Marc Guéhi - Inglaterra
Futebol Copa do Mundo

Inglaterra: como Marc Guéhi pode elevar o nível da equipe na Copa do Mundo

A Inglaterra estreou na Copa do Mundo com vitória por 4 a 2 sobre a Croácia e, naturalmente, boa parte dos elogios ficou voltada para o setor ofensivo. O time mostrou força no ataque, criou oportunidades e conseguiu construir um resultado importante logo na primeira rodada. No entanto, nem tudo foi positivo. Apesar dos quatro gols marcados, a atuação defensiva deixou algumas dúvidas e abriu espaço para um debate que pode ganhar força nos próximos dias: Marc Guéhi deveria ser titular da seleção inglesa?

A pergunta faz sentido por alguns motivos. O primeiro deles é bastante simples. Mesmo vencendo, a Inglaterra concedeu oportunidades ao adversário e viu sua defesa cometer erros que acabaram custando gols. Em uma competição curta como a Copa do Mundo, esse tipo de situação costuma chamar atenção rapidamente, principalmente quando existe uma alternativa forte disponível no banco de reservas

Antes mesmo da estreia, a ausência de Guéhi entre os titulares já havia causado certa surpresa. Afinal, o zagueiro chega ao Mundial vivendo um momento muito positivo na carreira e parecia ter boas chances de iniciar a competição entre os onze escolhidos por Thomas Tuchel. Depois do que aconteceu diante da Croácia, a discussão naturalmente ganhou ainda mais força.

É claro que não seria correto apontar um único culpado pelos problemas defensivos apresentados pela Inglaterra. O futebol raramente funciona dessa forma. Ainda assim, alguns detalhes da escalação utilizada por Tuchel chamam atenção.

Neste cenário, chegamos em John Stones. O inglês é um jogador de enorme qualidade e possui uma trajetória que dispensa apresentações. No entanto, a verdade é que existe um contexto que não pode ser ignorado.

Além de chegar à Copa do Mundo sem uma sequência tão grande de partidas, Stones foi utilizado em um setor do campo que não costuma ser o mais habitual para ele. Durante boa parte da carreira recente, o defensor atuou pelo lado direito da zaga. Contra a Croácia, na estreia da Copa, o atleta apareceu do lado esquerdo. E é justamente neste ponto que Guéhi entra na discussão.

Inglaterra pode ter encontrado solução para problemas defensivos

Mesmo sendo destro, Marc Guéhi desenvolveu segurança jogando pelo lado esquerdo da defesa. Sendo assim, fica difícil não questionar a decisão de deixar um jogador acostumado à função no banco para adaptar outro atleta à posição. Ainda mais quando analisamos o momento vivido por ambos.

Guéhi chega à Copa do Mundo em alta após uma temporada muito positiva no Manchester City. Em um elenco extremamente competitivo, o defensor conseguiu conquistar espaço e mostrar evolução em diferentes aspectos do jogo. Além disso, não se trata apenas de um zagueiro seguro defensivamente. O inglês também apresenta qualidade na construção das jogadas e capacidade para atuar em sistemas diferentes. Esse crescimento acaba tornando sua ausência entre os titulares ainda mais difícil de entender.

Afinal, quando um jogador vive grande fase, atua naturalmente na posição que o treinador precisa preencher e ainda demonstra capacidade para competir em alto nível, o caminho mais lógico normalmente é colocá-lo em campo. Por isso, existe uma sensação de que a Inglaterra talvez esteja deixando uma solução importante no banco de reservas.

A questão fica ainda mais interessante quando lembramos que Guéhi não está apenas vivendo boa fase. O defensor também oferece uma alternativa que parece encaixar melhor naquilo que a Inglaterra demonstrou precisar na estreia. Em uma partida onde a equipe mostrou vulnerabilidade em alguns momentos sem a bola, utilizar um jogador acostumado à função e que chega em alta parece uma possibilidade bastante razoável.

Inglaterra precisa decidir qual será o futuro da defesa

É verdade que Tuchel possui alternativas para encaixar Guéhi sem necessariamente abrir mão de outros jogadores. Uma delas seria a utilização de uma linha com três zagueiros. Nesse cenário, a Inglaterra conseguiria aumentar sua solidez defensiva e ao mesmo tempo manter nomes que a comissão técnica considera importantes.

A possibilidade existe e não seria exatamente uma surpresa. Porém, se essa mudança não acontecer, a discussão se torna ainda mais simples.

Caso a Inglaterra mantenha a estrutura utilizada na estreia, parece difícil justificar a ausência de Guéhi na equipe titular. E isso não acontece apenas pelos erros da zaga vistos contra a Croácia. Na realidade, a questão passa muito mais pelo momento atual de cada jogador e pela forma como as características de Guéhi parecem encaixar melhor no que a equipe precisa.

Neste cenário, surge a pergunta inevitável: quem sairia do time?

Konsa é um jogador que claramente possui a confiança de Tuchel e oferece características físicas importantes. Ainda assim, sua atuação contra a Croácia não foi suficiente para afastar qualquer dúvida. Já Stones vive uma situação diferente. Embora tenha mais experiência e uma carreira extremamente consolidada, a falta de ritmo recente e a adaptação de posição acabam pesando contra ele.

Desta forma, se a Inglaterra continuar utilizando apenas dois zagueiros, a impressão deixada pela primeira rodada é que Guéhi merece uma oportunidade. E, olhando para o contexto atual, Stones parece ser quem mais corre risco de perder espaço. Não porque seja um jogador inferior. Longe disso. Mas porque o momento favorece Guéhi. 

O defensor chega mais adaptado à função, vive uma fase muito positiva e oferece características que podem ajudar a Inglaterra a encontrar um equilíbrio maior sem a bola.

O fato é que a estreia deixou sinais que não devem ser ignorados. A Inglaterra venceu, somou três pontos e mostrou força ofensiva suficiente para empolgar sua torcida. Porém, ao mesmo tempo, também evidenciou questões defensivas que podem se tornar um problema contra adversários mais fortes. Neste cenário, a entrada de Guéhi parece uma solução bastante natural. 

Agora resta saber se Tuchel enxergará a situação da mesma forma ou se seguirá apostando na formação que iniciou a caminhada da Inglaterra nesta Copa do Mundo.