São Paulo
Copa do Brasil Futebol

São Paulo deixa torcida irritada mesmo com vitória na Copa do Brasil

A vitória do São Paulo por 1 a 0 sobre o Juventude, no MorumBIS, pela ida da quinta fase da Copa do Brasil, foi um retrato claro de um time que conseguiu impor domínio territorial, mas que ainda convive com oscilações na execução ofensiva, sobretudo na hora de transformar controle em placar mais elástico. Mesmo com o triunfo no jogo de ida da 5ª fase, a torcida não perdoou e acabou vaiando bastante os jogadores e principalmente Roger Machado, mas essa negatividade toda foi justa?

Estratégia do São Paulo deveria ser suficiente para vantagem maior

Desde o início, o São Paulo assumiu o protagonismo esperado pelo contexto. Com maior qualidade técnica e jogando em casa, a equipe construiu seu jogo a partir de um meio-campo participativo, valorizando a posse e tentando empurrar o Juventude para um bloco baixo. A estratégia fazia sentido diante de um adversário que apostava justamente em organização defensiva e transições rápidas como principal arma para equilibrar o confronto.

O desenho tático favoreceu um duelo de paciência: o São Paulo circulava a bola de um lado ao outro, buscando abrir espaços na última linha adversária, enquanto o Juventude mantinha compactação entre linhas e fechava o corredor central. Nesse cenário, o time paulista teve dificuldade para encontrar infiltrações limpas, recorrendo com frequência a bolas laterais e cruzamentos, um indicativo de que o volume ofensivo nem sempre se traduzia em criatividade.

Ainda assim, a superioridade territorial acabou sendo recompensada, pois o gol de Luciano, que definiu a partida, surgiu num momento em que o São Paulo consegue acelerar a jogada e atacar o espaço com mais agressividade, rompendo a estrutura defensiva adversária. Foi um lance que destoou do ritmo mais cadenciado do restante do jogo e evidenciou o que faltava à equipe em boa parte do tempo: maior verticalidade e presença na área.

Curiosamente, o pênalti desperdiçado por Calleri também ajuda a explicar a dinâmica da partida, pois a jogada que origina a penalidade reforça a pressão constante do São Paulo sobre o campo rival, mas o erro no chute manteve o placar apertado e impediu que o domínio pudesse significar tranquilidade. O time seguiu controlando o jogo, mas sem a contundência necessária para “matar” o confronto.

Na segunda etapa, o panorama pouco mudou. O São Paulo continuou dono da posse e do território, mas passou a administrar mais do que acelerar, enquanto o Juventude, mesmo obrigado a sair mais, encontrou limitações claras na construção ofensiva, esbarrando tanto na própria falta de repertório quanto na organização defensiva do adversário. A equipe gaúcha até manteve disciplina tática, mas teve dificuldades para transformar recuperações de bola em transições perigosas.

São Paulo ainda dará certo com Roger Machado?

Sob comando de Roger Machado, o São Paulo já mostrou ser um time capaz de controlar partidas e sustentar pressão, mas o fato de ser muito irregular na definição das jogadas, dependendo de momentos pontuais de aceleração para decidir, acaba deixando o torcedor impaciente, ainda mais quando o seu treinador está mais focado na organização defensiva e acaba impedindo que o setor ofensivo tenha maior liberdade. Apesar disso, as vaias generalizadas com mais de 30 mil torcedores no Morumbis deixaram um gosto amargo e reflexivo em relação à Roger.

Divulgação: AFP