O empate por 1 a 1 entre Marrocos e Brasil na estreia da Copa do Mundo de 2026 teve diversos protagonistas. Houve o gol de Vinícius Júnior, a atuação sólida da defesa marroquina e mais uma demonstração da força coletiva dos Leões do Atlas. No entanto, nenhum jogador chamou tanto a atenção quanto Ayyoub Bouaddi.
Aos 18 anos, o meio-campista do Lille transformou sua terceira partida pela seleção principal do Marrocos em uma apresentação capaz de conquistar elogios de ex-jogadores, companheiros de equipe, jornalistas e torcedores ao redor do mundo. Em um confronto que reuniu alguns dos principais talentos do futebol internacional, foi justamente o jovem camisa 6 quem roubou os holofotes.
O desempenho foi tão marcante que muitos passaram a comparar o impacto causado por Bouaddi ao que Azzedine Ounahi provocou na Copa do Mundo de 2022. Naquele torneio, após a eliminação da Espanha para o Marrocos, Luis Enrique admitiu ter ficado impressionado com o então camisa 8 marroquino. Agora, quatro anos depois, o foco parece ter migrado para um novo nome.
Mais do que uma promessa, Bouaddi demonstrou contra o Brasil características que normalmente são associadas a jogadores muito mais experientes.
Os números que explicam a atuação contra o Brasil
As estatísticas da partida ajudam a entender por que Bouaddi recebeu tantos elogios após o empate diante da Seleção Brasileira.
Nenhum jogador marroquino correu mais do que ele. Foram 11,87 quilômetros percorridos ao longo dos 90 minutos, mostrando uma capacidade física impressionante para alguém que nasceu em 2007.
O volume de participação também chamou atenção. Bouaddi foi o atleta do Marrocos que mais tocou a bola durante o jogo, registrando 86 ações. Além disso, completou 60 passes certos, liderando sua equipe nesse fundamento.
Sua influência não ficou restrita à circulação da posse. O meio-campista também foi responsável por 23 conduções de bola, liderando novamente a seleção marroquina no quesito.
Os números defensivos reforçam ainda mais sua atuação completa. O jogador acumulou seis recuperações de posse e nove interceptações, além de terminar entre os líderes da equipe em duelos vencidos pelo chão e dribles completados com sucesso.
Esses dados ajudam a explicar por que vários observadores passaram a classificá-lo como um verdadeiro “todocampista”, termo utilizado para definir atletas capazes de influenciar todas as fases do jogo.
Enquanto muitos jovens costumam se destacar apenas pela técnica ou pela intensidade física, Bouaddi conseguiu combinar as duas características na mesma partida.
A escolha de defender Marrocos
A atuação diante do Brasil também reacendeu um tema importante de sua carreira: a decisão de representar o Marrocos.
Nascido na França, Bouaddi construiu praticamente toda a sua trajetória nas categorias de base do futebol francês. Até março deste ano, inclusive, defendia a seleção sub-21 da França.
Por isso, muitos torcedores marroquinos comemoraram sua escolha pela seleção africana quase como uma contratação de impacto.
O próprio jogador explicou que a decisão foi tomada com convicção.
Segundo Bouaddi, representar o Marrocos era algo que lhe trazia orgulho e alívio, demonstrando que a escolha foi baseada em identificação e não apenas em oportunidades esportivas.
O técnico Mohamed Ouahbi confirmou posteriormente que a federação trabalhou intensamente para convencer o atleta a defender os Leões do Atlas.
A confiança era tão grande que o treinador revelou não ter sentido qualquer receio ao escalá-lo em uma partida de tamanha importância contra o Brasil.
Uma joia que já atrai os maiores clubes da Europa

Quem acompanha a carreira de Bouaddi sabe que o desempenho contra o Brasil não surgiu por acaso.
Em 2023, ele já havia entrado para a história ao se tornar o jogador mais jovem a estrear em competições europeias, com apenas 16 anos e três dias.
Mais recentemente, também chamou atenção na Liga dos Campeões ao participar da vitória do Lille sobre o Real Madrid.
Essas atuações fizeram com que seu nome passasse a circular nos departamentos de observação dos maiores clubes do continente.
De acordo com informações divulgadas por Fabrizio Romano, equipes como Manchester United, Liverpool, Arsenal e PSG, acompanham sua evolução de perto.
A valorização é tão grande que o presidente do Lille, Olivier Létang, chegou a afirmar que uma proposta de 50 milhões de euros não seria suficiente para tirar o jogador do clube francês.
A declaração mostra o tamanho da expectativa criada em torno do jovem meio-campista.
Naturalmente, Bouaddi tenta manter o foco na Copa do Mundo. O próprio jogador afirmou que, neste momento, sua prioridade é ajudar o Marrocos a conquistar os melhores resultados possíveis no torneio.
Mesmo assim, a realidade é que sua atuação contra o Brasil ampliou ainda mais sua visibilidade internacional.
A Copa do Mundo costuma ser palco para o surgimento de novos protagonistas, e Bouaddi parece ter aproveitado a oportunidade de forma perfeita. Aos 18 anos, ele não apenas ajudou o Marrocos a arrancar um empate diante de uma das favoritas ao título, como também se apresentou ao mundo como uma das maiores promessas do futebol atual. Se mantiver o nível demonstrado na estreia, dificilmente passará despercebido durante o restante da competição.
(Foto de capa: Getty Images)