Áustria vence a Jordânia na Copa do Mundo por 3 a 1
Futebol Copa do Mundo

Áustria supera a Jordânia e volta a vencer em Copas do Mundo após 36 anos; Confira as impressões da partida

A Áustria exerceu o seu favoritismo na estreia da Copa do Mundo de 2026, mas o roteiro no Levi’s Stadium, em Santa Clara, foi muito mais complexo do que o placar final mostra. Os austríacos venceram a Jordânia por 3 a 1 na rodada de abertura do Grupo J, conquistando um resultado emblemático, já que a vitória marcou o fim de um jejum de 36 anos sem triunfos da seleção europeia no torneio. A última vitória havia sido sobre os Estados Unidos, por 2 a 1, na Copa do Mundo de 1990. Com os três pontos garantidos, a equipe comandada por Ralf Rangnick larga bem na chave, embora saiba que precisará produzir mais nas próximas partidas.

Mais do que o peso do resultado, os noventa minutos serviram para expor as virtudes e a metodologia tática do modelo de jogo austríaco. O Das Team teve o controle da posse de bola durante a maior parte do confronto, mas esbarrou na falta de criatividade para romper as linhas de marcação bem postadas da Jordânia. Por outro lado, os jordanianos venderam caro a derrota, assustaram em rápidas transições ofensivas e protagonizaram um momento inesquecível para a sua história esportiva ao marcar o primeiro gol da seleção na história do torneio, logo em sua estreia na Copa do Mundo.

A seguir, quatro impressões que ficaram da vitória da Áustria sobre a Jordânia na estreia da Copa do Mundo.

O gol de Schmid amenizou os problemas de criação do primeiro tempo

O plano inicial da Áustria de tentar construir suas jogadas ofensivas por meio de ligações diretas se mostrou ineficiente nos primeiros movimentos. A seleção costuma jogar por meio de rápidas transições ao ataque, mas, diante do sistema de jogo jordaniano, teve de se adaptar. A Jordânia estava postada em um bloco defensivo entre o médio e o baixo e, assim, ofereceu enormes dificuldades de criação para os europeus, com perseguições curtas e encaixes precisos. Quando a Áustria perdia a bola, sua famosa pressão alta até funcionava para forçar o chutão e recuperar a posse, mas faltavam outras alternativas no último terço do campo para furar a defesa montada pelo técnico Jamal Sellami.

Romano Schmid, jogador do Werder Bremen, que abriu o placar aos 20 minutos, acabou mascarando um volume de jogo que ainda era ineficaz. Após uma boa troca de passes na intermediária, Schmid resolveu arriscar de fora da área e acertou um golaço espetacular no ângulo do goleiro Abu Laila. O gol deu tranquilidade no placar, mas não resolveu o problema estrutural do time. O futebol da Áustria seguiu permitindo que a Jordânia ganhasse confiança e assustasse o goleiro Alexander Schlager, que precisou trabalhar em finalizações perigosas de Al-Fakhouri e Ali Olwan antes do intervalo.

A entrada de Arnautović mudou o jogo

Insatisfeito com a pouca produtividade ofensiva no primeiro tempo, o técnico Ralf Rangnick agiu rápido e promoveu a entrada de Marko Arnautović no lugar de Kalajdžić. O experiente atacante passou a atuar como referência, incomodando os zagueiros da Jordânia, oferecendo apoios, segurando a bola e arrastando as marcações para criar espaços que antes não existiam.

Arnautović foi importante para a vitória da Áustria, participando diretamente dos lances que definiram o jogo no segundo tempo. Foi ele quem puxou a marcação do zagueiro Al-Arab no lance do gol contra, aos 76 minutos. Já nos acréscimos, também esteve diretamente envolvido na jogada que resultou no pênalti e assumiu a responsabilidade pela cobrança para converter em gol.

A Jordânia expôs caminhos contra a defesa da Áustria

A seleção da Jordânia deixou o gramado do Levi’s Stadium derrotada, mas com motivos para se orgulhar. Os jordanianos não se amedrontaram e souberam explorar os espaços deixados às costas dos volantes da Áustria. A recompensa pela grande partida veio logo aos 49 minutos. Em um contra-ataque cirúrgico puxado por Al-Rawabdeh, a bola chegou até Ali Olwan, que aproveitou a desorganização da defesa austríaca, cortou para o meio e bateu de chapa no ângulo, anotando o primeiro gol da história da Jordânia em Copas do Mundo.

O gol de empate mostrou como a transição defensiva da Áustria ofereceu riscos excessivos. A postura agressiva adotada por Rangnick, por vezes, deixa os zagueiros expostos a situações de mano a mano contra jogadores velozes, exatamente da forma como a Jordânia havia planejado. Além de Ali Olwan, Al-Taamari conseguiu finalizar com perigo contra a baliza austríaca. Se a Jordânia tivesse um pouco mais de capricho técnico no último passe e na finalização, poderia ter saído de campo com um resultado surpreendente.

O escanteio mostrou que pode ser a salvação da Áustria nos momentos de sufoco

A Áustria encontrou dificuldades para furar a defesa da Jordânia com a bola rolando. Sem conseguir entrar na área adversária por meio de triangulações e jogadas trabalhadas pelo chão, os austríacos apostaram nos cruzamentos venenosos em cobranças de escanteio para tirar a defesa jordaniana da zona de conforto.

Além do gol contra aos 76 minutos, após uma cobrança de escanteio de Sabitzer, a seleção austríaca já havia criado perigo anteriormente pela mesma jogada. Aos 67 minutos, após novamente cobrança de escanteio de Sabitzer, Arnautović chegou a marcar após Posch ajeitar a bola para o atacante, mas o gol foi anulado por toque de mão. Em partidas truncadas de Copa do Mundo, ter uma bola parada eficiente é, muitas vezes, o que separa um tropeço frustrante de uma vitória importante.

Créditos foto de capa: Alex Livesey – FIFA/FIFA via Getty Images