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Orlando Magic paga o preço do colapso e entra em offseason sem margem para erro

A eliminação do Orlando Magic para o Detroit Pistons ainda dói e não é pouco. Cair em sete jogos já seria frustrante por si só, mas depois de abrir 3 a 1 na série? Aí vira trauma de franquia, uma mancha na história. E foi exatamente isso que aconteceu. Pelo terceiro ano consecutivo, o time da Flórida deu adeus aos playoffs ainda na primeira rodada. Dessa vez, com um roteiro digno de pesadelo.

O ponto mais simbólico (ou trágico) veio no Jogo 6. O Magic abriu 24 pontos no primeiro tempo, foi para o intervalo com 22 de vantagem… e simplesmente apagou. Foram 23 arremessos consecutivos errados e uma sequência de 35 a 5 para os Pistons. Não é exagero dizer que ali acabou a série e talvez o ciclo.

A resposta da franquia foi imediata: Jamahl Mosley demitido. Após cinco temporadas, com duas ausências nos playoffs e três eliminações precoces, a diretoria decidiu mudar a rota. E, convenhamos, fazia sentido. O time até evoluiu em alguns aspectos, mas claramente bateu no teto.

Agora começa a parte mais difícil: reconstruir sem ter muito espaço para mexer.

Folha pesada e poucas saídas no Magic: o desafio do elenco

Magic NBA.
FOTO: Nathan Ray Seebeck/Imagn Images

 

O Orlando Magic entra na offseason praticamente engessado financeiramente. A equipe está acima do teto salarial e perigosamente próxima do chamado “second apron”, uma espécie de limite que trava ainda mais as possibilidades de movimentação no mercado.

Hoje, o elenco tem 12 jogadores sob contrato e salários bem concentrados. Franz Wagner (US$ 41,8 milhões), Paolo Banchero (US$ 41,3 milhões), Desmond Bane (US$ 39,4 milhões) e Jalen Suggs (US$ 32,4 milhões) formam um núcleo caro e, até aqui, insuficiente para dar o salto competitivo esperado.

Até mesmo nomes de apoio pesam. Wendell Carter Jr., por exemplo, vai receber mais de US$ 18 milhões. Não é um contrato absurdo, mas também não é fácil de encaixar em trocas.

Uma possível válvula de escape seria Jonathan Isaac. Seu contrato de US$ 14,5 milhões é parcialmente garantido (US$ 8 milhões), o que abre margem para corte e algum alívio financeiro. Não resolve tudo, mas já ajuda a respirar.

Entre os agentes livres, a tendência é de poucas renovações. Moritz Wagner e Jett Howard devem sair, enquanto Jamal Cain deve continuar, até porque sua opção de equipe é barata e ele correspondeu bem nos playoffs.

Ou seja: o elenco do Orlando Magic deve mudar pouco. E isso, considerando o desempenho recente, não é exatamente uma boa notícia.

Draft quase inexistente e aposta no desenvolvimento interno

Se o mercado já é complicado por causa da folha, o draft também não oferece grandes esperanças. O Magic simplesmente hipotecou boa parte do futuro para trazer Desmond Bane, foram quatro escolhas de primeira rodada enviadas, além de jogadores úteis na rotação.

Resultado? Em 2026, Orlando terá apenas a escolha de segunda rodada (nº 46). É praticamente um tiro no escuro. Claro, sempre existe a chance de garimpar um talento escondido, mas contar com isso como solução seria otimista demais, algo até impossivel de colocar no papel.

Sem picks relevantes, o foco inevitavelmente volta para dentro de casa. E aí entra um dos poucos pontos positivos da temporada: a evolução de Anthony Black.

O jovem armador deu um salto interessante, com médias de 15 pontos, 3,8 rebotes e 3,7 assistências. O aproveitamento de três pontos (33,3%) ainda é inconsistente, mas já mostrou no passado que pode render mais. Se conseguir se aproximar dos quase 40% da temporada de estreia, vira peça-chave nesse quebra-cabeça ofensivo.

O grande problema do Magic: arremesso (de novo)

Se existe um diagnóstico claro para o Orlando Magic, ele atende por um nome: falta de chute. E não é de hoje.

Mesmo com a chegada de Desmond Bane, um dos melhores arremessadores da liga, o time terminou a temporada apenas como o 27º em aproveitamento de três pontos (34,3%). Pior: foi só o 22º em volume de tentativas.

Ou seja, além de não converter bem, também não chutam o suficiente. A combinação é péssima, estão nem arriscando.

E o problema não está só no entorno. Os principais nomes também deixam a desejar nesse aspecto. Fran Wagner, Suggs, Banchero (principalmente) e Carter têm aproveitamentos que variam entre 30% e 34%. Em uma NBA cada vez mais dependente do perímetro, isso pesa bastante, a realidade grita isso.

A ideia de trazer Bane era justamente corrigir essa deficiência. Ele até fez sua parte (39,1% nas bolas de três), mas claramente não foi suficiente para mudar o patamar coletivo.

E agora, Orlando Magic?

O cenário é simples de entender, mas difícil de executar: o Magic precisa melhorar sem poder gastar.

Existem basicamente dois caminhos. O primeiro é tentar uma troca de impacto, envolvendo um dos contratos grandes, já andam falando sobre Jalen Suggs no mercado, por se tratar de uma peça interessante, e longe da dupla principal, que se trata de Franz e Paolo. Mas isso exige mercado, timing e, muitas vezes, abrir mão de valor, algo que a franquia já fez recentemente.

O segundo caminho é mais “pé no chão”: ajustes pontuais, desenvolvimento interno e torcer para que o encaixe finalmente aconteça. Não é o plano mais empolgante do mundo, mas talvez seja o mais realista.

De qualquer forma, uma coisa é certa: depois de três eliminações seguidas na primeira rodada e uma delas após abrir 3 a 1, não dá mais para empurrar com a barriga.

O Orlando Magic entra na offseason pressionado, limitado e com decisões importantes pela frente. Se errar de novo, o risco não é só mais uma eliminação precoce. É ver um projeto inteiro começar a desmoronar.

Foto: Rick Osentoski-Imagn Images