Alex Pereira já fez praticamente tudo em tempo recorde dentro do MMA. Virou campeão dos médios, subiu para os meio-pesados, conquistou outro cinturão e empilhou nocautes que ajudaram a transformar “Poatan” em uma das figuras mais assustadoras do UFC atual. Só que aparentemente isso ainda não é suficiente para o brasileiro.
Agora, o próximo alvo é a divisão dos pesos-pesados.
O brasileiro se prepara para enfrentar Ciryl Gane no UFC Freedom 250, em uma luta que pode mudar completamente o rumo histórico da carreira de Alex. Afinal, caso consiga vencer um dos nomes mais técnicos da categoria, a conversa sobre “até onde Poatan pode chegar” simplesmente explode de vez.
E apesar da confiança evidente, Pereira admitiu recentemente que existe sim uma preocupação natural nessa subida de categoria: a possibilidade de perder velocidade.
O tamanho do desafio para Alex Pereira nos pesos-pesados
Durante entrevista ao MMA Junkie, Poatan comentou sobre como está sendo viver sem a pressão brutal do corte de peso. Segundo o brasileiro, a adaptação tem sido positiva até aqui.
“Tenho me alimentado bem, comendo direito. Está sendo divertido. Em termos de desempenho, me sinto exatamente igual”, explicou.
Só que existe um detalhe impossível de ignorar. Ganhar massa muscular e subir para enfrentar atletas muito maiores normalmente traz consequências físicas importantes.
“Obviamente, não é possível subir para uma categoria muito maior sem talvez perder um pouco de velocidade”, admitiu.
E aí está o ponto mais interessante dessa mudança.
Nos meio-pesados, Pereira já era um monstro fisicamente. Alto, forte, com alcance absurdo e talvez o melhor poder de nocaute da organização. Mas além disso, havia outro diferencial silencioso: ele era rápido demais para o tamanho que tinha.
Muitos adversários simplesmente não conseguiam acompanhar a explosão dos golpes. Quando percebiam, já estavam olhando para as luzes da arena tentando entender o que aconteceu. Nos pesos-pesados, porém, a realidade muda.
A força física aumenta drasticamente, os atletas absorvem mais dano e qualquer erro pode terminar em desastre imediato. Um golpe limpo na categoria mais pesada do UFC não costuma permitir segunda chance. E é justamente por isso que o duelo contra Ciryl Gane chama tanta atenção.
Ciryl Gane pode ser o teste mais complicado da carreira de Alex Pereira
Ciryl Gane talvez seja um dos adversários mais difíceis possíveis para essa estreia de Alex Pereira nos pesos-pesados. O francês não é apenas grande. Ele também se movimenta muito bem, trabalha distância de forma inteligente e possui um kickboxing extremamente refinado, fugindo bastante dos nomes comuns da divisão, se encontra numa forma física muito superior, não tem apenas o peso necesssário para estar ali.
Muita gente ainda lembra da atuação dele diante de Tom Aspinall, em uma luta marcada pela polêmica dupla dedada no olho. Antes da interrupção, Gane vinha mostrando novamente por que continua sendo considerado um dos heavyweights mais técnicos do planeta.
Isso significa que Alex Pereira não terá apenas um gigante pela frente. Terá um peso-pesado que também sabe se movimentar, trocar em pé e controlar ritmo de luta. Ainda assim, existe um fator que continua fazendo muita gente apostar no brasileiro: o medo que Poatan provoca.
Parece exagero, mas não é.
Poucos lutadores atuais possuem uma presença tão intimidadora. Desde os tempos do kickboxing, Alex Pereira construiu fama de homem capaz de apagar qualquer adversário com um único golpe. No UFC, essa reputação só cresceu.
E talvez a parte mais assustadora seja justamente o fato de ele aparentar tranquilidade absoluta em todos os momentos. Enquanto muita gente entra em guerra mental antes das lutas, Poatan parece estar indo comprar pão na esquina.
Essa calma virou marca registrada.
Alex Pereira pode entrar em território histórico no UFC
A realidade é simples: vencer Ciryl Gane mudaria completamente o tamanho histórico da carreira de Alex Pereira.
Mesmo que ele não saia imediatamente como campeão linear dos pesos-pesados, um triunfo desse nível colocaria Poatan em uma posição extremamente rara dentro do esporte. A possibilidade de conquistar títulos ou algum tipo de ouro em três categorias diferentes seria algo gigantesco para o legado do brasileiro.
E honestamente? Pouca gente imaginava isso quando ele chegou ao UFC.
Alex Pereira veio do kickboxing carregando o peso de ser o homem que derrotou Israel Adesanya, mas havia dúvidas naturais sobre sua adaptação ao MMA. Só que ele atropelou praticamente todas as etapas possíveis.
Virou campeão rapidamente, nocauteou nomes importantes e se transformou em uma das maiores estrelas globais da organização em tempo quase absurdo.
Agora, a subida para os pesos-pesados parece funcionar quase como a “fase final” de um personagem desbloqueando poderes extras.
Claro, existe risco.
A categoria dos pesados sempre foi um território perigoso justamente porque um único golpe pode redefinir tudo em segundos. E se Alex realmente perdeu velocidade, mesmo que minimamente, isso inevitavelmente será testado contra um atleta do calibre de Ciryl Gane.
Mas ao mesmo tempo, Poatan também parece mais confortável fisicamente do que nunca.
Sem cortes extremos de peso, sem sofrimento absurdo antes das lutas e aparentemente treinando com mais liberdade, o brasileiro passa a impressão de estar chegando renovado para esse desafio. E talvez esse seja o detalhe mais perigoso de todos para o restante do UFC.
Porque, olhando para a trajetória recente de Alex Pereira, já ficou claro há bastante tempo que duvidar dele normalmente termina da pior forma possível para quem está do outro lado do octógono.
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