Chelsea Liam Rosenior
Futebol Premier League

Liam Rosenior: o que aconteceu de errado na passagem pelo Chelsea?

A passagem de Liam Rosenior pelo Chelsea começou de maneira promissora, contudo, a postura pragmática da equipe gerou uma queda no desempenho

Demitido após a derrota de 3 x 0 para o Brighton, a passagem de Liam Rosenior pelo comando do Chelsea teve início cheia de compromissos: a equipe disputou uma sequência de 11 partidas em 35 dias. Durante os intervalos dos jogos, o clube inglês teve, no máximo, quatro dias para descanso e treinos. Com o tempo limitado devido à agenda, ele não conseguiu mudar tanta coisa.

Mesmo com a intensidade, o técnico costumava sempre enfatizar o talento do Chelsea, como ao término da goleada por 5 x 1 sobre o Charlton, pela FA Cup, em janeiro. “Este é um time que venceu o Mundial de Clubes. Isso foi há cinco meses. Este é um time que venceu a Conference League no ano passado. Eles foram bem treinados.”

Apesar desta rotina agitada, ele entendia que o anterior treinador Enzo Maresca havia deixado bases táticas sólidas. Portanto, não demonstrava preocupação com o tempo curto de treinos. Esta afirmação mostrou-se certa com os primeiros resultados de Rosenior pelo Chelsea. O time ganhou oito dos primeiros 11 jogos, tendo apenas uma derrota para o Arsenal na semifinal da Copa da Liga Inglesa.

Os ajustes técnicos feitos por Liam Rosenior

Durante o período como treinador do Chelsea, Liam Rosenior realizou algumas mudanças táticas. O técnico optava por uma marcação individual mais agressiva do que a de Enzo Maresca, ficando evidente em certos jogos. Porém, ele priorizava uma abordagem mais sutil, enquanto lidava com os diversos compromissos em campo.

O planejamento ficou mais viável depois da vitória por 4 x 0 sobre o Hull City, pela quarta fase da FA Cup. Neste momento, o calendário permitiu um intervalo maior de oito dias entre os jogos.

Liam Rosenior finalmente tinha um tempo para implementar melhor suas ideias. Ele comentou sobre este período, antes do jogo contra o Burnley pela Premier League. “Eu disse aos jogadores na reunião da equipe na manhã de quinta-feira que era a primeira vez que tínhamos dois dias de vantagem tática antes de uma partida desde que comecei a trabalhar com eles.”

Ainda comentava que a partida contra o Hull City tinha sido a primeira vez que havia tido um tempo maior para ajustar as táticas. “Qualquer treinador diria que quanto mais tempo você passa com o grupo, mais você consegue imprimir o que deseja.”

A derrocada de Liam Rosenior pelo Chelsea

Contudo, o Chelsea de Liam Rosenior passou a viver um momento inusitado. Quanto mais passava tempo no Centro de Treinamentos, pior futebol o elenco praticava.

Isto começou já na partida contra o Burnley. Isso porque os Blues empataram por 1 x 1, em pleno Stamford Bridge. A partir deste momento, o Chelsea entrou em uma queda de rendimento. O time venceu apenas três dos 12 jogos disputados desde então. Sendo que duas destas vitórias aconteceram contra times de divisões inferiores: Wrexham e Port Vale.

Liam Rosenior deixou o comando técnico do Chelsea com cinco derrotas consecutivas, sem marcar gols pela primeira vez desde 1912. Ele não é o único causador do momento ruim do time londrino. Entretanto, o padrão de desempenho piorando conforme o tempo maior que o clube passava no campo de treinamento foi uma prova evidente da participação de Liam Rosenior pelo clube.

Além dos maus resultados, os insucessos em clássicos ajudaram na demissão, principalmente, os jogos contra o Arsenal. Ao todo, enfrentou o rival três vezes e perdeu em todas as ocasiões. Também houve derrotas para Manchester United e Manchester City, ocorridas quando o clube teve semanas de treinos ininterruptos para a preparação.

No entanto, um motivo essencial para a demissão do treinador foi a insatisfação dos jogadores. Enzo Fernández fez um pedido para ser contratado pelo Real Madrid em março, enquanto Marc Cucurella questionou a decisão de demitir Enzo Mareca, no mês seguinte.

Consequentemente, a autoridade do treinador foi abalada pelos resultados nos gramados. O objetivo da marcação individual agressiva mostrou-se incapaz quando o time foi eliminado pelo PSG, na Champions League, por um categórico 8 x 2 no placar agregado. O atleta Malo Gusto chegou a questionar a postura tática do técnico, ao término do jogo de ida.

Os adversários notaram este estilo de jogo do Chelsea e passaram a explorar, em busca dos três pontos. Depois da vitória do Newcastle por 1 x 0, o autor do gol, Anthony Gordon, comentou esta postura. “Eles estavam marcando homem a homem, então sabíamos que podíamos ficar atrás deles.”

Os comportamentos extracampos também prejudicaram o treinador. A reação furiosa a uma invasão do técnico do Arsenal ao Chelsea durante o aquecimento antes da partida de volta da semifinal da Copa da Liga Inglesa gerou atenção desnecessária. Os comentários sobre “respeitar a bola” também atraíram reações negativas.

Após este incidente, o Chelsea não conseguiu marcar em seis dos sete jogos seguintes, excluindo a goleada por 7 x 0 sobre o Port Vale, pela FA Cup. O técnico se defendeu nas coletivas, afirmando que assumiu o comando no meio da temporada. Todavia, a trajetória do técnico Michael Carrick pelo Manchester United contraria a defesa de Liam Rosenior.

Mesmo sem lidar com agenda cheia de jogos, Carrick aproveitou o tempo de treinos para aprimorar o desempenho do United. Na tabela da Premier League desde o dia 17 de janeiro, quando Carrick comandou o primeiro jogo pela competição, o United é o líder, enquanto o Chelsea ocupa a décima posição.

Créditos da imagem da capa: Divulgação/Icon Sport