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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: Bahrain e Arábia Saudita podem voltar para o calendário esse ano?

O cancelamento dos GPs de Bahrain e da Arábia Saudita em abril, por causa do conflito no Oriente Médio, mudou completamente o calendário da Fórmula 1 em 2026. A retirada das duas corridas deixou um intervalo de um mês sem provas e criou diversos problemas para reorganizar a segunda metade da temporada.

Oficialmente, as etapas nunca foram canceladas de forma definitiva pela Fórmula 1. A categoria apenas confirmou que elas não aconteceriam em abril. O objetivo segue sendo remarcar pelo menos uma das duas corridas ainda nesta temporada, algo que depende diretamente da evolução do conflito no Oriente Médio.

Os promotores das corridas também demonstram interesse em recuperar os eventos. O CEO da Liberty Media, Derek Chang, afirmou recentemente que a direção da Fórmula 1 está “trabalhando dia e noite” para tentar salvar ao menos uma das provas.

Segundo Chang, existe a possibilidade de remarcar uma corrida no fim da temporada. No cenário mais otimista, Bahrain ou Arábia Saudita poderiam retornar ao calendário utilizando o espaço livre entre os GPs de Baku e Singapura, em setembro.

Neste momento, essa é considerada a alternativa mais realista porque não exigiria grandes mudanças no calendário atual. Mesmo assim, a solução criaria três sequências consecutivas de “triple headers” no fim do ano, aumentando ainda mais a carga logística para as equipes.

A complicação de tentar recuperar as duas corridas

A situação se torna mais difícil caso a Fórmula 1 tente recuperar as duas provas canceladas. A partir do fim de outubro, a categoria inicia a fase de corridas nas Américas, o que praticamente elimina espaço no calendário de novembro.

Uma solução seria adicionar uma prova extra no fim da temporada, quando a Fórmula 1 já retorna ao Oriente Médio. Porém, isso também traria diversos problemas. Por contrato, o GP de Abu Dhabi precisa permanecer como última corrida do campeonato.

Isso obrigaria a Fórmula 1 a adiar o encerramento da temporada em uma semana, aproximando ainda mais o calendário do período de Natal. Além disso, após a corrida em Yas Marina, as equipes já possuem uma programação para permanecer no Oriente Médio por vários dias para testes da Pirelli voltados ao desenvolvimento dos pneus de 2027.

A mudança também criaria uma sequência inédita de quatro corridas consecutivas ao lado de Las Vegas e Qatar, tornando o encerramento da temporada ainda mais cansativo para as equipes. Vários integrantes das equipes não participam de sistemas de rotação e precisam comparecer a todas as etapas do campeonato.

Apesar das dificuldades, o retorno financeiro das corridas ainda representa um incentivo importante para a Fórmula 1 e para as próprias equipes.

Questões logísticas preocupam equipes da Fórmula 1

Além do calendário, a Fórmula 1 enfrenta sérios problemas de organização logística. Por causa do conflito, equipes e a própria Pirelli ainda possuem equipamentos presos em Bahrain, onde os testes de pré-temporada foram realizados.

O Oriente Médio funciona como um dos principais centros logísticos da Fórmula 1. Grande parte do material utilizado nas corridas asiáticas passa por cidades como Dubai e Doha antes de seguir para os destinos das etapas internacionais. 

Entre as provas restantes da temporada, Singapura é vista como uma das etapas mais difíceis de administrar em termos de transporte de carga e deslocamento de pessoal. A incerteza sobre o conflito pode obrigar as equipes a reorganizarem completamente seus planos de viagem e transporte.

Outro problema importante envolve os custos. Pelas regras da Fórmula 1, gastos com hotéis, voos, táxis e ônibus ligados aos funcionários não entram no limite orçamentário.

Por outro lado, os custos de transporte de equipamentos contam diretamente dentro do teto financeiro das equipes. O chefe de engenharia da Haas, Hoagy Nidd, afirmou que os custos de frete aumentaram bastante por causa da situação atual.

Segundo ele, o impacto é ainda maior para equipes menores, já que o transporte representa uma parte mais significativa do orçamento.

Equipes também enfrentam desgaste humano

Além das dificuldades técnicas e financeiras, a Fórmula 1 também enfrenta uma preocupação humana. As equipes maiores possuem mais funcionários e conseguem organizar sistemas de rotação com maior frequência.

Já as equipes menores possuem menos recursos e têm mais dificuldade para substituir integrantes ao longo da temporada. A adição de mais uma corrida aumentaria ainda mais o desgaste físico e emocional dos profissionais e nem todos os cargos podem trabalhar em sistema de rodízio.

Funções como engenheiros de corrida, engenheiros especialistas, diretores esportivos e responsáveis pelas operações de pista precisam estar presentes em todas as etapas. Caso uma nova corrida seja adicionada, a segunda metade da temporada passaria a contar com 12 provas em apenas 16 semanas.

Para vários profissionais da Fórmula 1, isso significaria ficar longe de casa por quase quatro meses seguidos. O cenário é considerado extremamente pesado tanto do ponto de vista técnico quanto emocional, especialmente na reta final do campeonato. 

Foto: (Fórmula 1)