Everson, Atlético Mineiro
Futebol Brasileirão Copa Sul-Americana

Atlético Mineiro vai para a pausa da Copa com Eduardo Dominguez em alta e conta com Fred e outros reforços para equilibrar time

Se alguém dissesse há alguns meses que o Atlético Mineiro chegaria à pausa do calendário cercado por otimismo, confiança e perspectivas de crescimento, boa parte da torcida provavelmente levantaria uma sobrancelha. Afinal, o início da temporada foi marcado por oscilações, atuações inconsistentes e uma série de dúvidas sobre o que a equipe realmente poderia entregar em 2026. Mas o futebol tem dessas.

Hoje, o cenário é bem diferente. O Galo chega ao intervalo da temporada em um momento de crescimento, com Eduardo Domínguez cada vez mais fortalecido no cargo e com motivos reais para acreditar que o segundo semestre pode ser ainda melhor do que o primeiro.

O mais interessante é que essa evolução não parece ser fruto apenas de uma boa sequência de resultados. Existe uma sensação de construção. O Atlético começou a apresentar uma identidade mais clara dentro de campo, voltou a ser competitivo em diferentes cenários e encontrou soluções que não existiam há algumas semanas. E se o presente já é animador, o futuro próximo parece ainda mais promissor.

A chegada de Fred para reforçar o meio-campo e a adaptação de nomes como Cissé, Cassierra e Mindá podem ajudar a transformar um time competitivo em uma equipe capaz de brigar por objetivos ainda maiores.

Eduardo Domínguez conseguiu dar uma cara ao Atlético

Um dos principais méritos deste momento positivo passa diretamente pelo treinador.

Eduardo Domínguez precisou enfrentar um período complicado no início do trabalho. Além da pressão por resultados, havia uma cobrança constante em relação ao desempenho da equipe. O Atlético até conseguia alguns resultados positivos, mas muitas vezes deixava a impressão de que jogava abaixo da qualidade do elenco disponível.

Com o passar das semanas, porém, a equipe começou a evoluir.

O treinador conseguiu encontrar uma estrutura mais equilibrada, corrigiu problemas defensivos e fez o time se tornar muito mais competitivo, especialmente atuando como mandante. A Arena MRV voltou a ser um ambiente desconfortável para os adversários, algo que historicamente sempre foi uma das grandes forças do clube.

As vitórias recentes mostraram exatamente isso.

O Atlético passou a controlar melhor as partidas, sofreu menos defensivamente e começou a aproveitar com mais eficiência as oportunidades criadas. Não é um time perfeito, mas claramente é uma equipe mais organizada do que aquela vista nos primeiros meses do ano.

A classificação em primeiro lugar de seu grupo na competição continental também ajudou a reforçar a confiança do elenco. Em um calendário cada vez mais desgastante, terminar a primeira parte da temporada acumulando resultados positivos faz uma enorme diferença para qualquer projeto. E o mais importante: ainda existe margem para evolução.

Fred pode ser a peça que faltava no meio-campo

Se existe uma contratação que gera expectativa no torcedor atleticano, essa contratação é Fred.

O volante chega justamente para um setor que, em diversos momentos da temporada, apresentou dificuldades para encontrar equilíbrio entre marcação e construção de jogadas. Não é segredo que o Atlético, em algumas partidas, sofria para controlar o ritmo do jogo ou proteger melhor sua defesa em momentos de pressão.

É exatamente nesse contexto que Fred pode fazer diferença.

Trata-se de um jogador experiente, acostumado a partidas grandes e que oferece características muito importantes para o modelo de jogo de Eduardo Domínguez. Sua capacidade de recuperar bolas, cobrir espaços e permitir que jogadores mais ofensivos tenham liberdade para atuar pode ajudar a equipe a encontrar um equilíbrio ainda maior.

Além disso, sua chegada aumenta a competitividade interna do elenco. E times que pretendem disputar títulos precisam justamente disso: opções de qualidade para suportar suspensões, lesões e o desgaste natural de uma temporada longa.

O Atlético já possuía bons jogadores no setor. Com Fred, a sensação é de que o treinador ganha uma peça capaz de elevar o nível coletivo da equipe.

O Atlético pode sonhar mais alto na segunda metade da temporada?

Essa é a pergunta que começa a ganhar força em Belo Horizonte.

O Atlético ainda não está no mesmo patamar de profundidade de elenco de alguns dos principais favoritos do futebol brasileiro. Flamengo e Palmeiras continuam possuindo grupos mais robustos e preparados para suportar uma temporada inteira brigando por tudo. Mas a diferença parece menor do que era há alguns meses.

O Galo encontrou um treinador que parece cada vez mais confortável no comando. Encontrou uma forma de jogar mais eficiente. Recuperou confiança e ainda terá reforços importantes à disposição após a pausa.

Tudo isso cria um cenário bastante interessante.

Talvez o Atlético Mineiro ainda não seja apontado como o principal candidato aos títulos em disputa. Porém, é justamente esse tipo de equipe que costuma crescer na reta decisiva das temporadas.

Uma equipe organizada, em evolução e que chega reforçada após a janela.

Se Eduardo Domínguez conseguir manter a curva de crescimento apresentada nas últimas semanas, o segundo semestre pode reservar objetivos muito mais ambiciosos do que muitos imaginavam no início do ano. E para um clube do tamanho do Atlético Mineiro, sonhar grande nunca foi exatamente um problema.

Foto: Pedro Souza/Atlético