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Filipe Luis é do Monaco: relembre passagens de treinadores brasileiros no futebol europeu

A ida de Filipe Luís para o Monaco representa mais do que apenas um novo passo na carreira do ex lateral. O acordo do treinador brasileiro com o clube francês também recoloca em evidência um tema pouco comum no futebol europeu: a presença de técnicos brasileiros em equipes tradicionais do continente.

Mesmo sendo reconhecido mundialmente pela enorme produção de jogadores, o Brasil historicamente sempre teve dificuldade para exportar treinadores para as principais ligas da Europa. Questões culturais, idioma, metodologia e até preconceitos ligados ao estilo tático do futebol brasileiro ajudaram a tornar esse caminho muito mais complicado ao longo das décadas.

Por isso, a chegada de Filipe Luís ao Monaco chama atenção.

Depois de conquistar títulos importantes pelo Flamengo e ganhar destaque pela maneira moderna de montar suas equipes, o treinador agora terá sua primeira experiência no futebol europeu justamente em um clube conhecido por desenvolver jovens talentos e disputar constantemente vagas em competições continentais.

O Monaco terminou apenas na sétima colocação da Ligue 1 e ficou fora da próxima Champions League, cenário que aumentou a pressão por mudanças internas no clube francês.

Filipe Luís chega à Europa após passagem vitoriosa no Flamengo

Mesmo ainda muito jovem como treinador, Filipe Luís chega ao Monaco carregando currículo extremamente relevante no futebol brasileiro.

Durante sua passagem pelo Flamengo, conquistou Copa do Brasil, Supercopa Rei, Campeonato Carioca, Brasileirão e Libertadores. Além dos títulos, chamou atenção principalmente pela proposta de jogo ofensiva, pela intensidade sem bola e pela valorização de posse e construção curta desde a defesa.

Outro ponto importante é que Filipe Luís possui enorme bagagem internacional como jogador.

O ex lateral atuou por muitos anos no futebol europeu, principalmente defendendo Atlético de Madrid e Chelsea. Isso naturalmente facilita sua adaptação ao ambiente europeu, tanto pela questão cultural quanto pela compreensão das exigências táticas do continente.

Além disso, o Monaco costuma apostar em treinadores jovens e ideias modernas de jogo, algo que combina diretamente com o perfil apresentado por Filipe Luís desde o início da carreira à beira do campo.

Agora, o principal desafio será provar rapidamente que o sucesso no futebol brasileiro pode ser transportado para um cenário muito mais pressionado taticamente e financeiramente.

Luxemburgo abriu portas no Real Madrid

Luxemburgo
Foto: Divulgação / Real Madrid

Entre os brasileiros que passaram pelo futebol europeu, talvez nenhum nome tenha gerado tanto impacto inicial quanto Vanderlei Luxemburgo no Real Madrid.

Contratado em 2004, o treinador chegou à Espanha cercado de expectativa após dominar o futebol brasileiro nos anos anteriores. Luxemburgo assumiu um elenco repleto de estrelas na era dos “Galácticos”, trabalhando com nomes como Zidane, Ronaldo, Beckham e Roberto Carlos.

Apesar de ter começado muito bem e liderado boa sequência de resultados, o trabalho acabou não se sustentando a longo prazo. Problemas defensivos e desgaste interno fizeram o brasileiro deixar o clube poucos meses depois.

Mesmo assim, sua ida ao Real Madrid representou um marco importante para treinadores brasileiros na Europa.

Felipão teve passagem marcante pelo Chelsea

Felipão Chelsea
Foto: Divulgação / Chelsea

Outro nome extremamente relevante foi Luiz Felipe Scolari no Chelsea.

Felipão chegou ao clube inglês em 2008 carregando enorme prestígio internacional após conquistar a Copa do Mundo de 2002 com a Seleção Brasileira e levar Portugal até uma semifinal de Copa em 2006.

No início, o trabalho no Chelsea chegou a empolgar bastante pela proposta ofensiva e pelo bom desempenho da equipe. Porém, problemas internos e dificuldades para controlar o vestiário acabaram prejudicando a sequência do brasileiro na Premier League.

Ainda assim, Felipão segue sendo um dos poucos técnicos brasileiros a comandar uma equipe de elite do futebol inglês.

Leonardo, Ricardo Gomes e Sylvinho também passaram pela elite europeia

Outros treinadores brasileiros também conseguiram espaço importante no futebol europeu ao longo dos anos.

Leonardo comandou o Milan e posteriormente o PSG, enquanto Ricardo Gomes teve passagens pelo próprio Paris Saint-Germain, Bordeaux e Monaco no futebol francês.

Sylvinho também recebeu oportunidade no Lyon após trabalhos no futebol brasileiro e participação em comissões técnicas da Seleção Brasileira e da Inter de Milão.

Embora nem todos tenham conseguido trabalhos duradouros, essas experiências ajudaram a manter treinadores brasileiros presentes em algumas das ligas mais importantes da Europa.

Thiago Motta representa uma nova geração de técnicos brasileiros

Thiago Motta Juventus
Créditos: Chris Ricco/Getty Images)

Outro nome que merece destaque é Thiago Motta. Apesar de possuir nacionalidade italiana e ter defendido a seleção da Itália como jogador, o treinador nasceu no Brasil e faz parte dessa nova geração de técnicos brasileiros que ganharam espaço no futebol europeu.

O trabalho que mais elevou sua reputação aconteceu no Bologna. Motta levou o clube a uma classificação histórica para a Champions League após campanha extremamente consistente na Serie A, transformando a equipe em uma das mais organizadas taticamente da Itália.

Esse desempenho fez a Juventus apostar no treinador em 2024. Porém, a experiência em Turim acabou sendo bastante frustrante. A equipe sofreu eliminações importantes, perdeu rendimento no campeonato italiano e Motta acabou demitido após sequência ruim de resultados.

Mesmo assim, o caso de Thiago Motta ajuda a mostrar como treinadores brasileiros ou formados dentro da cultura brasileira começam lentamente a ganhar mais espaço dentro do futebol europeu moderno.

Filipe Luís tenta mudar percepção sobre treinadores brasileiros

Historicamente, treinadores brasileiros sempre precisaram lidar com certa desconfiança no futebol europeu. Enquanto técnicos argentinos, portugueses e italianos se espalharam com facilidade pelas principais ligas do continente, o Brasil permaneceu muito mais associado à formação de jogadores do que de comandantes.

Mas o cenário pode começar a mudar gradualmente.

A nova geração de treinadores brasileiros aparece muito mais conectada ao futebol europeu moderno, tanto na questão tática quanto metodológica. Filipe Luís talvez seja um dos maiores símbolos dessa mudança.

Agora, no Monaco, terá a oportunidade de provar que treinadores brasileiros também podem ocupar espaço relevante no mais alto nível do futebol europeu.

(Foto de capa: Gazeta Press)

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Kaique