O Brasil conquistou sua primeira vitória na Copa do Mundo de 2026 ao derrotar o Haiti por 3 a 0, chegou aos quatro pontos no Grupo C e deu um passo importante rumo à classificação para a fase eliminatória. O placar, construído ainda no primeiro tempo com dois gols de Matheus Cunha e um de Vinicius Júnior, trouxe tranquilidade para a equipe de Carlo Ancelotti.
No entanto, apesar do resultado confortável, a atuação deixou uma sensação curiosa. O Brasil foi eficiente, venceu sem sofrer gols e alcançou marcas históricas na Copa do Mundo, mas ainda está longe de convencer como uma das grandes favoritas ao título. Enquanto seleções como Argentina e França já mostraram desempenhos dominantes em suas primeiras partidas, a Seleção Brasileira segue cercada por questionamentos sobre seu verdadeiro potencial.
A vitória sobre o Haiti serviu para aliviar a pressão após o empate por 1 a 1 contra Marrocos, mas também reforçou a impressão de que a equipe ainda procura sua melhor versão sob o comando de Ancelotti.
Um primeiro tempo dominante e um segundo tempo preocupante

Os primeiros 45 minutos foram exatamente o que o torcedor brasileiro esperava ver.
Desde o início, o Brasil controlou a posse de bola, encontrou espaços com facilidade e transformou sua superioridade técnica em gols. Matheus Cunha viveu sua melhor atuação na competição até agora, marcando duas vezes e se movimentando constantemente para dificultar o trabalho da defesa haitiana.
Vinicius Júnior também voltou a ser decisivo. O atacante marcou mais um gol importante e chegou a seis participações diretas em gols em apenas seis jogos de Copa do Mundo. São três gols e três assistências, números que reforçam sua importância dentro do projeto de Ancelotti.
A atuação ofensiva do primeiro tempo parecia indicar que o Brasil finalmente estava encontrando o ritmo esperado para uma equipe que sonha com o hexacampeonato.
Porém, a segunda etapa trouxe um cenário completamente diferente.
Após construir a vantagem de três gols, a Seleção diminuiu o ritmo de forma considerável. O que chamou atenção não foi apenas a queda de intensidade, mas a incapacidade de continuar criando perigo.
O Brasil não conseguiu acertar uma única finalização no gol durante todo o segundo tempo. Mais surpreendente ainda foi o fato de o Haiti ter finalizado sete vezes na etapa final, contra apenas duas tentativas brasileiras.
Embora os haitianos não tenham conseguido transformar essas oportunidades em gols, os números mostram que a Seleção perdeu o controle da partida por longos períodos. Contra adversários mais fortes, esse tipo de comportamento pode custar caro.
Ancelotti aprova a atuação, mas admite que ainda há espaço para evolução

Apesar das críticas sobre a queda de rendimento, Carlo Ancelotti saiu satisfeito com o desempenho da equipe.
O treinador destacou principalmente a evolução em relação ao empate contra Marrocos. Na visão do italiano, o Brasil cometeu menos erros, foi mais eficiente ofensivamente e conseguiu executar melhor o plano de jogo.
Uma das decisões mais elogiadas da partida foi a utilização de Matheus Cunha como referência ofensiva. O atacante respondeu com dois gols e mostrou características que agradam ao treinador.
Ancelotti revelou que a posição foi discutida internamente antes da partida e deixou claro que não pretende dar uma identidade fixa para a equipe neste momento da competição. A declaração indica que mudanças táticas podem continuar acontecendo ao longo do torneio.
O próximo compromisso contra a Escócia será um teste interessante para medir essa evolução. Segundo o treinador, o foco não está em eliminar adversários ou fazer contas de classificação, mas em melhorar o desempenho coletivo e garantir a liderança do grupo.
Essa preocupação faz sentido. Embora o Brasil esteja próximo da classificação, a sensação é de que a equipe ainda não atingiu o nível apresentado por outras candidatas ao título.
Neymar, Raphinha e as dúvidas para a sequência da Copa

Outro tema que ganhou destaque após a vitória foi a situação física de alguns jogadores importantes.
A principal preocupação envolve Raphinha. O atacante, que foi o artilheiro brasileiro nas Eliminatórias com cinco gols, deixou o campo lesionado aos 40 minutos do primeiro tempo. Até o momento, a gravidade do problema ainda não foi confirmada.
A ausência de Raphinha seria uma perda importante para a Seleção. Além da capacidade de decisão, o jogador oferece profundidade, velocidade e intensidade na pressão sem a bola.
Por outro lado, o Brasil recebeu uma notícia positiva em relação a Neymar.
Fora da Seleção desde outubro de 2023 e enfrentando problemas físicos recentes, o camisa 10 não viajou para a partida contra o Haiti. Mesmo assim, Ancelotti confirmou que ele voltará aos treinamentos e estará disponível para enfrentar a Escócia.
A possível volta de Neymar divide opiniões. Há quem veja no atacante um jogador capaz de elevar imediatamente o nível técnico da equipe. Outros questionam seu momento físico e até mesmo se ele merecia uma vaga na convocação.
Independentemente da discussão, é inegável que sua presença aumenta as opções ofensivas de Ancelotti para os jogos mais importantes da competição.
Além disso, os torcedores tiveram a oportunidade de ver Endrick disputar seus primeiros minutos em uma Copa do Mundo. Aos 19 anos, ele se tornou o sétimo jogador mais jovem a representar o Brasil no torneio. Apesar de ter tido um gol anulado e pouca participação ofensiva, sua entrada simboliza a renovação de uma geração que ainda deve ganhar espaço nos próximos anos.
No fim das contas, a vitória sobre o Haiti cumpriu seu papel mais imediato: colocar o Brasil em posição confortável no Grupo C. Mas o desempenho também deixou uma pergunta no ar. A Seleção já mostrou lampejos de qualidade, bateu recordes históricos e está próxima da classificação, mas ainda não apresentou o futebol dominante que muitos esperam de uma equipe comandada por Ancelotti. A Copa do Mundo segue avançando, e a sensação é que o verdadeiro Brasil ainda está tentando aparecer.
(Foto de capa: Rafael Ribeiro/CBF)