Oscar Piastri e Sergio Perez destacaram as barreiras significativas que pilotos de fora da Europa enfrentam para chegar à Fórmula 1. Tanto o piloto da McLaren quanto o da Cadillac afirmaram que, na visão deles, o maior desafio não está em alcançar sucesso dentro da categoria, mas sim em conseguir chegar até ela.
Os dois foram questionados sobre as dificuldades enfrentadas por pilotos que não nasceram na Europa. O canadense Jacques Villeneuve foi o último campeão mundial de Fórmula 1 fora do continente europeu, conquistando o título em 1997.
Atualmente, dos 22 pilotos presentes no grid da Fórmula 1, apenas sete são de fora da Europa. Isso representa menos de um terço do grid de 2026 e evidencia as dificuldades enfrentadas por competidores nascidos em outros continentes.
Perez explicou que a trajetória até a Fórmula 1 tende a ser mais simples para pilotos europeus justamente pela estrutura do automobilismo estar concentrada na Europa. Segundo ele, quem nasce fora do continente precisa tomar decisões difíceis desde muito cedo para tentar construir uma carreira no esporte.
Mudança precoce para a Europa pesa na carreira
“Bem, eu acho que a preparação para a Fórmula 1 é definitivamente mais fácil para um piloto europeu porque eles estão baseados na Europa”, afirmou Perez em conversa com a imprensa, incluindo o RacingNews365.
O mexicano lembrou que pilotos de fora precisam deixar seus países ainda jovens para perseguir o sonho de competir na principal categoria do automobilismo mundial. Além disso, existem outros fatores envolvidos nessa mudança precoce. “Estando fora da Europa, você é quem precisa vir para cá em uma idade muito jovem, e existem outras questões envolvidas nisso”, declarou.
Perez mudou-se para a Europa ainda adolescente para tentar desenvolver sua carreira nas categorias de base do automobilismo. Para ele, essa etapa inicial é o principal obstáculo para pilotos não europeus. O piloto da Cadillac acredita que, depois que um competidor consegue alcançar a Fórmula 1, as oportunidades passam a ser mais equilibradas para todos os pilotos, independentemente de sua nacionalidade ou origem.
Segundo Perez, o sucesso dentro da categoria depende muito mais das circunstâncias da carreira, do momento vivido por cada equipe e das oportunidades certas surgirem no tempo adequado.
Sucesso na Fórmula 1 depende do momento certo
“E então, quando você chega à Fórmula 1, sinto que todos têm as mesmas oportunidades. E, como vocês sabem, na Fórmula 1 depende muito de como as coisas acontecem e do momento em que você está na sua carreira com a sua equipe; se você estiver no lugar certo, na hora certa, então será muito bem-sucedido”, acrescentou Perez.
O mexicano também ressaltou que a categoria já teve pilotos muito bem-sucedidos vindos de fora da Europa. Por isso, na opinião dele, a principal diferença realmente está no caminho até chegar à Fórmula 1. “Eu acho que tivemos pilotos muito bem-sucedidos que não eram europeus no esporte, então acredito que a principal diferença seja a preparação até a Fórmula 1”, afirmou.
Piastri compartilhou da mesma opinião do colega. O australiano também precisou se mudar para a Europa durante sua trajetória nas categorias de base para conseguir continuar evoluindo no automobilismo. “Sim, as mesmas coisas”, disse o vencedor de nove grandes prêmios. “A preparação para a F1, mudar-se para a Europa quando criança, provavelmente é o maior desafio.” concluiu o piloto australiano.
O piloto de 25 anos esteve perto de conquistar seu primeiro campeonato mundial de pilotos na temporada passada e reconheceu as dificuldades extras enfrentadas por quem nasce longe do principal centro do esporte.
Representar o próprio país também traz vantagens
Apesar dos desafios, Piastri afirmou que pilotos não europeus podem encontrar alguns aspectos positivos depois de chegarem à Fórmula 1. Um dos pontos mencionados por ele foi o fato de representar praticamente sozinho o próprio país dentro do grid.
“Eu acho que, quando você chega aqui, de certa forma você tem algumas coisas únicas, eu e Checo [Sergio Perez], por exemplo, sendo os únicos dos nossos países no grid. Existem obviamente aspectos positivos que vêm disso”, explicou Piastri.
O australiano destacou que essa representatividade nacional pode trazer benefícios em termos de imagem e reconhecimento, embora isso não elimine as dificuldades enfrentadas antes da chegada à categoria.
Mesmo assim, ele reforçou que o período anterior à Fórmula 1 continua sendo mais complicado para pilotos que vêm de fora da Europa. “Mas definitivamente a preparação para chegar à F1 é um pouco mais desafiadora. Existem algumas decisões difíceis a mais para tomar. Mas, quando você chega lá, o desafio é o mesmo para todos: estar no lugar certo, na hora certa, e tentar mostrar que você é o melhor”, concluiu.
Foto: (Fórmula 1)