da Libertadores de 2023, o clube optou por renovar contratos de atletas importantes no ciclo vitorioso. No entanto, a manutenção desses nomes, embora justificável sob o aspecto histórico, levanta questionamentos quanto à capacidade de desempenho no curto e médio prazo. Casos como os de Germán Cano e Paulo Henrique Ganso ilustram essa situação. Ambos foram peças-chave em conquistas recentes, mas, em 2026, enfrentam dificuldades para manter regularidade em alto nível.

Cano perdeu o início da temporada por conta de uma lesão no joelho, retornou aos gramados, mas voltou a apresentar problemas físicos. Já Ganso, que enfrentou um problema cardíaco em 2025, teve momentos positivos no fim da última temporada, mas não conseguiu sustentar o mesmo rendimento neste ano.

Mesmo assim, Zubeldía tem mantido o meia como opção recorrente na função de articulador central, especialmente após a lesão de Lucho Acosta. Alternativas como Savarino, que apresenta melhor rendimento atuando por dentro, ainda não foram plenamente exploradas nessa função.

Além dos casos de Ganso e Cano, outras renovações também geram debate sob o ponto de vista técnico. O lateral-direito Guga, por exemplo, teve seu contrato estendido por mais quatro anos, mesmo sem apresentar desempenho consistente, sobretudo no aspecto defensivo. Situação semelhante ocorre com outros atletas do elenco, indicando uma política de continuidade que nem sempre acompanha critérios estritamente esportivos.

Poderiam ser citados outros exemplos de decisões questionáveis, como a renovação de Renê, que esteve envolvido em falhas em momentos relevantes, mas a questão do elenco representa apenas parte de um cenário mais amplo de dificuldades enfrentadas pelo clube desde a conquista continental de 2023.

Um clube que se distancia da sua torcida

Nos últimos anos, observa-se um afastamento gradual da torcida do Fluminense, tanto em presença nos estádios quanto no número de sócios-torcedores. Em 2023, ano do título da Libertadores, o clube alcançou cerca de 70 mil associados, figurando entre os dez maiores do país nesse quesito. Atualmente, esse número caiu para menos de 40 mil.

Esse movimento pode ser associado a uma combinação de fatores, como decisões administrativas contestadas, dificuldades de comunicação e a percepção de que o clube não conseguiu sustentar o nível competitivo após o ciclo vitorioso recente. Vale lembrar que, em 2024, o Fluminense lutou contra o rebaixamento até a última rodada do Brasileirão.

Contratações discutíveis, como a de Everaldo em 2025, além de outras decisões herdadas da gestão anterior, da qual a atual diretoria, liderada por Matheus Montenegro, dá continuidade, contribuíram para esse cenário. Episódios como o adiamento do Fla-Flu reforçam a percepção de desalinhamento entre clube e torcida.

Apesar de um início promissor em 2026, com boas atuações e expectativa de protagonismo, os resultados recentes, como a derrota na final do Carioca e tropeços em jogos importantes, indicam dificuldades da equipe em manter consistência em partidas decisivas.

As atuações abaixo do esperado na estreia da Libertadores, somadas à derrota no clássico, evidenciam não apenas limitações do elenco, mas também desafios mais amplos na condução esportiva e institucional do clube.

Diante desse contexto, o Fluminense precisa reagir rapidamente. A equipe de Zubeldía tem compromissos importantes pela frente, incluindo o confronto contra o Santos, na Vila Belmiro (19), além de jogos decisivos contra o Operário, pela Copa do Brasil, e o Bolívar, pela Libertadores, na altitude de La Paz.

Para a sequência da temporada, será fundamental que a diretoria reavalie o planejamento e busque reforços pontuais. Ao mesmo tempo, a comissão técnica pode precisar ajustar escolhas e encontrar alternativas dentro do elenco para melhorar o desempenho coletivo.

Ainda há margem para recuperação, mas a resposta precisa ser imediata para evitar que a temporada de 2026 se distancie dos objetivos traçados no início do ano.

(Foto: Mauro Pimentel/AFP)