Suécia Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

A Suécia na Copa do Mundo: como joga, principais jogadores e a análise das Três Coroas

A Suécia está de volta à Copa do Mundo após a ausência no Catar em 2022. E se alguém ainda associa os suecos apenas à velha imagem de um time físico, organizado e dependente de bolas aéreas, talvez seja hora de atualizar a ficha.

Sob o comando de Graham Potter, as Três Coroas chegam ao Mundial de 2026 com uma proposta mais moderna, agressiva e ofensiva. A seleção ainda mantém a tradicional disciplina tática escandinava, mas agora combina isso com pressão alta, intensidade sem bola e um dos ataques mais interessantes entre as seleções consideradas de segunda prateleira do torneio.

Se não está entre os favoritos ao título, a Suécia certamente aparece na lista das equipes que ninguém quer enfrentar em um mata-mata. Afinal, poucos países podem se dar ao luxo de colocar Viktor Gyökeres e Alexander Isak no mesmo setor ofensivo.

A grande pergunta é: até onde essa geração pode chegar?

Como joga a Suécia?

A chegada de Graham Potter mudou bastante a identidade da seleção sueca. O treinador inglês, que conhece profundamente o futebol do país após sua passagem histórica pelo Östersunds, trouxe conceitos mais modernos para a equipe nacional.

A Suécia costuma atuar em um sistema flexível, alternando entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3 dependendo do adversário e do momento da partida.

O ponto principal da equipe é a verticalidade.

Ao contrário de seleções que valorizam longas sequências de posse de bola, os suecos procuram acelerar as jogadas rapidamente após recuperar a posse. A equipe busca explorar espaços nas costas da defesa adversária e utiliza bastante a velocidade dos jogadores de frente.

A pressão pós-perda também se tornou uma característica importante. Quando perde a bola, a Suécia tenta recuperá-la rapidamente ainda no campo ofensivo, evitando que o adversário consiga construir ataques organizados.

Outro aspecto interessante é a movimentação constante do ataque. Gyökeres e Isak não são atacantes que ficam presos dentro da área esperando cruzamentos. Ambos participam da construção das jogadas, recuam para receber e criam espaços para infiltrações dos pontas e meias. Isso torna o sistema ofensivo bastante difícil de marcar.

O grande ponto forte: um ataque que pode machucar qualquer seleção

Muitas seleções possuem um craque. A Suécia possui dois.

Viktor Gyökeres e Alexander Isak formam uma das duplas ofensivas mais perigosas desta Copa do Mundo.

Gyökeres chega ao Mundial após consolidar sua posição entre os principais atacantes do futebol europeu. Forte fisicamente, agressivo nos duelos e extremamente eficiente dentro da área, ele é o tipo de centroavante capaz de transformar meia chance em gol.

Já Isak oferece características diferentes.

O atacante do Liverpool é mais móvel, mais técnico e talvez mais elegante em suas ações. Sua capacidade de conduzir a bola em velocidade e atacar espaços faz dele uma arma constante em transições ofensivas.

Como se isso não bastasse, a Suécia ainda conta com Anthony Elanga pelos lados do campo.

O ponta do Newcastle é responsável por dar profundidade ao ataque e explorar os espaços criados pela movimentação dos dois atacantes centrais.

Quando os três conseguem acelerar juntos, a seleção sueca se transforma em um adversário extremamente perigoso.

Lucas Bergvall pode ser o nome da Copa

Embora os atacantes recebam a maior parte dos holofotes, existe um jogador que pode elevar o nível da seleção durante o torneio.

Lucas Bergvall.

A joia do Tottenham chega à Copa como um dos meio-campistas jovens mais promissores da Europa. Convocado por Graham Potter, ele representa a nova geração do futebol sueco.

Bergvall oferece algo que historicamente nem sempre esteve presente nas seleções suecas: criatividade pelo centro do campo.

Com qualidade no passe, inteligência para ocupar espaços e personalidade para assumir responsabilidades, ele pode ser o elo entre o meio-campo e o poderoso setor ofensivo. Em torneios curtos, jogadores assim costumam fazer enorme diferença.

O ponto fraco: equilíbrio defensivo

Se o ataque gera entusiasmo, a defesa ainda levanta algumas dúvidas.

Victor Lindelöf continua sendo uma das lideranças da equipe, mas o setor defensivo como um todo não transmite a mesma segurança observada em outras gerações suecas.

A proposta mais agressiva de Graham Potter naturalmente expõe mais a última linha.

Quando a pressão alta funciona, a equipe consegue controlar bem os jogos. Porém, quando o adversário supera essa primeira pressão, surgem espaços que podem ser explorados por seleções mais qualificadas tecnicamente.

Além disso, a Suécia depende bastante do desempenho coletivo para proteger sua defesa. Não é uma equipe que possui zagueiros capazes de resolver tudo individualmente.

Contra seleções de elite, esse pode ser um problema.

Até onde a Suécia pode chegar?

A Suécia está longe de ser candidata ao título mundial. Mas também seria um erro colocá-la apenas como figurante.

As Três Coroas chegam ao torneio com um treinador experiente, um modelo de jogo bem definido e uma dupla de atacantes que provavelmente está entre as melhores da competição.

O grupo com Holanda, Japão e Tunísia promete ser equilibrado, mas os suecos possuem qualidade suficiente para avançar ao mata-mata. A partir daí, tudo pode acontecer.

Em Copas do Mundo, seleções organizadas costumam crescer conforme o torneio avança. E poucas equipes apresentam uma combinação tão interessante de disciplina tática, intensidade física e talento ofensivo quanto esta geração sueca.

Talvez a Suécia não esteja no grupo de favoritos ao título. Mas se você procura uma seleção capaz de surpreender gigantes e estragar os planos de muita gente, vale a pena ficar de olho nas Três Coroas. Porque quando Gyökeres e Isak encontram espaço, qualquer defesa começa a ficar desconfortável.

Foto: Divulgação/Suécia