Justin Gaethje entrará no octógono como azarão diante de Ilia Topuria no próximo dia 14, quando os dois farão a luta principal do UFC Freedom 250, evento histórico que acontecerá na Casa Branca. A missão do norte-americano não será simples: do outro lado estará um dos melhores lutadores da atualidade, talvez o melhor. Invicto no MMA profissional, o georgiano com raízes na Espanha soma 17 vitórias e nenhuma derrota.
Topuria construiu sua trajetória apoiado em um boxe de elite, grande poder de nocaute, base sólida no grappling com influência da luta greco-romana, velocidade acima da média e uma autoconfiança que beira a intimidação. Não por acaso, aparece como amplo favorito nas casas de apostas para o confronto.
Mesmo assim, Gaethje tem motivos para acreditar. Ao longo da carreira no UFC, Topuria mostrou algumas brechas defensivas e passou por momentos de dificuldade contra determinados golpes. O veterano norte-americano sabe que provavelmente não vencerá apenas trocando socos no centro do octógono. Para surpreender, será necessário apresentar uma estratégia diferente e explorar pontos específicos do jogo do campeão.
Chutes altos podem ser uma arma decisiva
Uma das alternativas mais interessantes para Gaethje é apostar nos chutes altos. Além do potencial de dano, esse tipo de golpe pode obrigar Topuria a manter a guarda elevada e reduzir a liberdade da poderosa mão direita que costuma decidir suas lutas.
A estratégia foi defendida recentemente por Eric Nicksick, um dos treinadores mais respeitados do MMA. Em entrevista ao programa “The Highlight”, o técnico destacou que já viu Topuria passar por situações complicadas ao receber chutes na cabeça.
Segundo Nicksick, a luta contra Jai Herbert mostrou que existem brechas defensivas nessa área. O treinador lembrou que o campeão já foi atingido por golpes semelhantes em outras ocasiões e acredita que a equipe formada por Trevor Wittman e Gaethje terá condições de desenvolver um plano eficiente para explorar essa vulnerabilidade.
A ideia faz sentido tecnicamente. Gaethje sempre foi conhecido pelos chutes devastadores nas pernas, mas também possui potência suficiente para surpreender na linha alta. Se conseguir misturar ataques baixos e altos, poderá criar dúvidas na leitura defensiva de Topuria e abrir espaços para golpes posteriores.
Mais importante ainda: os chutes permitem pontuar sem permanecer muito tempo na curta distância, justamente onde Topuria costuma ser mais perigoso.
Preparação para uma guerra longa e sob calor intenso
Outro aspecto importante é que Gaethje vem se preparando para um cenário diferente daquele imaginado pela maioria dos fãs. Em vez de buscar apenas um nocaute rápido, o norte-americano também trabalha para uma luta longa, física e desgastante.
De acordo com informações recentes divulgadas durante sua preparação, Gaethje acredita que pode tirar proveito das condições ambientais previstas para o evento. A expectativa é de muito calor durante o UFC Freedom 250, realizado ao ar livre na Casa Branca, algo que pode influenciar diretamente no rendimento dos atletas.
Por isso, Gaethje intensificou os treinos voltados para resistência cardiovascular e capacidade de recuperação. A intenção é estar preparado para manter pressão constante durante todos os rounds, caso a luta chegue às etapas mais avançadas.
Essa abordagem também conversa com uma característica histórica do ex-campeão interino. Mesmo aos 37 anos, Gaethje continua sendo um dos atletas mais duros do elenco do UFC. Sua capacidade de absorver golpes, seguir avançando e transformar combates em batalhas de desgaste pode ser um fator relevante diante de um adversário acostumado a resolver lutas de maneira explosiva.
No fim das contas, Topuria segue sendo o favorito. Seu cartel invicto, sua precisão no boxe e seu momento na carreira justificam esse status.
Mas o UFC já mostrou inúmeras vezes que favoritismo não garante vitória. Se os chutes altos funcionarem, se o ritmo intenso cobrar seu preço e se Gaethje conseguir transformar o duelo em uma guerra de resistência, a maior surpresa do ano pode acontecer justamente no gramado da Casa Branca. Afinal, a história do UFC está repleta de noites em que o improvável se tornou realidade.
Foto: Getty Images