Áustria, Copa do Mundo 2026. Foto: Foto: Georg Hachmuch/AFP
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Áustria e Jordânia mostram características que podem complicar o jogo da Argentina

O movimentado duelo entre Áustria e Jordânia, disputado na madrugada de terça para quarta-feira, entregou exatamente aquilo que se espera de uma Copa do Mundo: intensidade, alternâncias e estilos distintos de jogo. A vitória austríaca por 3 a 1 refletiu a superioridade europeia em momentos decisivos, mas também evidenciou virtudes importantes dos jordanianos.

Após 28 anos de ausência, a Áustria voltou a disputar uma Copa do Mundo em grande estilo. Com dois gols de Marko Arnautovic, a equipe comandada por Ralf Rangnick mostrou eficiência para transformar domínio territorial em resultado.

A Jordânia, por sua vez, fez sua estreia em Mundiais sem se intimidar. Mesmo derrotada, a equipe de Jamal Sellami demonstrou velocidade, organização nas transições e capacidade de explorar espaços, especialmente pelos lados do campo.

E é justamente aí que mora o interesse da Argentina. Favorita do Grupo J, a seleção de Lionel Scaloni terá pela frente dois adversários com características bastante distintas, mas capazes de explorar pontos específicos do jogo argentino.

Pressão, intensidade e jogo físico: as armas da Áustria

O estilo implementado por Ralf Rangnick segue fiel aos princípios do gegenpressing: pressão agressiva após a perda da posse, recuperação rápida da bola e ataques verticais.

Em Santa Clara, a Áustria executou esse plano com eficiência durante boa parte da partida. Mesmo sem uma atuação inspirada de Saša Kalajdžić, os europeus conseguiram controlar o ritmo do jogo através da pressão constante sobre o portador da bola.

A principal característica esteve na forma como os austríacos encurtavam espaços. Os meio-campistas fechavam rapidamente as linhas de passe e obrigavam a Jordânia a recorrer a lançamentos ou rifar a posse.

Kalajdžić também ofereceu uma alternativa importante. Embora tenha desperdiçado algumas oportunidades, o atacante utilizou seus 2 metros de altura para vencer duelos físicos e servir como ponto de apoio no ataque. O sistema defensivo jordaniano sofreu especialmente nas bolas aéreas e nos contatos diretos.

Outro detalhe chamou atenção. Rangnick iniciou a partida com um meio-campo mais técnico e pesado, o que reduziu a velocidade da equipe. A entrada de Carney Chukwuemeka e Paul Wanner mudou o cenário. A Áustria passou a acelerar mais as transições, pressionar melhor no campo ofensivo e recuperar bolas em zonas perigosas.

São aspectos que podem representar dificuldades para a Argentina. Contra equipes que pressionam alto e diminuem os espaços para construção, a Scaloneta costuma ser obrigada a acelerar decisões. Além disso, a presença física austríaca pode gerar desafios extras em uma defesa que não tem a força aérea como principal característica, especialmente se Lisandro Martínez e Cristian Romero formarem novamente a dupla de zaga.

A velocidade da Jordânia pode explorar espaços da Argentina

A vitória argentina por 3 a 0 sobre a Argélia teve Lionel Messi como protagonista absoluto. Autor dos três gols da partida, o camisa 10 monopolizou as manchetes. Ainda assim, o placar não elimina alguns momentos de desconforto vividos pela Albiceleste.

Antes mesmo do primeiro gol válido de Messi, a Argélia chegou a balançar as redes. A jogada nasceu de uma rápida troca de passes entre Ibrahim Maza e Farès Chaïbi, que apareceu livre nas costas da defesa. O lance acabou anulado por impedimento, mas serviu como alerta.

Em diferentes momentos da partida, os argelinos conseguiram encontrar espaços através de movimentações curtas e associações rápidas pelo corredor central. Mesmo com menor qualidade técnica, criaram dificuldades pontuais para o sistema defensivo argentino.

É justamente nesse aspecto que a Jordânia pode encontrar caminhos.

A seleção asiática mostrou um jogo de transição extremamente veloz contra a Áustria. Fakhouri e Olwan foram fundamentais para acelerar os contra-ataques, enquanto Mousa Al-Tamari funcionou como principal referência ofensiva.

Além da velocidade dos atacantes, as ultrapassagens constantes do capitão Haddad pelo lado direito aumentaram o volume ofensivo jordaniano e criaram situações de superioridade numérica pelos corredores.

Naturalmente, a Argentina segue como ampla favorita diante dos jordanianos. Ainda assim, a estreia mostrou que a equipe de Sellami possui ferramentas para explorar eventuais espaços deixados pela defesa argentina, sobretudo em situações de transição.

Se a Áustria representa um teste de intensidade e força física, a Jordânia surge como um desafio de velocidade e mobilidade. Dois estilos diferentes, mas que oferecem pistas interessantes sobre os obstáculos que a Argentina poderá encontrar na sequência da fase de grupos.

Créditos da foto de capa: Georg Hachmuch/AFP