A divulgação oficial da tabela da temporada 2026 da NFL sempre provoca debates instantâneos sobre quem saiu favorecido e quem terá um caminho tortuoso até os playoffs. Embora muitos torcedores enxerguem apenas as datas dos jogos, a ordem dos confrontos, as viagens, os horários nobres e até os períodos de descanso costumam influenciar diretamente o desempenho das franquias ao longo do campeonato.
Neste ano, o calendário trouxe contrastes evidentes. Enquanto algumas equipes receberam sequências consideradas ideais para desenvolver ritmo ou recuperar jogadores lesionados, outras terão de sobreviver a verdadeiros corredores da morte logo nas primeiras semanas. A NFL também privilegiou determinadas franquias em termos de exposição nacional, algo que impacta desde a atmosfera nos estádios até o valor comercial das organizações.
Confira os vencedores e os perdedores da tabela da NFL em 2026:
Vencedor: Green Bay Packers e o alívio sem Micah Parsons
A principal notícia envolvendo Green Bay antes da divulgação da tabela foi a possibilidade de Micah Parsons iniciar a temporada na lista de lesionados. O astro defensivo segue em recuperação de uma ruptura no ligamento cruzado anterior e pode perder pelo menos os quatro primeiros jogos do ano. Ainda assim, os Packers receberam um cenário quase perfeito para sobreviver sem sua principal referência defensiva.
Os quatro primeiros adversários da franquia ficaram fora dos playoffs em 2025, e quase todos chegam cercados por dúvidas no comando ofensivo. A estreia será contra o Minnesota Vikings, que ainda não possui clareza sobre quem será o quarterback titular entre Kyler Murray e J.J. McCarthy. Depois disso, Green Bay encara o New York Jets, equipe que terminou a última temporada com uma das campanhas defensivas mais decepcionantes da NFL.
Na sequência, os Packers recebem o Atlanta Falcons em horário nobre antes de visitar o Tampa Bay Buccaneers. Nenhum desses ataques entra em 2026 transmitindo segurança absoluta, principalmente após temporadas irregulares de Tua Tagovailoa e Baker Mayfield.
O detalhe mais importante é o encaixe temporal. Parsons poderá retornar justamente quando Green Bay iniciará uma sequência mais pesada, com Chicago Bears, Dallas Cowboys, Detroit Lions e New England Patriots. Se os Packers abrirem a temporada com campanha de 3-1 ou até 4-0, a equipe ganhará embalo exatamente no momento em que seu melhor defensor estiver novamente disponível.
Perdedor: New England Patriots e um início assustador
Vice-campeão do Super Bowl e representante da AFC em 2025, o New England Patriots certamente esperava um tratamento menos cruel por parte da NFL. A equipe comandada por Drake Maye terá um dos inícios mais difíceis dos últimos anos na liga. Os Patriots serão a primeira franquia desde o Miami Dolphins de 2019 a abrir a temporada enfrentando três campeões de divisão consecutivos da temporada anterior.
O primeiro compromisso já será um enorme teste emocional: visita ao Seattle Seahawks na reedição do Super Bowl. Depois, New England recebe o Pittsburgh Steelers antes de viajar para enfrentar o Jacksonville Jaguars. Como se não bastasse, a quarta rodada reserva um duelo fora de casa contra o Buffalo Bills. Ou seja: três jogos como visitante nas quatro primeiras semanas, todos contra equipes que venceram ao menos dez partidas em 2025.
A dificuldade não está apenas na qualidade dos adversários, mas também no desgaste físico e psicológico. Seattle possui uma das atmosferas mais hostis da NFL, Jacksonville consolidou um elenco extremamente competitivo e Buffalo estreia seu novo estádio justamente contra um rival de divisão. Para um time que chega pressionado a provar que a campanha passada não foi circunstancial, o calendário representa um enorme risco de início turbulento.
Vencedor: Seattle Seahawks e a recompensa de campeão
Os atuais campeões da NFL foram amplamente beneficiados pela montagem da tabela. Seattle terá sete jogos em horários exclusivos de transmissão nacional, sendo cinco deles em casa e em horário nobre. Isso iguala um recorde histórico da liga anteriormente pertencente ao San Diego Chargers de 2008.
A NFL claramente entende o impacto do ambiente criado no Lumen Field. A torcida dos Seahawks continua sendo uma das mais barulhentas do esporte americano, e isso ganha ainda mais peso quando combinado com uma defesa dominante como a “Dark Side”, que terminou 2025 com a menor média de pontos sofridos da NFL.
Além da abertura da temporada contra os Patriots, Seattle terá confrontos de destaque diante de Kansas City Chiefs, Chicago Bears, Dallas Cowboys e Los Angeles Rams em casa sob os holofotes nacionais.
Perdedor: Kansas City Chiefs e a sequência insana para Steve Spagnuolo
O Kansas City Chiefs já enfrentaria dificuldades naturais após perder peças importantes da secundária. Agora, o calendário elevou ainda mais o grau de dificuldade. A defesa coordenada por Steve Spagnuolo passará por um período extremamente delicado entre as semanas 12 e 17. Nesse intervalo, os Chiefs enfrentarão consecutivamente Josh Allen, Matthew Stafford, Joe Burrow, Drake Maye, Brock Purdy e Justin Herbert.
Poucas equipes da NFL encararam uma sequência tão pesada de quarterbacks em tão pouco tempo. O problema se torna ainda maior porque Kansas City chega a 2026 com muitas mudanças defensivas. Trent McDuffie e Jaylen Watson não fazem mais parte do elenco, e o time aposta no novato Mansoor Delane e em Nohl Williams para reconstruir a secundária.
Enfrentar quarterbacks desse nível já seria um enorme desafio para uma defesa consolidada. Para um grupo em reformulação, o calendário pode acelerar problemas de adaptação e expor fragilidades antes mesmo dos playoffs.
Se os Chiefs sobreviverem a esse trecho mantendo boa campanha, chegarão extremamente fortalecidos para a pós-temporada da NFL. Mas existe também a possibilidade de o desgaste comprometer completamente as ambições da equipe.
Vencedor: Tennessee Titans e a logística perfeita
Nem sempre o maior vencedor da divulgação da tabela é o time mais forte. Em 2026, talvez nenhuma equipe tenha recebido condições logísticas tão confortáveis quanto o Tennessee Titans. A franquia terá semana completa de descanso antes de todos os jogos, bye week exatamente no meio da temporada e praticamente nenhuma viagem desgastante para fusos horários distantes. Apenas um jogo será disputado fora da faixa horária central dos Estados Unidos.
Em uma NFL cada vez mais preocupada com recuperação física e controle de desgaste, isso representa uma vantagem enorme. Os Titans também evitam longas sequências de viagens e não precisarão lidar com jogos internacionais ou semanas comprimidas após o Thursday Night Football. É o tipo de detalhe que raramente vira manchete no início do ano, mas costuma aparecer como diferencial em dezembro.
Perdedor: Los Angeles Chargers e o “corredor da morte”
Se existe um trecho capaz de definir completamente uma temporada em 2026, ele pertence aos Chargers. Entre as semanas 3 e 10, Los Angeles enfrentará Buffalo Bills, Seattle Seahawks, Denver Broncos, Kansas City Chiefs, Los Angeles Rams, Houston Texans e Baltimore Ravens.
Praticamente todos esses adversários aparecem entre os favoritos ao Super Bowl. Além disso, Justin Herbert poderá encarar quatro quarterbacks que já venceram MVPs da NFL: Patrick Mahomes, Lamar Jackson, Josh Allen e Matthew Stafford.
A dificuldade não está apenas no nível técnico dos confrontos, mas na ausência de respiro. Mesmo com uma bye week no meio do caminho, os Chargers terão de sustentar intensidade máxima por quase dois meses consecutivos.
Essa sequência pode transformar a equipe em candidata séria aos playoffs caso sobreviva com saldo positivo. Porém, também existe o risco de o desgaste físico e emocional comprometer o restante da temporada ainda antes da reta decisiva.
(Foto: Jeff Hanisch-Imagn Images)