Wrexham: Além de Hollywood, o que mais há?
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Wrexham: Além de Hollywood, o que estão construindo de verdade?

O sucesso do Wrexham virou uma das narrativas mais conhecidas do futebol mundial graças à série documental, aos donos, às celebridades Ryan Reynolds e Rob McElhenney e às promoções consecutivas. No entanto, focar apenas no time masculino e no glamour hollywoodiano esconde o que realmente importa: o clube está construindo algo mais profundo, sustentável e estruturado para durar além do hype.

Fundado em 1864, o Wrexham é o terceiro clube profissional mais antigo do mundo e o mais antigo do País de Gales. A visibilidade global trouxe torcedores da Noruega, de Dubai, da Islândia e da Austrália, mas as decisões nos bastidores mostram ambição de longo prazo em áreas que poucos notam: time feminino, base e infraestrutura.

O investimento no futebol feminino

Quando Reynolds e McElhenney assumiram em 2021, prometeram crescimento também no time feminino. O progresso foi constante. Em 2023, um recorde de público feminino no País de Gales (9.511 pessoas) viu o Wrexham conquistar o título da Adran North. Pouco depois, o clube garantiu licença para a primeira divisão e, no verão, ofereceu os primeiros contratos semi-profissionais da história do time.

Em 2024, o Wrexham recebeu licença UEFA, abrindo caminho para competições europeias. No mês passado, o time venceu o Cardiff City e conquistou o título da Adran Premier, garantindo vaga na fase de qualificação da Champions League feminina. É um feito impressionante para um clube que precisou ser refundado em 2018 após falência.

A compra do estádio The Rock como casa permanente do time feminino em agosto de 2025 reforça o compromisso. Enquanto muitos clubes tratam o futebol feminino como apêndice, o Wrexham investe em estrutura própria, visibilidade internacional e patrocínios (incluindo a marca de bebidas de Blake Lively). O time feminino não é marketing. É parte central do projeto.

A base como pilar do futuro

Promissões geram manchetes, mas academias definem a sustentabilidade. O Wrexham tem tradição em revelar talentos locais, como Max Cleworth, que foi o jogador com mais minutos nesta temporada. No entanto, anos de instabilidade financeira fizeram o clube perder joias como Harry Wilson e Neco Williams, que foram para o Liverpool.

O retorno à EFL em 2023 permitiu reconstruir a base sob o Elite Player Performance Plan, conquistando status de categoria 3 e expandindo das categorias de base até o sub-21. O time feminino também recebeu licença da federação galesa para desenvolvimento de meninas.

Gus Williams, nomeado diretor da academia em outubro, destaca o compromisso dos donos: “Eles veem a academia com alto respeito e altas expectativas”. O clube planeja investir milhões em um novo centro de treinamento em parceria com a Darland High School, incluindo campos e espaços educacionais.

Essa visão de longo prazo é fundamental. Promoções podem vir e ir, mas uma base forte garante reposição de talentos e identidade local, reduzindo a dependência de contratações caras.

Infraestrutura e visão além do imediato

O Wrexham não para no campo. Investimentos em instalações, patrocínios globais e expansão comercial evidenciam planejamento estratégico. O estádio Racecourse Ground está sendo modernizado, com nova arquibancada em construção. O clube entende que o hype hollywoodiano vai diminuir um dia. Quando isso acontecer, o que resta é estrutura sólida.

Phil Parkinson, técnico do time masculino, resumiu bem: “Há muito mais por vir do clube. Nova arquibancada, academia mais forte, time feminino brilhando… há muito pelo que os torcedores se animarem”.

O que realmente importa no longo prazo

O Wrexham pode ter começado como uma história de Hollywood, mas está se transformando em algo maior. O time masculino pode ter perdido os playoffs da Championship por pouco (7º lugar, melhor campanha da história recente), mas o projeto vai além de uma temporada.

Investir em mulheres, base e infraestrutura não gera cliques imediatos, mas constrói um clube resiliente. Muitos times sobem rápido e caem mais rápido ainda. O Wrexham parece entender que o sucesso sustentável exige paciência, visão e dinheiro bem aplicado.

Reynolds e McElhenney trouxeram os holofotes. Agora, cabe ao clube transformar essa atenção em legado duradouro. Se continuarem no caminho atual, o Wrexham pode deixar de ser “o time do documentário” para se tornar uma potência regional sólida, com times masculino e feminino competitivos e uma base que forma talentos locais.

O conto de fadas hollywoodiano chamou a atenção do mundo. O trabalho silencioso nos bastidores pode manter o clube vivo por décadas.

Foto: Wrexham FC.