Chegar ao Real Madrid já representa um enorme salto na carreira de qualquer jogador de futebol. Fazer isso ainda muito jovem, custando cerca de 60 milhões de euros e chegando com status de atleta de seleção nacional, aumenta ainda mais as expectativas no futebol europeu. Foi exatamente esse o cenário vivido por Franco Mastantuono e Dean Huijsen no início da temporada 2025/26 no Real Madrid.
Há pouco mais de um ano, os dois eram vistos como símbolos do futuro do Real Madrid. Mastantuono desembarcou no Real Madrid após despontar no River Plate e conquistar espaço na seleção argentina. Já Huijsen chegou ao Real Madrid tratado como uma das maiores promessas defensivas da Europa depois de se destacar pelo Bournemouth e também pela seleção espanhola.
No entanto, o encerramento da temporada trouxe uma realidade completamente diferente para os jovens do Real Madrid. Ambos ficaram fora das convocações finais para a Copa do Mundo, transformando uma campanha inicialmente promissora em uma temporada marcada pela frustração dentro do clube espanhol.
A ausência dos dois não pode ser explicada apenas por decisões técnicas. Os números e o contexto da temporada ajudam a entender por que duas das principais apostas do Real Madrid perderam espaço justamente no momento mais importante do ciclo.
A queda de protagonismo durante a temporada no Real Madrid

No futebol, talento por si só raramente garante espaço permanente. Regularidade, sequência de jogos e condição física são fatores decisivos para manter um atleta em evidência.
No caso de Huijsen, o início da temporada indicava um cenário muito diferente daquele que terminou sendo realidade. Contratado por cerca de 58 milhões de euros, o zagueiro começou como titular absoluto do Real Madrid. Sua capacidade de sair jogando e sua qualidade técnica fizeram dele uma peça importante na construção ofensiva da equipe.
Porém, ao longo dos meses, lesões começaram a interromper sua sequência. Além disso, seu rendimento defensivo passou a ser questionado em algumas partidas importantes. O clássico contra o Atlético de Madrid foi apontado como um dos momentos mais delicados da temporada do defensor espanhol. A partir daquele período, ele perdeu confiança e passou a alternar mais entre titularidade e banco de reservas.
O resultado apareceu diretamente na seleção espanhola. Há apenas um ano, Huijsen havia disputado os dois jogos da fase final da Liga das Nações como titular. Era visto como um nome praticamente garantido para a Copa do Mundo. No entanto, a queda de rendimento abriu espaço para concorrentes que conseguiram manter maior regularidade ao longo da temporada.
Com Mastantuono, a história seguiu um roteiro semelhante. O argentino teve um impacto imediato ao chegar ao Real Madrid. Logo após completar 18 anos, estreou pela equipe principal e rapidamente conquistou minutos importantes. Seu primeiro gol pelo clube, marcado contra o Levante, parecia confirmar que o jovem estava preparado para assumir responsabilidades em um dos maiores clubes do mundo.
Mas o cenário mudou rapidamente.
O retorno de Jude Bellingham reduziu seu espaço no setor ofensivo. Além disso, problemas físicos, especialmente uma pubalgia, limitaram sua participação ao longo dos meses seguintes.
Os números mostram claramente essa perda de protagonismo. Nos últimos quatro meses da temporada, Mastantuono disputou apenas 322 minutos. Nesse mesmo período, o Real Madrid realizou 22 partidas. Isso significa uma média inferior a 15 minutos por jogo, um volume muito pequeno para um jogador que buscava convencer Lionel Scaloni de que merecia uma vaga na Copa do Mundo.
A falta de minutos pesou nas decisões das seleções

O principal fator que explica as ausências de Huijsen e Mastantuono é a combinação entre pouca sequência e forte concorrência.
Nas seleções de Espanha e Argentina, não basta apenas ter potencial. Os treinadores normalmente valorizam atletas que chegam aos torneios em ritmo competitivo elevado.
Mastantuono continuou sendo convocado por Scaloni sempre que estava disponível fisicamente. Inclusive participou dos compromissos da seleção argentina em março, atuando por 45 minutos contra a Mauritânia. Porém, sem espaço regular no Real Madrid, sua candidatura perdeu força.
A Argentina possui atualmente um dos elencos mais profundos do futebol mundial. Jogadores que atuam regularmente nas principais ligas europeias disputam posições em praticamente todos os setores. Sem sequência no clube, o jovem argentino acabou ficando para trás na disputa.
O mesmo aconteceu com Huijsen. Embora continuasse sendo visto como um jogador de enorme potencial, outros defensores conseguiram apresentar desempenho mais consistente ao longo da temporada. Em uma lista final de Copa do Mundo, onde cada vaga é extremamente disputada, detalhes como ritmo de jogo e regularidade fazem diferença.
Os treinadores frequentemente preferem atletas que chegam ao torneio após uma sequência sólida de partidas em alto nível, mesmo que tenham menos potencial a longo prazo do que jovens promessas.
O futuro continua sendo promissor
Apesar da decepção atual, seria um erro interpretar a ausência na Copa do Mundo como um fracasso definitivo.
A idade dos dois jogadores ajuda a colocar a situação em perspectiva. Mastantuono completará 19 anos durante o verão europeu. Huijsen tem apenas 21 anos. Em muitas gerações, atletas dessa idade ainda estariam atuando nas categorias de base ou iniciando suas carreiras profissionais.
Além disso, o investimento realizado pelo Real Madrid demonstra que o clube continua acreditando no potencial dos dois. Somados, os espanhóis desembolsaram aproximadamente 121 milhões de euros para contratar Mastantuono e Huijsen. Trata-se de um valor que dificilmente seria gasto sem um planejamento de longo prazo.
Historicamente, diversos jogadores passaram por dificuldades semelhantes em seus primeiros anos no Real Madrid. A pressão do clube, a concorrência interna e a exigência por resultados imediatos costumam tornar a adaptação mais complicada para atletas jovens.
Por isso, a ausência na Copa do Mundo pode representar mais um capítulo de aprendizado do que um sinal de fracasso. Os dois chegaram ao clube cercados por expectativas enormes e descobriram rapidamente que o caminho até a consolidação na elite do futebol mundial é mais complexo do que parecia.
Hoje, Mastantuono e Huijsen vivem um momento de frustração. Porém, considerando a idade, o talento demonstrado anteriormente e a confiança que ainda recebem do Real Madrid, tudo indica que esta ausência no Mundial pode ser lembrada no futuro apenas como um obstáculo temporário em carreiras que ainda têm muitos anos pela frente.
(Foto de capa: Getty Images)
