Covington
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Colby Covington se aposenta do UFC após carreira marcada por rivalidades, polêmicas e títulos que nunca vieram

Colby Covington encerrou oficialmente sua trajetória no UFC. Aos 38 anos, o americano teve seu status alterado de “ativo” para “aposentado” no site oficial da organização, colocando fim a uma das carreiras mais polêmicas e contraditórias da era moderna do MMA.

Porque, ao mesmo tempo em que Covington nunca conquistou o cinturão linear dos meio-médios, poucos lutadores conseguiram gerar tanto impacto midiático dentro do UFC nos últimos anos.

Ele foi campeão interino, protagonizou algumas das maiores rivalidades recentes da organização, disputou três vezes o cinturão e construiu um personagem extremamente controverso que dividiu fãs durante praticamente toda sua carreira.

Mas no fim das contas, a sensação que fica é de uma trajetória marcada por um paradoxo constante: Colby Covington sempre esteve muito perto do topo absoluto da divisão, mas nunca conseguiu realmente assumir esse lugar.

De promessa técnica a um dos personagens mais polêmicos do UFC

Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC via Getty Images

Antes de virar um dos maiores provocadores do MMA, Covington era visto apenas como um wrestler extremamente sólido e competitivo.

Ex-lutador universitário de wrestling, o americano chegou ao UFC em 2014 trazendo um estilo baseado em pressão constante, cardio quase infinito e grande capacidade de controlar adversários no grappling. Durante seus primeiros anos na organização, ele construiu sequência importante de vitórias, derrotando nomes relevantes como Rafael dos Anjos, Robbie Lawler, Tyron Woodley e Jorge Masvidal.

Mas o grande ponto de virada de sua carreira aconteceu fora do octógono.

Em determinado momento, Covington revelou que acreditava estar perto de ser cortado pelo UFC por não conseguir gerar interesse suficiente do público. Foi justamente aí que nasceu o personagem que transformaria completamente sua trajetória.

O americano passou a assumir postura extremamente agressiva em entrevistas, coletivas e redes sociais. Adotou discurso provocador constantemente ligado à política americana, aproximando-se publicamente de Donald Trump e construindo uma imagem totalmente ligada ao movimento MAGA.

A estratégia funcionou.

Covington rapidamente se transformou em um dos lutadores mais comentados do UFC. Mesmo sendo extremamente rejeitado por parte do público, ele passou a gerar enorme engajamento e virou presença constante em cards principais da organização.

O problema é que sua carreira começou a criar uma imagem muito específica: um lutador extremamente relevante comercialmente, mas que falhava justamente nos momentos decisivos.

As derrotas em disputas de cinturão marcaram seu legado

Foto: Chris Unger/Zuffa LLC

Dentro do octógono, Covington construiu um cartel forte e chegou ao cinturão interino da divisão dos meio-médios. Mas o título linear nunca veio.

E isso acabou marcando completamente sua trajetória.

Sua maior rivalidade aconteceu contra Kamaru Usman. Os dois protagonizaram uma das rivalidades mais intensas da história recente do UFC, misturando provocações pessoais, ataques públicos e um choque constante de personalidades.

A primeira luta entre eles, em 2019, foi considerada por muitos uma das melhores disputas de cinturão da categoria. Covington conseguiu competir em altíssimo nível contra Usman durante praticamente toda a luta, mas acabou sendo derrotado por nocaute técnico no quinto round.

A revanche aconteceu em 2021 e novamente terminou com vitória de Usman, desta vez por decisão dos juízes.

Depois disso, Covington ainda recebeu uma terceira chance de disputar o cinturão, agora contra Leon Edwards. Porém, a atuação foi bastante criticada. O americano mostrou pouca agressividade ofensiva e acabou derrotado novamente, encerrando praticamente qualquer possibilidade de voltar à disputa direta pelo título.

No fim das contas, seu retrospecto em lutas de cinturão terminou em 0-3.

E justamente isso talvez explique por que sua carreira gera análises tão divididas até hoje.

Porque tecnicamente Covington foi um dos melhores meio-médios de sua geração. Mas historicamente ele nunca conseguiu conquistar a vitória definitiva que transformaria toda sua narrativa dentro do esporte.

Últimos anos mostraram desgaste físico e perda de espaço dentro do UFC

Os últimos anos de Covington dentro do UFC já indicavam um afastamento gradual da elite da divisão.

O americano ficou bastante inativo recentemente. Desde dezembro de 2023, lutou apenas uma vez na organização e passou a demonstrar publicamente frustração com ofertas de luta e decisões do UFC.

O desgaste com a própria organização começou a ficar mais evidente nos bastidores.

Covington chegou inclusive a reclamar por não ter sido incluído no card do UFC Freedom 250, evento especial que acontecerá na Casa Branca. Para muitos, aquilo acabou funcionando como um sinal claro de que seu prestígio interno dentro da organização já não era o mesmo.

Sua última luta no UFC também simbolizou bastante esse momento.

Contra Leon Edwards, Covington entrou tentando recuperar espaço na divisão e finalmente conquistar o cinturão linear que perseguia há anos. Mas a atuação acabou sendo vista como abaixo das expectativas. O americano teve dificuldades para impor sua pressão tradicional, mostrou menor explosão física e foi derrotado de forma relativamente controlada pelo campeão.

Aquela luta deixou sensação clara de encerramento de ciclo.

Mesmo sem declarar sua aposentadoria até agora, a alteração de status feita pelo UFC praticamente confirma que sua trajetória dentro da organização chegou ao fim.

Ainda assim, Covington segue ativo em competições de wrestling e inclusive possui luta marcada contra Chris Weidman pela RAF no dia 30 de maio.

Mas dentro do UFC, sua história parece encerrada.

E ela provavelmente será lembrada de maneira muito específica: a trajetória de um lutador que conseguiu se transformar em um dos personagens mais relevantes e controversos de sua geração, mas que nunca conseguiu transformar toda essa atenção em domínio absoluto dentro do octógono.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique