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Copa do Mundo: confira a seleção da primeira rodada do torneio

A primeira rodada da Copa do Mundo de 2026 já deixou claro o tom do torneio: equilíbrio em alguns jogos-chave, atuações individuais de alto impacto e uma seleção simbólica marcada por nomes que combinaram protagonismo técnico e influência direta nos resultados.

De Vozinha, que sustentou o empate histórico de Cabo Verde contra a Espanha, a Lionel Messi, que começou mais uma Copa em modo decisivo, a lista reúne jogadores que não apenas se destacaram estatisticamente, mas também mudaram o rumo das partidas em que atuaram.

Confira a seleção da primeira rodada da Copa do Mundo:

Goleiro – Vozinha (Cabo Verde)

A histórica atuação de Vozinha no empate por 0 a 0 entre Cabo Verde e Espanha rendeu ao veterano goleiro um lugar mais do que merecido na seleção da primeira rodada da Copa do Mundo de 2026. Aos 40 anos, o capitão cabo-verdiano foi o principal responsável por garantir o primeiro ponto da história do país em Mundiais, protagonizando uma exibição que rapidamente se tornou uma das grandes histórias do início do torneio. Diante de uma das favoritas ao título, Vozinha mostrou segurança, liderança e sangue frio para transformar uma noite de enorme pressão em um capítulo inesquecível para o futebol cabo-verdiano.

Os números ajudam a explicar por que o arqueiro foi escolhido entre os melhores da rodada. Vozinha terminou a partida com sete defesas, manteve sua meta inviolada e foi eleito o melhor jogador em campo, frustrando uma Espanha que dominou a posse de bola e finalizou 27 vezes ao longo dos 90 minutos.

O goleiro ainda se tornou um dos raros arqueiros a registrar sete ou mais defesas em uma partida de Copa do Mundo desde 1966, além de estabelecer a marca de goleiro mais velho a estrear em um Mundial sem sofrer gols. As intervenções diante de Pedri, Mikel Oyarzabal e, posteriormente, Lamine Yamal, impediram que a pressão espanhola se transformasse em vantagem no placar.

Lateral direito – Joshua Kimmich (Alemanha)

Joshua Kimmich foi um dos grandes destaques da vitória da Alemanha por 7 a 1 sobre Curaçao na estreia da Copa do Mundo de 2026. Atuando novamente como lateral-direito e capitão da equipe de Julian Nagelsmann, o jogador do Bayern comandou a circulação de bola alemã e terminou a partida com duas assistências, uma para Jamal Musiala e outra para Deniz Undav. Além disso, registrou cinco passes decisivos (key passes), o maior número de qualquer jogador na primeira rodada do Mundial.

O camisa 6 foi responsável por ditar o ritmo da partida, participando constantemente da construção ofensiva e sendo peça fundamental na movimentação fluida da Alemanha. Sua assistência para o gol de Musiala, logo no início do segundo tempo, surgiu após um passe em profundidade preciso que desmontou a defesa de Curaçao. Mais tarde, Kimmich voltou a aparecer ao servir Undav para o sexto gol alemão. Segundo dados levantados após a rodada, nenhum outro jogador criou tantas oportunidades quanto o capitão alemão.

Apesar do excelente desempenho ofensivo, houve um pequeno senão na atuação do veterano de 31 anos. No lance do histórico gol de Curaçao, marcado por Livano Comenencia, a finalização ainda desviou em Kimmich antes de enganar Manuel Neuer. O episódio, entretanto, não apagou uma atuação dominante, que lhe rendeu elogios na imprensa alemã e reforçou sua importância em uma seleção que busca recuperar o protagonismo em Copas do Mundo.

Zagueiro – Dayot Upamecano (França)

Dayot Upamecano teve uma atuação de destaque na vitória da França por 3 a 1 sobre Senegal na estreia da Copa do Mundo de 2026. Em uma partida em que Senegal criou problemas especialmente no primeiro tempo, o zagueiro do Bayern se destacou pela liderança e pela capacidade de recuperação, recebendo elogios por sua solidez defensiva e sendo descrito pelo jornal Le Progrès como “um verdadeiro chefe da defesa” dos Bleus.

Apesar de um momento delicado em que Nicolas Jackson ganhou uma disputa em velocidade e acertou a trave de Mike Maignan, Upamecano respondeu com uma atuação segura ao longo do restante do confronto. O defensor foi importante nos duelos físicos contra Jackson e Sadio Mané, além de contribuir para a saída de bola francesa e neutralizar boa parte das investidas senegalesas no segundo tempo, período em que a França cresceu na partida e construiu a vitória.

Os números reforçam o que foi visto em campo. Upamecano terminou o jogo com 100% de aproveitamento nos desarmes (3/3), venceu sete dos nove duelos disputados, realizou cinco recuperações de posse, interceptou duas bolas perigosas e acertou mais de 90% dos passes tentados. A combinação entre força física e qualidade na construção fez com que muitos analistas considerassem sua exibição uma das melhores entre os defensores na primeira rodada do Mundial.

Zagueiro – Nico Schlotterback (Alemanha)

Nico Schlotterbeck foi um dos destaques da goleada da Alemanha por 7 a 1 sobre Curaçao na estreia da Copa do Mundo. O zagueiro do Borussia Dortmund teve papel decisivo ao marcar, aos 38 minutos, o gol que recolocou os alemães em vantagem após o empate histórico de Livano Comenencia para os caribenhos. O defensor aproveitou uma cobrança de escanteio de Nathaniel Brown e cabeceou para as redes, iniciando a sequência que transformaria o jogo em uma exibição dominante da equipe de Julian Nagelsmann.

Além do gol, Schlotterbeck foi uma presença constante nas duas áreas. Apesar de ter participado da jogada que culminou no gol de Curaçao, o camisa 15 se recuperou rapidamente e terminou a partida com dez ações defensivas, cinco interceptações, quatro cortes e um desarme vencido, além de dominar os duelos pelo alto. Sua atuação nos lances de bola parada foi especialmente elogiada, tanto pelo perigo ofensivo quanto pela segurança defensiva.

O desempenho também recebeu elogios públicos do técnico Julian Nagelsmann, que destacou a forma como Schlotterbeck reagiu após o gol sofrido e ressaltou o apoio recebido dos companheiros de defesa, como Antonio Rüdiger e Waldemar Anton. O treinador vê o espírito coletivo demonstrado pelo zagueiro como um aspecto fundamental para o sucesso da Alemanha no torneio.

Lateral esquerdo – Nathaniel Brown (Alemanha)

Nathaniel Brown foi uma das grandes revelações da primeira rodada da Copa do Mundo graças à sua atuação na goleada da Alemanha. Fazendo sua estreia em Mundiais, o lateral-esquerdo de 22 anos teve participação direta em dois gols, contribuindo com uma assistência para o cabeceio de Nico Schlotterbeck e marcando o quinto gol alemão com uma bela finalização de voleio. O desempenho chamou a atenção pela naturalidade com que Brown se integrou ao sistema ofensivo de Julian Nagelsmann e pela intensidade que ofereceu ao lado esquerdo da Mannschaft.

Além dos números, Brown impressionou pela qualidade técnica e pela capacidade de aparecer em diferentes zonas do campo. O jogador participou ativamente da circulação de bola, deu profundidade ao ataque e mostrou personalidade mesmo em sua primeira partida em Copa do Mundo. Sua atuação recebeu elogios de companheiros como Kai Havertz e foi destacada pela imprensa alemã como um dos pontos mais positivos da estreia.

Com um gol, uma assistência e uma atuação segura defensivamente, Nathaniel Brown terminou a primeira rodada como um dos laterais de maior impacto do torneio e reforçou a impressão de que a Alemanha encontrou mais uma peça importante para o presente e o futuro.

Volante – Elliot Anderson (Inglaterra)

Elliot Anderson foi um dos nomes mais elogiados da vitória da Inglaterra por 4 a 2 sobre a Croácia na estreia da Copa do Mundo. Titular no meio-campo ao lado de Declan Rice e Jude Bellingham, o jogador do Nottingham Forest teve participação decisiva no terceiro gol inglês, ao encontrar Bellingham com um passe em profundidade preciso logo no início do segundo tempo. A assistência ajudou a mudar os rumos de uma partida que havia chegado empatada em 2 a 2 ao intervalo.

Além da contribuição ofensiva, Anderson foi importante no trabalho sem a bola. Sua marcação agressiva sobre Luka Modric e a intensidade na pressão sobre os meio-campistas croatas, fator considerado fundamental para diminuir a influência do veterano capitão adversário, substituído antes da metade da etapa final.

Taticamente, o camisa 8 teve papel importante no ajuste promovido por Tuchel no intervalo. Com a Inglaterra mais compacta e eficiente na pressão, Anderson aumentou sua participação nas recuperações de bola e ajudou a equipe a dominar os duelos físicos e territoriais. O crescimento inglês na segunda etapa passou pela melhora coletiva, mas também pela capacidade do meio-campista de conectar defesa e ataque com rapidez e intensidade.

Meia – Ayyoub Bouaddi (Marrocos)

Ayyoub Bouaddi foi um dos grandes nomes da primeira rodada da Copa do Mundo graças à atuação dominante no empate por 1 a 1 entre Marrocos e Brasil. Em sua estreia em Mundiais, o meio-campista de apenas 18 anos comandou o setor central dos Leões do Atlas com uma maturidade impressionante. O jovem do Lille terminou o jogo com 87 toques na bola, a maior marca entre os jogadores marroquinos.

Os números ajudam a explicar o impacto de Bouaddi. O volante acertou 91% dos passes, não errou nenhuma tentativa no campo ofensivo, venceu nove de 14 duelos e liderou Marrocos em passes completados. Além disso, percorreu 11,87 km, maior distância entre todos os jogadores em campo, mostrando intensidade tanto com a bola quanto na pressão sem ela.

Outro aspecto que chamou a atenção foi a forma como Bouaddi conseguiu neutralizar parte do meio-campo brasileiro. Sua intensidade e movimentação deixaram Casemiro em dificuldades, enquanto a pressão marroquina provocou diversos erros na saída de bola da seleção brasileira. O meia marroquino se destacou pela tranquilidade em situações de pressão e pela facilidade em conectar os setores da equipe, dando fluidez às triangulações e ao jogo associativo que caracterizou a atuação de Marrocos.

Meia – Kang-In Lee (Coreia do Sul)

Kang-In Lee foi um dos principais nomes da vitória da Coreia do Sul por 2 a 1 sobre a Tchéquia. O meia do Paris Saint-Germain foi o cérebro ofensivo da equipe de Hong Myung-bo e teve participação direta na reação sul-coreana ao dar a assistência para o gol de empate marcado por Hwang In-beom. Mais do que o passe decisivo, Lee comandou o jogo entre as linhas e foi a principal fonte de criatividade dos Tigres Asiáticos.

Os números ajudam a explicar o tamanho de sua atuação. Kang-In Lee completou todos os 38 passes que tentou, registrando um impressionante aproveitamento de 100%, além de criar duas grandes oportunidades e se tornar o primeiro jogador desde Eden Hazard, em 2018, a registrar pelo menos cinco dribles certos e sofrer quatro faltas em uma partida de Copa do Mundo. O camisa 18 tentou seis dribles e acertou cinco, sendo constantemente a válvula de escape da Coreia do Sul contra a marcação física dos tchecos.

A atuação repercutiu fortemente na imprensa sul-coreana e entre torcedores europeus, muitos questionando como um jogador com tamanha qualidade técnica não consegue ter mais minutos no estrelado elenco do PSG. Com uma assistência, 100% de aproveitamento nos passes e uma atuação dominante em termos criativos, Kang-In Lee se credenciou como um dos melhores meias da primeira rodada do Mundial.

Atacante – Lionel Messi (Argentina)

Lionel Messi foi, mais uma vez, o grande protagonista da Argentina na estreia da Copa do Mundo. Na vitória por 3 a 0 sobre a Argélia, em Kansas City, o camisa 10 marcou os três gols da partida e registrou o primeiro hat-trick de sua carreira em Mundiais, conduzindo os atuais campeões do mundo a um início tranquilo na defesa do título. Aos 38 anos, em sua sexta Copa do Mundo, Messi disputou também sua 200ª partida pela seleção argentina e igualou Miroslav Klose na liderança da artilharia histórica dos Mundiais, com 16 gols.

Mais do que os números, a atuação do astro argentino chamou a atenção pela maneira como ele comandou o jogo. O primeiro gol saiu aos 17 minutos, aproveitando uma assistência de Rodrigo De Paul. No segundo tempo, Messi voltou a aparecer para ampliar após um rebote e fechou a conta aos 76 minutos com uma finalização característica, daquelas que se tornaram marca registrada ao longo de sua carreira. Mesmo retornando recentemente de um problema muscular, o capitão argentino demonstrou mobilidade, precisão e controle do ritmo da partida, sendo constantemente encontrado pelos companheiros e funcionando como o centro criativo da equipe de Lionel Scaloni.

Os números coletivos também evidenciam sua influência. Embora a Argélia tenha terminado com mais posse de bola e maior número de passes, a Argentina foi extremamente eficiente, finalizando seis vezes no alvo e praticamente não sofrendo defensivamente. Messi participou das principais jogadas ofensivas e transformou uma partida que prometia ser complicada em uma exibição relativamente confortável para a Albiceleste.

Atacante – Kylian Mbappé (França)

Kylian Mbappé foi novamente decisivo na estreia da França na Copa do Mundo, em um jogo em que o atacante viveu uma atuação de dois tempos bem distintos, mas terminou como o principal nome da partida.

No primeiro tempo, Mbappé participou pouco da construção e chegou a desperdiçar algumas jogadas em um contexto de equipe desorganizada, com Senegal conseguindo travar os espaços entrelinhas e forçar erros técnicos da seleção francesa. A mudança veio após ajustes táticos de Didier Deschamps no intervalo, que reorganizou o ataque e liberou mais o trio ofensivo. A partir daí, Mbappé passou a receber bolas em zonas mais favoráveis e começou a atacar a profundidade com mais frequência, mudando completamente o ritmo da França.

O impacto do atacante ficou claro na segunda metade: ele marcou dois gols, um abrindo o placar após assistência de Michael Olise e outro em finalização de longa distância, e ainda liderou o time em momentos de transição ofensiva, explorando os espaços deixados pelo Senegal. Com isso, a França não apenas virou a partida, como consolidou uma vitória segura.

Atacante – Harry Kane (Inglaterra)

Harry Kane teve uma atuação decisiva na estreia da Inglaterra. O capitão inglês marcou duas vezes ainda no primeiro tempo e foi peça central em um jogo que começou caótico e terminou com controle inglês após o intervalo. O primeiro gol veio de pênalti, que foi inicialmente desperdiçado, mas convertido na repetição, e o segundo em uma jogada aérea que voltou a expor sua presença constante na área adversária.

A partida teve um enredo de altos e baixos para a Inglaterra. Mesmo com Kane colocando os ingleses em vantagem em duas ocasiões, a Croácia reagiu e conseguiu empatar antes do intervalo, explorando falhas defensivas e o ritmo irregular da equipe de Thomas Tuchel.

Na volta do intervalo, o impacto de Kane permaneceu, mas a Inglaterra passou a dividir mais a responsabilidade ofensiva. Jude Bellingham recolocou os ingleses em vantagem logo no início da segunda etapa, e Marcus Rashford fechou o placar nos minutos finais, selando o placar final. Ainda assim, Kane foi elogiado não apenas pelos gols, mas também por contribuições menos visíveis, como uma ação defensiva importante para evitar uma chance clara da Croácia.

Menções honrosas

Goleiro – Patrick Beach (Austrália)
Lateral direito – Ramin Rezaiean (Irã)
Zagueiro – Diney Borges (Cabo Verde)
Zagueiro – Sead Kolasinac (Bósnia)
Lateral esquerdo – Richie Laryea (Canadá)
Meia – Declan Rice (Inglaterra)
Meia – MIchael Olise (França)
Meia – Elijah Just (Nova Zelândia
Atacante  – Erling Haaland (Noruega)
Atacante – Viktor Gyokeres (Suécia)
Atacante – Alexander Isak (Suécia)
Atacante – Folarin Balogun (Estados Unidos)

Foto: JUAN MABROMATA/AFP