Jérémy Doku
Futebol Copa do Mundo

Doku fez a escolha certa entre a Copa do Mundo e o filho

No meio da Copa do Mundo, Jérémy Doku tomou uma decisão que certamente não agradou todo mundo. O atacante deixou a concentração da Bélgica, viajou para a Inglaterra e acompanhou o nascimento do seu primeiro filho. Enquanto isso, sua seleção entrou em campo sem ele e empatou por 0 a 0 com o Irã. O resultado complicou a situação dos belgas, que chegaram ao segundo empate no torneio e agora correm sério risco de eliminação. Caso a Bélgica não vença a Nova Zelândia na última rodada, a despedida da Copa pode se tornar realidade.

Mesmo assim, é difícil olhar para a escolha de Doku e enxergar algo negativo. Afinal, o jogador não abandonou a seleção, não criou um problema interno e nem entrou em conflito com a federação. Pelo contrário. A viagem aconteceu com autorização da Bélgica, que compreendeu perfeitamente a situação. O atacante simplesmente decidiu estar presente em um momento que, para muita gente, representa o ponto mais importante da existência humana. 

Jérémy Doku colocou a família acima da Copa do Mundo

Quando falamos sobre Copa do Mundo, é normal que tudo pareça gigantesco. O torneio mobiliza países inteiros, muda carreiras e cria histórias que ficam marcadas para sempre. Porém, existe um detalhe que às vezes acaba esquecido no meio de toda essa pressão: os jogadores continuam sendo pessoas.

Doku não deixou de ser pai porque está disputando uma Copa do Mundo. Da mesma forma, sua esposa não deixou de precisar dele porque existe um jogo importante pela frente. O futebol é enorme, mas a vida pessoal continua existindo.

Talvez por isso a atitude do belga tenha recebido tanto apoio dentro do próprio futebol. Muitos atletas entenderam imediatamente o que estava acontecendo. Não era uma questão de escolher entre seleção e clube. Não era uma questão de compromisso profissional. Era simplesmente a escolha entre participar de um jogo de futebol ou estar presente no nascimento do primeiro filho. E essa diferença é importante.

Doku atuou normalmente na estreia da Bélgica e voltará para o terceiro jogo da fase de grupos. O único compromisso perdido foi justamente aquele que coincidiu com o nascimento da criança. Em outras palavras, o atacante não virou as costas para a Copa. Apenas decidiu que existia algo que merecia prioridade absoluta naquele momento específico.

Durante a repercussão da história, uma jornalista francesa afirmou que um pai seria “completamente inútil” durante o nascimento de um filho. A declaração gerou enorme rejeição e acabou sendo muito criticada por torcedores, profissionais da imprensa e pessoas ligadas ao futebol. Neste cenário, não demorou para surgirem manifestações de apoio ao jogador, inclusive de atletas de outras seleções. E talvez isso possa ilustrar a situação.

Independentemente da camisa que vestem, muitos jogadores se enxergaram na posição de Doku. Afinal, eles também têm famílias, filhos, esposas e responsabilidades que vão muito além dos 90 minutos em campo. Em um ambiente onde normalmente existe rivalidade para tudo, o apoio quase unânime ao belga mostra que a maioria entendeu perfeitamente sua escolha.

Jérémy Doku escolheu o que era mais importante

O futebol costuma cobrar dos atletas um nível de dedicação quase impossível. Muitas vezes os jogadores passam semanas longe de casa, perdem aniversários, datas especiais e momentos importantes ao lado das pessoas que amam. Isso faz parte da profissão. Porém, existe uma diferença entre aceitar sacrifícios e abrir mão de experiências únicas. O nascimento do primeiro filho entra justamente nessa categoria.

Haverá outro jogo para disputar. Haverá outra temporada. Haverá outras competições importantes. No caso de Doku, existe até a possibilidade de disputar outras Copas do Mundo nos próximos anos. O que não existirá novamente será o nascimento daquele filho específico. Aquele momento aconteceu uma única vez.

Neste cenário, talvez a grande lição dessa história seja justamente lembrar que nem tudo precisa ser analisado apenas pelo lado esportivo. Sim, a Bélgica precisava do jogador. Sim, o empate contra o Irã foi um resultado ruim. E não podemos negar que sua ausência pode ter influenciado o resultado da partida de alguma forma. Mas existem situações em que o resultado do jogo deixa de ser a questão principal.

Não seria a primeira vez que um atleta toma uma decisão parecida. Outros jogadores já deixaram concentrações para acompanhar o nascimento dos filhos. Alguns conseguiram estar presentes. Outros não tiveram essa oportunidade. Em comum, existe o fato de que praticamente todos entendem a importância desse momento.

Doku teve uma escolha para fazer. Entre permanecer na concentração ou acompanhar o nascimento do filho, ele escolheu aquilo que considerou mais importante. E, sinceramente, é difícil condenar alguém por isso. A Copa do Mundo é um sonho para qualquer jogador. Representar o próprio país em um torneio desse tamanho é algo especial. Porém, existem acontecimentos que ultrapassam qualquer competição esportiva.

No fim das contas, quando Doku encerrar a carreira e deixar os gramados para trás, provavelmente continuará se lembrando deste dia. Não porque a Bélgica empatou com o Irã ou porque a situação do seu país ficou mais complicada na Copa do Mundo. Mas porque foi o dia em que conheceu o próprio filho.

Créditos da foto de capa: Getty Images.