Arbeloa - Real Madrid - La Liga
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Arbeloa deixa o Real Madrid após temporada marcada por turbulências

O futebol no Santiago Bernabéu não permite que o processo seja construído gradualmente; há a exigência de que o time esteja pronto de imediato. Depois de um grande momento de crise na temporada, Álvaro Arbeloa chegou ao Real Madrid. O ídolo do clube foi promovido do Real Madrid Castilla e chegou para acabar com a pressão que o clube vivia durante o comando de Xabi Alonso.

Apesar de ter tempo previsto de mais uma temporada de trabalho, Arbeloa não irá cumprir o segundo ano de contrato. O técnico afirmou que, depois da última rodada da La Liga, que será no sábado (23), contra o Athletic Bilbao, no Santiago Bernabéu, deixará o Real Madrid e irá buscar outros rumos.

A pressão por resultados

Os números de Álvaro Arbeloa não aparentam ser negativos. Sob seu comando, o Real Madrid venceu 17 vezes em 27 jogos. Apesar disso, dentro dos Merengues, o peso de uma derrota pode ser insustentável no cenário do clube. E foi nos momentos de maior pressão que Arbeloa deixou de poder dar continuidade ao seu trabalho.

O primeiro grande golpe do treinador no comando do Real Madrid aconteceu logo em sua estreia no clube. Os Merengues foram derrotados por 3 a 2 pelo Albacete, equipe da segunda divisão do Campeonato Espanhol, na Copa do Rei. Logo depois, o time foi derrotado pelo Benfica na última rodada da fase de grupos da Champions League, o que forçou o clube a disputar os playoffs de classificação para o mata-mata da competição. Quando o torneio estava chegando ao final, o Real foi superado pelo Bayern de Munique nas quartas de final.

Para fechar as possibilidades de títulos na temporada, a derrota no El Clásico para o Barcelona não foi apenas um mero resultado a favor dos rivais, já que o resultado entregou matematicamente o título da La Liga para as mãos do time da Catalunha, em pleno Camp Nou. Muitas das vitórias de Arbeloa no comando do Real Madrid foram em momentos burocráticos, muitas vezes mascaradas com grandes atuações individuais de Vinícius Júnior e Kylian Mbappé, mas, em momentos decisivos, a equipe deixou a desejar.

Racha no vestiário sob comando de Arbeloa

Se os resultados dentro de campo não foram dos melhores, o vestiário do Real Madrid estava tão mal quanto. Sob o comando de Xabi Alonso, as notícias em relação ao vestiário eram negativas, muitas delas envolvendo Vinícius Júnior, que chegou a cogitar deixar o clube ao fim da temporada.

A chegada de Álvaro Arbeloa como treinador do time não foi suficiente para domar um ambiente conturbado. Mbappé fez críticas públicas ao sistema tático do técnico, afirmando que o de Xabi Alonso era mais competitivo e organizado, somado à queda de desempenho do francês. O racha no elenco ficou claro após brigas que ocorreram nos treinamentos da equipe. Uma grande briga entre Federico Valverde e Tchouaméni dividiu o vestiário, e o zagueiro alemão Antonio Rüdiger deu um tapa em Álvaro Carreras após uma discussão acalorada durante os treinos.

Ficou claro para o presidente Florentino Pérez que Arbeloa, em sua primeira experiência no nível profissional, foi engolido pela magnitude dos egos e pelas exigências do cargo. O terno de treinador principal do Real Madrid havia chegado cedo demais para ele.

José Mourinho é a solução para o Real Madrid

Diante de todos os problemas internos no Real Madrid, a escolha de José Mourinho demonstra qual é a intenção do clube. O técnico português possui renome, tem uma carreira vitoriosa e está acostumado a lidar com elencos estrelados e difíceis de administrar, conhecendo o tamanho da equipe e tendo frieza para lidar com as situações.

Florentino Pérez não quer um técnico que irá trazer sistemas táticos e metodologias rebuscadas; ele quer um treinador que irá solucionar o racha no vestiário do time.

Arbeloa se despede deixando a lição de que, no Real Madrid, a identificação histórica como jogador não é um escudo para manter o emprego. O clube dá lugar à disciplina de José Mourinho, que é considerado capaz de domar as vaidades dos Merengues.

Créditos da foto de capa: Reuters