O Real Madrid finalmente fez a contratação de impacto que Florentino Pérez prometia desde o início da janela de transferências. Depois de semanas de especulações e de ser ligado a nomes como Julián Álvarez e Michael Olise, o clube acertou a chegada de Yan Diomande, uma das maiores promessas do futebol mundial. O atacante de 19 anos custou até 140 milhões de euros ao RB Leipzig e se tornou a principal contratação merengue para a temporada 2026/27.
A negociação tem a cara da política de “galácticos” que marcou diferentes períodos da gestão de Florentino. Durante sua campanha para a reeleição, o presidente chegou a prometer um investimento próximo dos 150 milhões de euros em um jogador ofensivo capaz de empolgar a torcida. Promessa feita, promessa cumprida.
Mas quem pensa que o mercado do Real Madrid terminou está enganado.
Apesar de já ter anunciado Bernardo Silva, Ibrahima Konaté, Denzel Dumfries, Marc Cucurella, Carlos Espí e agora Yan Diomande, o elenco ainda apresenta duas carências importantes. E, se José Mourinho realmente quiser recolocar os merengues no topo da Europa depois de duas temporadas sem um grande título, a diretoria ainda precisará abrir os cofres antes do fechamento da janela.
Diomande é o rosto da nova geração do Real Madrid
A contratação de Yan Diomande representa muito mais do que um simples reforço para o ataque. O jovem chega cercado por enorme expectativa após despertar o interesse de gigantes como Paris Saint-Germain e Liverpool, mostrando que o Real Madrid venceu uma disputa importante no mercado.
Além do talento evidente, a contratação também atende a um desejo pessoal de Florentino Pérez. O presidente sempre gostou de realizar uma contratação de enorme impacto em praticamente todas as janelas mais importantes de sua gestão. São negociações que, além do aspecto esportivo, servem para fortalecer a marca do clube e manter o Real Madrid constantemente no centro das atenções.
Dentro de campo, Diomande oferece velocidade, capacidade de desequilíbrio no um contra um e potencial para formar um ataque de respeito ao lado de Vinicius Junior e Kylian Mbappé. No papel, poucos clubes do mundo conseguem reunir um trio ofensivo tão promissor.
Só que futebol não se ganha apenas com atacantes.
Defesa ainda precisa de mais um nome
Um dos setores que ainda gera preocupação é a zaga.
É verdade que o Real Madrid trouxe Ibrahima Konaté sem custos após o fim de seu contrato com o Liverpool, mas dificilmente o francês pode ser tratado como a solução definitiva para o setor.
A última temporada do defensor na Inglaterra ficou muito abaixo das expectativas. Além das atuações irregulares, Konaté perdeu espaço até mesmo na seleção francesa durante a Copa do Mundo de 2026, aumentando as dúvidas sobre sua capacidade de assumir imediatamente o protagonismo em um clube do tamanho do Real Madrid.
Sua contratação parece muito mais uma oportunidade de mercado do que a chegada de um zagueiro incontestável.
Ao mesmo tempo, o elenco perdeu profundidade.
A saída de David Alaba reduz as opções para Mourinho, Éder Militão continua convivendo com problemas físicos e já não inspira a mesma confiança de temporadas anteriores, enquanto Raúl Asencio também está de saída do clube.
Na prática, o treinador português conta atualmente com Antonio Rüdiger, Dean Huijsen e Konaté como principais opções para a posição. É um número considerado baixo para uma equipe que disputará La Liga, Champions League, Copa do Rei e Mundial de Clubes.
Além da quantidade, existe uma questão de perfil.
Historicamente, Mourinho gosta de trabalhar com zagueiros experientes, fortes no jogo aéreo, intensos nos duelos físicos e com grande capacidade de liderança. Ter apenas três jogadores para a posição representa um risco enorme ao longo de uma temporada tão desgastante.
Por isso, a chegada de mais um defensor de alto nível faz bastante sentido.
Entre os nomes especulados, Nico Schlotterbeck aparece como uma opção interessante pela imposição física e qualidade na saída de bola. Já Alessandro Bastoni reúne características semelhantes, acrescentando ainda uma excelente leitura defensiva e experiência em alto nível.
Maior problema continua sendo o meio-campo
Se existe uma posição que acompanha o Real Madrid como uma dor de cabeça desde 2024, ela atende pelo nome de volante organizador.
Desde a saída de Toni Kroos, o clube nunca conseguiu encontrar um jogador capaz de controlar o ritmo das partidas com a mesma naturalidade do alemão.
O elenco possui nomes de enorme qualidade. Jude Bellingham é decisivo, Federico Valverde entrega intensidade praticamente inesgotável, Eduardo Camavinga oferece versatilidade e Aurélien Tchouaméni protege muito bem a defesa.
O problema é que nenhum deles exerce naturalmente a função de maestro.
Nas partidas mais complicadas da última temporada, ficou evidente que o Real Madrid teve dificuldades para controlar a posse de bola, administrar a velocidade do jogo e construir ataques com paciência. Em diversos momentos, a equipe ficou dependente do talento individual de seus atacantes para resolver situações que poderiam ser solucionadas coletivamente.
A contratação de Bernardo Silva amplia as opções do setor e adiciona criatividade, mas o português possui características completamente diferentes daquelas que Mourinho procura para atuar como primeiro volante em seu tradicional esquema com dois homens no meio-campo.
Além disso, a saída de Dani Ceballos abriu espaço no elenco para mais uma contratação, enquanto a situação de Thiago Pitarch segue indefinida.
Rodri continua sendo o sonho
Há muito tempo existe um nome considerado perfeito para preencher essa lacuna: Rodri.
O volante do Manchester City reúne exatamente as características que faltam ao atual elenco merengue. Inteligente, dominante na construção das jogadas, seguro defensivamente e extremamente regular, ele seria o responsável por devolver equilíbrio ao meio-campo do Real Madrid.
O problema é que a negociação ficou cada vez mais complicada.
Além da demora da diretoria em avançar nas conversas, surgiram informações de que o Barcelona também entrou na disputa e passou a ser um destino bastante atrativo para o espanhol.
Caso Florentino Pérez realmente desista da contratação ou não apresente uma alternativa com características semelhantes, Mourinho corre o risco de iniciar mais uma temporada convivendo exatamente com a deficiência que impediu o Real Madrid de dominar os grandes jogos recentemente.
Janela ainda está longe de terminar
A contratação de Yan Diomande certamente será lembrada como o grande movimento do Real Madrid nesta janela. O clube garantiu uma das maiores promessas do futebol mundial e aumentou ainda mais o poder ofensivo de um elenco que já conta com Vinicius Junior e Kylian Mbappé.
No entanto, montar um time campeão vai muito além de reunir estrelas no ataque. Mourinho precisa de uma defesa mais profunda para suportar o calendário e, principalmente, de um meio-campista capaz de assumir o papel de organizador que ficou vazio desde a despedida de Toni Kroos.
Se essas duas lacunas forem preenchidas antes do fechamento da janela, o Real Madrid terá argumentos suficientes para voltar a disputar todos os títulos. Caso contrário, existe o risco de repetir um roteiro conhecido: um ataque brilhante, mas uma equipe que ainda sofre para encontrar equilíbrio quando enfrenta os maiores desafios da temporada.
Foto: Divulgação/Real Madrid


