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Futebol Copa do Brasil

Bahia está à beira do fracasso em 2026

Mesmo que tenha no Brasileirão o seu principal foco na temporada, o Bahia poderia aproveitar a disputa da Copa do Brasil para alimentar a sua única chance de título em 2026 restante, além de avançar o máximo possível com o objetivo de reforçar um caixa já deficitário pela falta da disputa de competições internacionais e regionais. No entanto, a derrota em casa por 3 a 1 diante do Remo, em plena Arena Fonte Nova, deixou o Esquadrão de Aço mais próximo de um novo vexame no ano.

Bahia cometeu erros terríveis em derrota para o Remo

O Bahia, dirigido por Rogério Ceni, partiu de uma estrutura voltada ao domínio territorial e à posse de bola, buscando empurrar o adversário para trás desde os primeiros minutos. A equipe tentou construir com amplitude e presença no campo ofensivo, apostando na circulação e na ocupação dos corredores laterais para abrir espaços na defesa paraense. Em muitos momentos, conseguiu se instalar no ataque, confirmando a expectativa de maior volume ofensivo como mandante.

No entanto, esse controle foi mais territorial do que efetivo, pois o Bahia  esbarrou em um problema estrutural que se repetiu ao longo da partida: dificuldade de proteger a própria transição defensiva. Ao adiantar suas linhas e comprometer muitos jogadores à frente da bola, a equipe deixava espaços consideráveis entre meio-campo e defesa, cenário ideal para o plano defensivo do Remo.

A equipe de Léo Condé foi cirúrgica ao explorar exatamente esse tipo de brecha. Organizada em um bloco mais baixo e compacto, priorizou fechar o centro e induzir o Bahia a um jogo mais previsível pelos lados. A partir das recuperações, acelerava com verticalidade, buscando ligações rápidas e aproveitando a desorganização defensiva adversária.

O ponto-chave da partida esteve justamente na eficiência dessas transições. O Remo não precisou de grande volume para ser perigoso, bastava recuperar a bola e atacar com poucos toques, pegando o Bahia descompensado, e essa dinâmica já havia sido determinante em confrontos recentes entre as equipes voltou a se repetir, evidenciando uma dificuldade do sistema defensivo tricolor em lidar com ataques em velocidade.

Individualmente, os problemas também se refletiram na execução. Falhas de posicionamento e tomada de decisão na última linha comprometeram o Bahia em momentos cruciais, facilitando a construção dos gols adversários. Sem coordenação adequada entre zaga e meio-campo, o time frequentemente defendia em inferioridade numérica ou com espaços excessivos entre setores, um convite para infiltrações e finalizações em condições favoráveis.

Ramos Mingo viveu um de seus piores lances com a camisa do Bahia, errando na saída de bola no fim do jogo originando um gol gratuito para o Remo, algo que pode ter sido decisivo. No entanto, quem realmente merece o grande destaque negativo defensivamente é David Duarte, ficando muito distante de seu marcador (Tchamba), além de erros básicos em saída de bola.

Rogério Ceni não pode viver sem pressão no Bahia

Entende-se que a cultura do Manchester City não passa pela interrupção de trabalhos durante as temporadas, mas o Bahia não pode ficar refém de Rogério Ceni para sempre. Em momentos específicos, o técnico passa a sensação de que seu trabalho alcançou um teto, e que uma nova comissão técnica precisaria assumir enfim deixar o clube em outro patamar.

Imagem: Getty Images