Chelsea joão Pedro
Futebol Premier League

Chelsea chega ao “fundo do poço” e precisa se reencontrar: erros no comando e falta de liderança explicam crise

Se alguém ainda tinha dúvida, a derrota para o Nottingham Forest escancarou de vez: o Chelsea vive uma das fases mais confusas dos últimos anos. E não é exagero chamar de crise pesada. O próprio Jamie Carragher definiu como “um clube quebrado”. Forte? Sim. Mas difícil discordar.

O problema não é só perder jogo, acontece. A questão é como o time perde, como se comporta em campo e, principalmente, como parece completamente perdido desde a saída de Enzo Maresca no fim do ano passado. A sensação atual é simples: o Chelsea virou um time sem identidade.

A saída de Maresca que ninguém soube explicar

Vamos começar pelo ponto central dessa história. Maresca não era só mais um treinador. Ele foi o cara que colocou o Chelsea de volta no mapa competitivo, levando o time à UEFA Champions League e ainda conquistando dois títulos logo na primeira temporada.

Só que, nos bastidores, o clima azedou. Problemas internos, desgaste em relações pessoais e, no fim das contas, uma saída que, naquele momento, pareceu “ok” para a diretoria. A lógica era clara: “temos estrutura, qualquer técnico encaixa”.

Spoiler: não encaixou.

A aposta em Liam Rosenior foi arriscada desde o início. Um treinador sem experiência na Premier League para comandar um elenco jovem e em reconstrução? Já parecia receita para instabilidade. E foi.

Depois, a solução encontrada foi ainda mais improvisada: Calum McFarlane como interino. Mais um nome sem bagagem suficiente para segurar um vestiário que claramente precisava de liderança.

Resultado: queda livre.

Chelsea e os números que assustam (e explicam)

Desde fevereiro, o Chelsea é simplesmente o pior time da Premier League em termos de desempenho. Sim, pior que muito time que briga contra o rebaixamento.

Foram apenas duas vitórias e dois empates nesse período. E detalhe importante: os únicos triunfos vieram contra Wolverhampton Wanderers e Aston Villa — ambos já rebaixados no cenário apresentado.

No total da temporada, já são 13 derrotas. Mais do que equipes recém-promovidas como Leeds United e Sunderland.

Não é só fase ruim. É desorganização estrutural.

Elenco bom, mas sem alma

E aqui entra um ponto interessante: o Chelsea não é um time ruim no papel. Muito pelo contrário. Tem jogadores talentosos, alguns até com status de elite.

Mas futebol não é só talento. Falta liderança. Falta alguém que organize, que cobre, que bata na mesa quando necessário.

A saída de Maresca parece ter deixado um vazio não só tático, mas emocional. Os jogadores claramente não absorveram a mudança. O time joga como quem ainda está tentando entender o que fazer dentro de campo.

E isso, no nível da Premier League, custa caro.

O erro de achar que “já chegou lá”

Outro ponto curioso e até um pouco irônico é o impacto do título da Copa do Mundo de Clubes. A conquista deu a sensação de missão cumprida, como se o projeto estivesse validado. Só que futebol não funciona assim.

A diretoria manteve a mesma linha de decisões, acreditando que o caminho estava certo independentemente das mudanças no comando. Quando Maresca saiu, a ideia foi simples: “entra outro e segue o jogo”.

Mas técnico não é peça substituível tão facilmente, principalmente quando existe identificação com o elenco.

O que o Chelsea precisa fazer agora?

A boa notícia (se é que dá pra falar em boa notícia) é que ainda existe solução. O próprio mercado mostra que o Chelsea continua sendo um clube atrativo. Treinadores de peso ainda olham para Stamford Bridge com interesse.

Nomes como Andoni Iraola, Xabi Alonso e Cesc Fàbregas aparecem como possibilidades, cada um com suas dificuldades de negociação.

Mas mais importante do que o nome é o perfil: o Chelsea precisa de alguém com experiência na Premier League, que saiba lidar com pressão e, principalmente, que consiga controlar o vestiário. Alguém que chegue dizendo: “quem manda aqui sou eu”.

Liderança dentro de campo também é urgente

Não adianta só trocar o treinador. O elenco precisa de jogadores mais experientes, que tragam equilíbrio e personalidade.

Um exemplo citado é Jordan Henderson. Mesmo sem ser titular absoluto, sua presença já mudaria o ambiente. É o tipo de jogador que cobra, organiza e dá o tom do time.

Hoje, o Chelsea parece um grupo talentoso… mas sem voz.

Torcida irritada e clima pesado

Como se não bastasse o desempenho em campo, a relação com a torcida também anda estremecida. Um episódio recente envolvendo Roberto De Zerbi irritou os fãs.

O treinador recebeu tratamento VIP em Stamford Bridge algo que, em outro contexto, passaria batido. Mas, na atual fase, virou mais um motivo para críticas.

A leitura do torcedor é simples: enquanto o time afunda, o clube parece desconectado da realidade.

Apesar de tudo, o cenário não é irreversível. O Chelsea ainda tem estrutura, elenco e poder financeiro para reagir rápido. Mas precisa acertar agora.

Um treinador certo, contratações mais experientes e uma mudança de mentalidade podem recolocar o clube nos trilhos. Porque, no futebol, a diferença entre crise e recuperação às vezes é só uma decisão bem tomada. O problema é que, até aqui, o Chelsea tem errado mais do que acertado.

Foto: Getty Images Sport