O São Bernardo é, até aqui, a principal surpresa da Série B. Líder da competição, o Bernô chegou à quarta vitória consecutiva ao bater o Londrina por 3 a 1, fora de casa, na última terça-feira (13), e consolidou de vez seu excelente início de campeonato.
A campanha chama atenção não apenas pelos resultados, mas também pela maneira como o time joga. Sob comando de Ricardo Catalá, o São Bernardo se apoia em intensidade, compactação e um sistema ofensivo extremamente coletivo para sustentar o melhor ataque da Série B até o momento.
Os destaques individuais do Bernô

Apesar de possuir o elenco mais envelhecido da Série B, com média de 30,5 anos, o São Bernardo mostra que experiência não necessariamente significa lentidão ou desgaste físico. Curiosamente, os principais nomes da campanha sequer ultrapassam os 30 anos.
No início da temporada, o clube chamou atenção ao contratar jogadores rodados como Lucas Fernandes, Hyoran, Marcão e Jemerson. Só que, na prática, quem assumiu o protagonismo foram nomes menos badalados como Dudu Miraíma, Pedro Vitor, Romisson e Echaporã.
Entre eles, Romisson talvez seja o jogador de maior confiança de Catalá. O volante é um dos atletas mais utilizados da equipe em 2026, empatado com o lateral Pará em número de partidas. Contra o Londrina, foi dele a assistência para o gol de Daniel Amorim.
Já Dudu Miraíma vive grande fase ofensiva. Autor de dois gols na última rodada, o meia também lidera o elenco em criação de grandes chances, funcionando como o principal articulador técnico da equipe.
Pelos lados, Pedro Vitor é outro nome decisivo. O ponta soma três participações em gols na Série B — duas assistências e um gol — e se destaca pela velocidade, capacidade no um contra um e intensidade sem a bola. Sua parceria com Echaporã tem sido uma das armas ofensivas do Bernô. Juntos, os dois acumulam cinco participações diretas em gols e dão profundidade ao sistema ofensivo de Catalá.
Ofensivamente, como joga o São Bernardo?
O São Bernardo atua majoritariamente em um 4-3-3 ofensivo, embora Catalá alterne em alguns momentos para o 4-2-3-1. Independentemente da formação, a principal característica da equipe é a compactação.
O time encurta muito os espaços entre defesa, meio-campo e ataque, o que facilita as transições rápidas e permite que o bloco avance de maneira coordenada. É justamente nessa dinâmica coletiva que o Bernô consegue acelerar os jogos e criar superioridade ofensiva.
O principal organizador do sistema é Foguinho. O camisa 8 atua centralizado e funciona como o termômetro da equipe na circulação da bola. No 4-3-3, ele joga mais avançado ao lado de Dudu Miraíma, enquanto Romisson fica responsável pela sustentação mais recuada.
Quando o esquema vira um 4-2-3-1, Foguinho e Romisson passam a atuar lado a lado, liberando Dudu Miraíma para se aproximar de Daniel Amorim.
E Daniel Amorim exerce função fundamental no modelo de jogo. Aos 36 anos e com 1,91m de altura, o centroavante funciona como referência física, sustentando pivôs e retenções de bola que aceleram as infiltrações dos pontas rápidos.
Nesse contexto, Echaporã talvez seja a peça mais inteligente do ataque. O ex-Atlético Mineiro explora constantemente as costas da defesa adversária e aparece muitas vezes como o jogador mais avançado da equipe nas transições. Além disso, também é alvo frequente dos lançamentos longos do zagueiro Augusto, responsável pelas inversões e bolas esticadas que quebram linhas defensivas.
E sem a bola?
Sem a posse, o São Bernardo mantém agressividade alta na marcação. O time pressiona a saída adversária e aposta muito na recomposição rápida dos laterais Pará e Rodrigo Ferreira.
Romisson frequentemente recua para formar quase uma linha de três defensores, ajudando na cobertura e protegendo os espaços centrais.
Outro aspecto interessante está na participação dos pontas sem a bola. Pedro Vitor e Echaporã são os responsáveis pelo primeiro combate na pressão alta, iniciando a marcação ainda no campo ofensivo.
Não por acaso, Pedro Vitor também aparece entre os líderes da equipe em desarmes por partida, refletindo o nível de intensidade exigido por Catalá.
São Bernardo na temporada
O São Bernardo FC volta a campo no próximo sábado (16), às 16h, quando recebe o América Mineiro, no Estádio Primeiro de Maio, pela nona rodada da Série B.
Será mais uma oportunidade para o time de Ricardo Catalá provar que a liderança não é obra do acaso — e que o sonho do acesso pode, sim, virar realidade.
Créditos da foto de capa: Anderson Romão/AGIF