Atual campeã da Copa do Mundo, a Argentina chega para o torneio como uma das favoritas a conquistar o título. Não só vem embalada de um ciclo quase impecável como chega liderando o ranking da FIFA antes da bola rolar na América do Norte. A Albiceleste busca igualar os feitos da Itália da década de 30 e do Brasil de Pelé e Garrincha: o bicampeonato consecutivo.
Após quebrar a hegemonia dos europeus em mundiais, a Argentina manteve praticamente o mesmo sistema, time e técnico. A tranquilidade após quebrar um jejum de quase 30 anos sem títulos com a Copa América de 2021, tirou um peso das costas da geração de Lionel Messi que, enfim, recolocou os hermanos na trilha das vitórias.
Após o título do Catar, o domínio na América do Sul se fez valer nas eliminatórias com uma classificação sem dificuldades e o título da Copa América Centenário, mostrando que os comandados de Lionel Scaloni estão afiados e embalados para a Copa do Mundo, que pode ser o “The Last Dance” de Messi, que completará 39 anos durante o campeonato.
Sem crises, sem alarde e jogando bola. Um cenário bastante diferente de outros ciclos de La Albiceleste. Essa é a Argentina para o mundial de 2026.
Como joga a Argentina?

Após anos de instabilidade no comando técnico, Lionel Scaloni conseguiu se firmar durante o ciclo para a Copa do Catar. Treinador responsável pela quebra do jejum de títulos que durava 28 anos, ganhou respaldo e segurança no seu trabalho e no fim, foi coroado com o título da Copa do Mundo.
Seu esquema de jogo é o 4-3-3 padrão, potencializando Messi e utilizando seu camisa 10 como referência técnica. É um time que por característica, joga de acordo com o que o seu adversário se propõe. Precisou povoar o meio-campo? Não tem problema. Jogar com três zagueiros para espelhar o time rival? Eles fazem. Não falta variação para o que a Argentina de Scaloni costuma fazer.
Por jogarem juntos há bastante tempo, os argentinos tem como trunfo o entrosamento. O que no mundo de seleções costuma ser raro, a Argentina é uma exceção. São poucas mudanças do time base que venceu a última Copa, um benefício e tanto sendo utilizado com inteligência e muita competência.
Os resultados, no papel, são impressionantes. Mas boa parte dos adversários enfrentados fora da América do Sul são de qualidade bem abaixo do que as outras seleções enfrentam, o que pode ser ruim pela falta de competitividade dos hermanos nesses casos. Mas quando é jogo valendo, a chave muda.
Principais jogadores

Para a atual geração, Lionel Messi é o maior de todos os tempos no futebol. Prestes a completar mais um ano de vida, o camisa 10 irá para o que deve ser seu ato final pela seleção argentina na Copa do Mundo dos Estados Unidos, onde atua pelo Inter Miami da MLS desde 2023. Mesmo jogando numa liga abaixo do nível da Europa, o craque ainda mantém seu status e prestígio a nível global. Um dos gênios do esporte como um todo.
Dentre os experientes da seleção estão o zagueiro recém-contratado pelo River Plate, Nicolás Otamendi, de 38 anos. Além dele tem o goleiro pegador de pênaltis e um dos símbolos dessa retomada argentina no cenário mundial, Emiliano “Dibu” Martinez, do Aston Villa. A seleção preza pela experiência (média de 28,6 anos) e poucas alterações do ciclo anterior.
Das novidades está o atacante do Palmeiras, que ganhou espaço com Scaloni durante o atual ciclo: José Manuel “Flaco” López. Artilheiro do alviverde que vive sua melhor fase da carreira. Outra jovem promessa que vem de uma temporada de muito brilho pelo modesto Como da Itália é o meio-campo Nico Paz, de apenas 21 anos. Ainda na Itália, o capitão da Internazionale, Lautaro Martinez, tem o faro do gol.
Também para o público brasileiro, especialmente a torcida do Botafogo, Thiago Almada, meia do Atlético Madrid, foi convocado para o mundial junto do atacante Julian Alvarez e do meia Guiliano Simeone. Uma mescla de experiência e juventude para o próximo ciclo dos hermanos.
Como foi o ciclo para a Copa?
Para quem acompanha futebol desde os anos 2000, se acostumou em ver a Argentina passar por sufocos desnecessários em ciclos intermináveis de bagunça e ficando com o vice-campeonato, seja ele de Copa América, Copa das Confederações e da Copa do Mundo. Esses tempos são coisa do passado.
Os hermanos vem para a Copa embalados, e não é por menos. Em amistosos, por exemplo, o aproveitamento é de 100% com 14 vitórias em 14 jogos. Mesmo que seja contra adversários de um nível abaixo, com os testes mais difíceis sendo as seleções sul-americanas de Equador e Venezuela, é um feito e tanto para La Albiceleste.
Nas eliminatórias aconteceram os raros tropeços. Derrotas para Uruguai, Colômbia, Paraguai e Equador, e empates contra Venezuela e a própria Colômbia. Dezoito jogos, doze vitórias. Incluindo as duas contra o Brasil com o triunfo por 1-0 no Maracanã e um sonoro 4-1 em Buenos Aires que garantiu a vaga na Copa para os argentinos.
Na Copa América, apenas um empate contra o Equador nas quartas-de-final e vitória contra os colombianos na prorrogação da grande decisão. Título para os hermanos em outra campanha impecável. Ao todo foram 38 jogos e 32 vitórias para La Albiceleste.
Onde a Argentina pode chegar?
Se confirmar o favoritismo num grupo com Argélia, Áustria e Jordânia, os hermanos terão um caminho tranquilo, em teoria, até as quartas-de-final. Caso terminem com o primeiro lugar, já pode ter de cara um clássico sul-americano com o Uruguai na segunda fase. E se passar das oitavas-de-final, podemos ter um jogo épico: Portugal x Argentina. Cristiano Ronaldo x Messi. Numa Copa do Mundo. Como dizem os jovens: absolute cinema!
É improvável, mas caso a Argentina não jogue bem e termine em segundo num cenário onde não vence a Argélia, sofre contra a Áustria e precisa de uma vitória épica contra a Jordânia para se classificar, irá para outra chave onde pode ter pela frente a temida Espanha na segunda fase. Seria o grande confronto, e em caso de classificação, pode ter um caminho ainda mais tranquilo para a semifinal.
Se a Albiceleste passar em terceiro, é porque alguma coisa durante a Copa deu errado. Eliminação na primeira fase seria um desastre e poucos cogitam, para não dizer ninguém, que a Argentina fique entre as terceiras colocadas. Seria uma hecatombe de proporções históricas caso isso aconteça.
Com apenas a Argélia podendo aprontar, a primeira fase deve ser tranquila. Se der a lógica, podemos ter a partida que ficará para a história com o possível embate final entre gigantes do futebol. A Argentina vai brigar pelo título.
Os jogos da Argentina na Copa do Mundo
16/6 – 22:00: Argentina x Argélia (Arrowhead Stadium – Kansas City)
22/6 – 14:00: Argentina x Áustria (AT&T Stadium – Arlington)
27/6 – 23:00: Jordânia x Argentina (AT&T Stadium – Arlington)