Chelsea - Xabi Alonso
Futebol Premier League

Xabi Alonso descobre no Chelsea o mesmo problema que incomodou Maresca e Rosenior; entenda

O Chelsea é uma das equipes mais divertidas de acompanhar na temporada 2026/27. O time pode não ser um dos principais favoritos aos grandes títulos, mas dificilmente passa despercebido. Em apenas cinco partidas disputadas até agora, os Blues marcaram 16 gols e sofreram 10, com uma média impressionante de 5,2 gols por jogo.

Para quem acompanha as partidas no estádio, certamente não falta emoção. O problema é que o espetáculo ofensivo ainda não vem acompanhado do equilíbrio que Xabi Alonso gostaria de encontrar.

O treinador espanhol conta com um elenco ofensivo que muitos técnicos do futebol mundial gostariam de comandar. A questão é encontrar uma maneira de manter toda essa força no ataque sem deixar a equipe tão vulnerável defensivamente.

Após a vitória por 6 a 3 sobre o Leeds United, pela Carabao Cup, Alonso reconheceu que o Chelsea precisa evoluir nesse aspecto. O treinador afirmou que deseja encontrar mais equilíbrio e tornar a equipe capaz de vencer até mesmo partidas menos brilhantes.

Chelsea é forte no ataque, mas sofre com o elenco reserva

Para que isso aconteça, porém, algumas coisas precisarão mudar. O Chelsea vem mostrando muita força ofensiva, mas também apresenta problemas na defesa e, principalmente, no meio-campo. O resultado é uma equipe capaz de produzir grandes momentos no ataque, mas que ainda está longe de ser totalmente confiável.

A partida contra o Leeds também expôs outro problema que antigos treinadores do clube já conhecem bem: o time reserva do Chelsea não apresenta o mesmo nível dos titulares.

No papel, as opções para o banco parecem interessantes. Estêvão Willian é considerado um dos grandes jovens talentos do futebol mundial, Jamie Gittens pode ser extremamente perigoso quando está inspirado e Malo Gusto já mostrou qualidade suficiente para atuar em alto nível na Premier League.

Na prática, porém, o trio não conseguiu apresentar esse nível contra o Leeds.

O Chelsea foi para o intervalo perdendo por 1 a 0 e praticamente não conseguia criar no ataque. Diante da dificuldade, Alonso precisou recorrer aos principais jogadores do elenco.

Palmer e Rogers mudam completamente o jogo

Reece James, Morgan Rogers, Cole Palmer e Pedro Neto entraram no intervalo. Mesmo assim, o cenário inicialmente ficou ainda pior, já que Brenden Aaronson marcou e colocou o Leeds em vantagem por 2 a 0.

Foi então que o Chelsea mostrou toda a sua força ofensiva.

Morgan Rogers terminou a partida com quatro assistências, enquanto Cole Palmer marcou duas vezes. Pedro Neto também deu muita velocidade ao lado direito e ainda balançou as redes pela segunda vez na temporada.

A entrada dos titulares transformou completamente o desempenho da equipe. O problema para Alonso é que esse tipo de situação não pode se repetir constantemente.

Questionado sobre a diferença de qualidade entre seu primeiro e segundo time, o treinador evitou fazer uma avaliação tão crítica. Alonso afirmou que provavelmente não tomou as decisões corretas para que seus jogadores reservas apresentassem seu melhor nível e que aprenderia com o que aconteceu.

Internamente, porém, o treinador sabe que não pode depender apenas dos principais nomes do elenco. E esse não é um problema novo no Chelsea.

Problema nas copas já vem de outras temporadas

Na temporada passada, o segundo time dos Blues também encontrou dificuldades nas competições de copa. O Chelsea conseguiu vitórias apertadas contra Lincoln City, Cardiff City e Wrexham, mas precisou recorrer a jogadores mais importantes para conseguir superar adversários considerados inferiores.

O problema é que as copas deveriam justamente representar uma oportunidade para os principais jogadores descansarem.

Alonso provavelmente gostaria de ter usado a partida contra o Leeds para dar um descanso a Palmer e Rogers, principalmente antes do confronto contra o Hull City pela Premier League. Só que isso não foi possível.

Por um lado, os dois jogadores podem ganhar confiança depois das grandes atuações. Por outro, o desgaste pode pesar mais à frente na temporada, especialmente se o Chelsea continuar precisando deles em partidas que deveriam ser resolvidas pelo time reserva.

Chelsea tem uma diferença grande entre os dois times

Nos últimos anos, o Chelsea passou a trabalhar com uma divisão bastante clara entre uma primeira e uma segunda equipe. Isso ficou especialmente evidente durante a campanha vitoriosa na Europa Conference League, quando Enzo Maresca chegou a dividir o elenco de maneira muito clara.

O problema continua existindo atualmente.

O Chelsea possui um elenco maior do que a maioria dos grandes clubes europeus. Sua equipe titular conta com jogadores capazes de decidir partidas em alto nível, mas a segunda opção não consegue manter o mesmo padrão.

Essa diferença de qualidade cria um dilema. Os jogadores reservas precisam entrar em campo para ganhar ritmo e mostrar que podem ser úteis, mas as competições de copa são praticamente a única oportunidade para isso.

Quando recebem chances, entretanto, muitos acabam tendo dificuldades para apresentar seu melhor futebol. A falta de ritmo pode explicar parte desse problema, mas o resultado final continua sendo preocupante para o clube.

Alonso herda um problema que já incomodava Maresca e Rosenior

O treinador espanhol, portanto, não está diante de uma questão criada durante sua passagem pelo Chelsea. Maresca já precisou lidar com o mesmo cenário, enquanto Liam Rosenior também enfrentou dificuldades relacionadas à diferença entre os titulares e os reservas.

Agora, Alonso terá a missão de encontrar uma solução.

Não existe uma resposta simples. O Chelsea não pode simplesmente deixar seus jogadores reservas sem atuar, porque eles precisam de minutos e confiança. Ao mesmo tempo, também não pode colocar seus principais jogadores em campo constantemente em partidas de menor importância, principalmente quando há uma temporada inteira pela frente.

A vitória por 6 a 3 contra o Leeds serviu como um alerta. O Chelsea mostrou que tem poder ofensivo suficiente para virar partidas praticamente perdidas, mas também revelou que ainda existe uma diferença importante entre seus principais jogadores e aqueles que estão logo atrás na hierarquia.

Se Alonso quiser transformar o Chelsea em um candidato real aos grandes títulos, precisará encontrar esse equilíbrio. Até lá, as partidas dos Blues prometem continuar sendo espetaculares — mas também bastante imprevisíveis.

Foto: Getty Images