Quando Dorival Júnior retornou ao São Paulo, muitos torcedores enxergaram a decisão como uma tentativa do clube de recuperar uma fórmula que já havia dado certo em 2023. Embora ainda seja cedo para fazer avaliações definitivas, os primeiros jogos do treinador mostram sinais que ajudam a explicar por que parte da torcida voltou a acreditar em uma evolução da equipe.
Os resultados ainda não impressionam. Desde sua chegada, o São Paulo disputou apenas três partidas, conquistando uma vitória e dois empates. No entanto, o desempenho apresentado em campo tem chamado mais atenção do que os números propriamente ditos.
Contra Botafogo e Millonarios, por exemplo, ficou a sensação de que o Tricolor poderia ter saído com a vitória. Em ambos os jogos, a equipe apresentou bons momentos, especialmente durante os primeiros tempos, mas sofreu uma queda física na etapa final que acabou impedindo resultados melhores.
Esse detalhe é importante porque mostra que a evolução percebida passa mais pelo desempenho do que pela tabela de classificação. E existem algumas razões que ajudam a explicar por que Dorival parece ter conseguido acelerar esse processo.
Um ambiente muito diferente daquele encontrado por Roger Machado

Um dos principais fatores que ajudam a entender o início positivo de Dorival não está necessariamente dentro das quatro linhas.
Diferentemente de Roger Machado, o atual treinador assumiu o São Paulo em um ambiente muito mais favorável. Durante toda passagem de Roger, a relação com a torcida foi marcada por desconfiança, cobranças e questionamentos constantes. Isso criava um cenário de pressão permanente que dificultava o desenvolvimento do trabalho.
Dorival encontrou uma situação diferente.
A identificação construída em sua primeira passagem pelo clube, quando conquistou a Copa do Brasil de 2023, fez com que seu retorno fosse recebido com entusiasmo por grande parte dos torcedores. Naturalmente, isso não significa que ele esteja livre de cobranças, mas existe uma paciência maior para que suas ideias sejam implementadas.
Outro fator relevante é o conhecimento prévio do elenco.
O grupo atual não sofreu mudanças profundas desde sua saída. Jogadores importantes como Rafael, Calleri e Luciano continuam sendo referências técnicas e lideranças dentro do vestiário. Isso permitiu que o treinador retomasse o trabalho sem precisar passar por um longo período de adaptação.
Enquanto muitos técnicos precisam de meses para entender as características do elenco, Dorival já conhecia boa parte dos atletas e sabia como utilizá-los.
A capacidade de potencializar jogadores continua sendo uma marca

Se existe uma característica que marcou a primeira passagem de Dorival pelo São Paulo, foi sua capacidade de encontrar soluções dentro do próprio elenco.
O melhor exemplo foi Alisson. Em 2023, o treinador reposicionou o jogador, que atuava mais avançado, e o transformou em volante. A mudança elevou significativamente o nível de rendimento do atleta, que passou a ser considerado uma das peças mais importantes da equipe.
Agora, alguns sinais indicam que esse processo pode estar se repetindo.
Uma das decisões de Dorival foi manter Artur no elenco. O jogador vem correspondendo à confiança recebida e já aparece como um dos destaques da equipe. A boa fase foi confirmada na partida contra o Boston River, quando foi eleito o melhor jogador em campo.
Na mesma partida, o treinador promoveu um teste que chamou atenção. André Silva atuou em uma função diferente da habitual, ocupando um espaço semelhante ao exercido por Luciano em determinados momentos. O resultado foi positivo. O jogador terminou o confronto com uma assistência e participou ativamente das principais ações ofensivas da equipe.
Mais do que um simples ajuste pontual, a mudança reforça uma característica que acompanha a carreira de Dorival: a disposição para encontrar novas funções e alternativas para jogadores que muitas vezes não vivem seus melhores momentos.
O desempenho já mostra sinais positivos
Apesar da pequena amostra de jogos, algumas tendências começam a aparecer.
Contra o Botafogo, o São Paulo fez um primeiro tempo consistente, conseguindo controlar parte das ações e criando oportunidades para vencer. Contra o Millonarios, o cenário foi semelhante.
O problema apareceu na segunda etapa.
A queda física da equipe ficou evidente em alguns momentos e impediu que o rendimento apresentado nos primeiros 45 minutos fosse mantido até o apito final.
Essa questão, porém, pode ser justamente um dos pontos que mais tendem a evoluir nas próximas semanas.
A pausa para a Copa do Mundo dará a Dorival e sua comissão técnica um período raro no calendário brasileiro: tempo para treinar.
Com sessões mais longas de preparação física e ajustes táticos, existe a expectativa de que a equipe consiga sustentar por mais tempo o nível de intensidade demonstrado nos primeiros jogos.
Por isso, internamente, a avaliação é que o trabalho ainda está apenas começando.
Reforços podem acelerar o processo de evolução




