O Cruzeiro chega pressionado, é verdade, afinal, clássico perdido nunca passa batido. Mas, no meio desse cenário, aparece uma daquelas oportunidades que podem mudar completamente o rumo de uma campanha. E não é exagero: a rodada da Libertadores colocou a equipe mineira diante de um cenário quase perfeito para dar um salto importante rumo à classificação.
Depois da derrota no clássico contra o Atlético Mineiro, o ambiente ficou mais pesado. Só que futebol tem dessas. Em poucos dias, o roteiro muda e o Cruzeiro pode transformar a frustração recente em combustível para dar uma resposta imediata.
O adversário da vez é a Universidad Católica, fora de casa, em um duelo que vale mais do que três pontos. Vale posicionamento, moral e, principalmente, controle do grupo D.
Grupo embolado e cenário favorável
A situação do grupo é daquelas que fazem qualquer torcedor ficar com a calculadora na mão. Universidad Católica, Boca Juniors e Cruzeiro estão empatados com seis pontos. Um equilíbrio total.
Só que um detalhe mudou o panorama: o tropeço do Boca Juniors diante do Barcelona de Guayaquil na rodada. Resultado? A porta ficou aberta.
E quando a porta abre na Libertadores, você não pode hesitar.
Se vencer fora de casa, o Cruzeiro chega aos nove pontos e assume uma posição extremamente confortável. Não garante matematicamente a vaga, claro, mas encaminha e muito a classificação para o mata-mata.
Muito mais que três pontos
Esse jogo não é só sobre tabela. É sobre resposta.
Depois do clássico, a equipe de Artur Jorge precisa mostrar que tem maturidade para reagir rápido, e também, tem de mostrar os pontos principais desse trabalho do português, porque até o momento, está meio nebulosa a passagem. Libertadores não permite muito tempo para lamentação. Quem fica preso ao resultado anterior, normalmente paga caro.
E existe um ponto importante aqui: vencer fora de casa na competição continental nunca é simples. Ainda mais contra um concorrente direto. Mas é justamente esse tipo de vitória que muda o patamar de um time dentro do grupo.
Ganhar da Universidad Católica não só coloca o Cruzeiro na frente, como também freia um rival direto e aumenta a pressão sobre Boca Juniors e companhia.
O que o Cruzeiro precisa fazer diferente?
A chave passa por equilíbrio. No clássico, o Cruzeiro teve momentos interessantes, mas faltou consistência, principalmente defensiva. Contra a Católica, isso precisa mudar.
Não dá para entrar em jogo aberto fora de casa na Libertadores sem controle. Ao mesmo tempo, também não pode ser um time passivo. É aquele jogo de inteligência: saber quando acelerar e quando esfriar.
Outro ponto fundamental é a eficiência. Em jogos grandes assim, as chances aparecem, mas não em grande quantidade. Quem aproveita melhor, leva.
E esse pode ser o detalhe que separa um empate frustrante de uma vitória que muda tudo.
Se por um lado a Raposa chega pressionada pelo resultado recente, por outro, os adversários também sentem o peso do momento. O Boca tropeçou quando não podia, a Universidad Católica sabe que joga em casa com a obrigação de se manter no topo. Ou seja: não é só o Cruzeiro que entra com responsabilidade alta.
E, em muitos casos, quando todo mundo sente pressão, quem joga com mais clareza leva vantagem.
Oportunidade pro Cruzeiro que não pode escapar
A Libertadores costuma ser cruel com quem desperdiça chances. E essa rodada parece desenhada para o Cruzeiro dar um passo à frente.
Com o grupo embolado, confronto direto e tropeço de rival, dificilmente o cenário vai se repetir de forma tão favorável mais para frente.
Por isso, mais do que jogar bem, o Cruzeiro precisa ser decisivo.
Porque, no fim das contas, é aquele tipo de jogo que, quando a campanha termina, você olha para trás e pensa: “foi ali que tudo começou a se encaminhar”.
Ou… foi ali que escapou.
Foto: Gilson Lobo/AGIF