O debate sobre o futuro do meio-campo do Real Madrid voltou com força após mais uma temporada abaixo das expectativas. E, no meio dessa discussão, um nome aparece como peça central: Aurélien Tchouaméni.
Durante o Laureus Awards, o ex-treinador Fabio Capello foi direto ao apontar o principal problema do time: a falta de um meio-campo dominante como nos tempos recentes. Desde a saída de Toni Kroos e a despedida de Luka Modrić, o clube ainda busca um novo equilíbrio.
Nesse cenário, vender Tchouaméni neste momento não seria apenas uma decisão arriscada — seria um erro estratégico que pode custar caro ao projeto esportivo do clube.
Tchouaméni virou peça essencial no Real Madrid
Quando chegou vindo do Monaco, Tchouaméni carregava expectativa enorme. E, como acontece com muitos jogadores no Real Madrid, viveu altos e baixos nos primeiros anos.
Com o tempo, porém, o volante se consolidou como peça-chave. Seja atuando como primeiro homem do meio-campo ou até improvisado na zaga, ele ganhou a confiança de treinadores como Carlo Ancelotti e seguiu importante mesmo com mudanças no comando técnico.
Na atual temporada, seus números mostram essa evolução: alto índice de acerto de passes, liderança em desarmes e presença constante entre os jogadores com mais minutos em campo. Ou seja, virou exatamente o tipo de jogador que sustenta o funcionamento do time.
Perfil raro faz Tchouaméni ainda mais valioso
O grande diferencial de Tchouaméni é o perfil. Ele não é um organizador clássico como Kroos, nem um meia criativo como Modrić, mas cumpre uma função igualmente essencial: proteger a defesa e dar equilíbrio ao sistema.
Nesse sentido, ele se aproxima do papel que Casemiro desempenhou durante anos no clube. Um jogador que, muitas vezes, não aparece tanto para o público, mas é fundamental para o funcionamento coletivo.
E o problema para o Real Madrid é simples: hoje, não existe outro atleta com essas características no elenco. Quando Tchouaméni não joga, a equipe sente — e isso já ficou evidente em jogos importantes da temporada.
Interesse do Manchester United acende alerta
O Manchester United surge como um dos interessados no volante francês. A ideia do clube inglês seria repetir uma estratégia semelhante à contratação de Casemiro, apostando em um jogador já consolidado no Real Madrid.
Apesar de Tchouaméni ser tratado como peça importante internamente, o histórico do clube espanhol no mercado mostra que nenhuma venda é impossível, principalmente quando há necessidade de caixa para novas contratações.
E é aí que mora o perigo. Caso o Real Madrid decida investir pesado em nomes como Rodri ou Enzo Fernández, pode acabar considerando a venda do francês como forma de equilibrar as finanças.
Lição do passado serve como alerta no Bernabéu
A história mostra que esse tipo de decisão pode sair caro. Em 2003, o Real Madrid vendeu Claude Makélélé para o Chelsea, priorizando a chegada de estrelas como David Beckham.
Na época, Zinedine Zidane fez uma crítica que ficou marcada: questionou a lógica de reforçar o “luxo” enquanto se perdia o “motor” da equipe.
O resultado foi um time desequilibrado, que demorou anos para voltar a conquistar títulos relevantes. Um cenário que pode se repetir caso o clube abra mão de Tchouaméni sem ter um substituto à altura.
Venda seria um erro estratégico para o Real Madrid
O Real Madrid precisa, sim, reforçar seu meio-campo. Mas isso não significa desmontar a base que ainda sustenta o time. Tchouaméni representa exatamente esse pilar que não pode ser ignorado.
Mais do que buscar novos nomes, o clube precisa entender o que já tem em mãos. E, neste momento, abrir mão do francês significaria enfraquecer ainda mais um setor que já passa por transição.
Se quiser evitar repetir erros do passado, o Real Madrid precisa aprender com sua própria história. Porque, no futebol, nem sempre a solução está em contratar mais — às vezes, está em não vender quem mantém o time de pé.
