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A década de domínio de Messi que quase não aconteceu; Confira

A trajetória de Lionel Messi com a seleção da Argentina poderia ter terminado em uma noite de frustração, antes mesmo de alcançar o período mais vitorioso de sua carreira internacional. Em 26 de junho de 2016, depois da derrota para o Chile na final da Copa América Centenário, o craque anunciou, aos 29 anos, que estava deixando a Albiceleste. O que hoje parece quase inimaginável esteve muito perto de acontecer: a Argentina poderia ter perdido justamente o jogador que, anos depois, seria responsável por conduzi-la à conquista dos principais títulos da era moderna.

Naquela ocasião, Messi carregava um peso que transcendia o futebol. A Argentina havia perdido a final da Copa do Mundo de 2014 para a Alemanha e também as decisões da Copa América de 2007, 2015 e 2016. A sequência de derrotas alimentava uma cobrança cada vez maior sobre o camisa 10, constantemente comparado a Diego Maradona e acusado por parte da imprensa e dos torcedores de não conseguir repetir, pela seleção, o desempenho extraordinário apresentado no Barcelona. A pressão transformava cada partida em uma prova pessoal constante.

O contexto ajuda a dimensionar essa pressão. Messi já era considerado um dos maiores jogadores da história, acumulava títulos nacionais e quatro conquistas da UEFA Champions League pelo Barcelona, além de cinco Bolas de Ouro naquele momento. Ainda assim, sua relação com a seleção argentina era marcada por uma contradição: individualmente, havia estabelecido recordes e se tornado o maior goleador da história do país, mas continuava sem um grande título pela equipe principal. O contraste entre sua grandeza no clube e a ausência de troféus pela Argentina ampliava a cobrança.

A derrota para o Chile, decidida nos pênaltis após Messi desperdiçar sua cobrança, representou o limite emocional. “Para mim, a seleção acabou”, declarou o argentino, deixando claro que a decisão não era apenas uma reação passageira. Segundo a reconstrução apresentada pela BBC, aquela não havia sido a primeira vez que o ex-jogador de Barcelona e PSG cogitara abandonar a seleção argentina, mas foi a primeira ocasião em que tornou pública sua intenção de deixar a equipe nacional e encerrar seu ciclo com a Albiceleste.

A reação argentina, porém, foi imediata. Companheiros, torcedores e figuras importantes do futebol passaram a pedir que Messi reconsiderasse a decisão. A campanha #NoTeVayasMessi ganhou força nas redes sociais, enquanto jogadores como Sergio Romero destacavam ser impossível imaginar a seleção argentina sem seu principal craque. A pressão, desta vez, não era para que o atacante vencesse uma final, mas para que permanecesse, continuasse tentando e liderasse a equipe em busca de novas conquistas com a camisa da Albiceleste.

Pouco mais de seis semanas depois, veio a reviravolta. Em agosto de 2016, Messi anunciou que continuaria defendendo a Argentina, motivado pelo desejo de representar seu país e buscar títulos com a seleção. A decisão alterou completamente o curso de sua trajetória internacional. A partir dali, o jogador que havia sido tratado como símbolo das frustrações argentinas começou a construir uma nova história, marcada por conquistas, amadurecimento, liderança e protagonismo. Sua permanência seria decisiva para transformar a relação com a Albiceleste nos anos seguintes.

A mudança não aconteceu de imediato. Messi ainda enfrentaria novas decepções e críticas, mas o cenário começou a se transformar. Em 2021, finalmente conquistou a Copa América, derrotando o Brasil no Maracanã. No ano seguinte, alcançou o ponto máximo ao liderar a Argentina na conquista da Copa do Mundo de 2022, no Catar, diante da França. Depois, voltou a levantar a Copa América em 2024. Desde a decisão de permanecer na seleção, sua trajetória internacional ganhou um novo significado.

Por isso, a história de Messi com a Argentina não é apenas uma sequência de títulos. É também a história de uma carreira que esteve muito perto de terminar internacionalmente antes que sua fase mais gloriosa começasse. O jogador que em 2016 deixou o campo em lágrimas e acreditou que não conseguiria realizar seu maior sonho acabou se tornando campeão continental, campeão mundial e uma das maiores referências da história do futebol argentino. A década de domínio, portanto, quase não aconteceu — e talvez seja justamente essa possibilidade que torne sua trajetória ainda mais extraordinária.

Como Messi encerrou seu ciclo na Argentina, após a disputa da Copa do Mundo de 2026

A despedida de Messi após a Copa do Mundo de 2026 representa o fim de uma das eras mais marcantes da história da Albiceleste. Mesmo sem conquistar o título, após a derrota para a Espanha na decisão, a Argentina confirmou a força de uma geração que, liderada pelo camisa 10, acumulou conquistas importantes e recolocou o país entre as grandes potências do futebol mundial. Messi encerra seu ciclo deixando um legado histórico, marcado por títulos, recordes, protagonismo e uma profunda identificação com a seleção argentina.

A saída de Messi, porém, não significa o fim da competitividade argentina. O principal desafio será aprender a jogar sem o jogador que, por mais de uma década, foi referência técnica, líder e principal responsável pela criação ofensiva. A seleção precisará distribuir responsabilidades, encontrar novos protagonistas e desenvolver uma identidade própria, capaz de manter o alto nível competitivo mesmo sem seu maior símbolo. Também será necessário construir uma nova dinâmica ofensiva para sustentar o projeto argentino nos próximos anos.

Do mesmo modo, Messi deixa uma herança difícil de igualar. O argentino esteve no centro de uma geração que conquistou a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022 e a Copa do Mundo de 2022, além de conduzir a equipe a outras decisões importantes. Com ele, a Argentina transformou anos de frustrações em uma das gerações mais vitoriosas de sua história. Seu legado ultrapassa os títulos e inclui uma nova mentalidade competitiva, que será fundamental para os próximos desafios da seleção.

Agora, a Argentina terá de seguir sem Messi, mas conta com jogadores importantes para iniciar essa transição. Julián Álvarez, Lautaro Martínez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Rodrigo De Paul e Cristian Romero estão entre os nomes capazes de assumir maiores responsabilidades. A qualidade do elenco e a experiência acumulada nos últimos anos permitem acreditar que a Albiceleste continuará competitiva. Caberá a esses jogadores liderar uma nova geração, manter o alto nível da equipe e construir um futuro vencedor após a saída de seu maior símbolo.

O grande desafio será transformar o legado de Messi em motivação para uma nova etapa. A seleção não terá mais seu principal jogador, mas poderá carregar consigo a mentalidade vencedora construída durante sua era. A despedida do camisa 10 encerra um capítulo extraordinário, mas não precisa representar o fim do protagonismo argentino. Se a nova geração conseguir manter a identidade e a ambição desenvolvidas nos últimos anos, a Argentina poderá continuar entre as principais seleções do mundo mesmo sem seu principal jogador.

Será que Messi ainda vai fazer falta na Argentina nas próximas convocações?

A primeira convocação da Argentina após a aposentadoria internacional de Lionel Messi coloca a seleção diante de uma das maiores transições de sua história. O craque anunciou o fim de seu ciclo em 31 de agosto de 2026, depois de 21 anos defendendo a equipe principal, encerrando uma trajetória de 207 partidas e 125 gols. Além dos números expressivos, o experiente atleta de 39 anos deixa como legado os títulos da Copa América de 2021 e 2024, da Finalíssima de 2022 e da Copa do Mundo de 2022.

Por isso, a resposta à pergunta sobre se Messi ainda fará falta nas próximas convocações é praticamente inevitável: sim, e muito. A questão não está apenas nos gols ou nas assistências, mas na capacidade que o camisa 10 tinha de modificar uma partida com uma jogada individual, controlar o ritmo ofensivo e assumir a responsabilidade nos momentos decisivos. Durante anos, a Argentina construiu seu modelo de jogo tendo Messi como referência técnica e emocional. Agora, Lionel Scaloni precisará reorganizar a equipe sem o jogador que ocupava esse espaço.

A primeira lista da nova era deverá ser apresentada em 6 de setembro, segundo informações divulgadas nesta terça-feira, e marcará formalmente o início da etapa pós-Messi. A Argentina voltará a campo no mesmo mês, em uma janela de amistosos que servirá para testar alternativas, dar oportunidades a novos jogadores e observar quem poderá assumir maior protagonismo. O período também será importante para Scaloni avaliar diferentes formações, redistribuir responsabilidades e começar a definir os caminhos da seleção após a saída de seu maior símbolo.

Apesar da ausência gigantesca, a seleção não começa uma reconstrução completa. A Argentina ainda possui nomes de alto nível, como Julián Álvarez, Lautaro Martínez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Cristian Romero e outros jogadores que fizeram parte da geração vencedora de Lionel Scaloni. O desafio será transformar um elenco acostumado a procurar Messi em uma equipe capaz de distribuir a criação e a responsabilidade entre diferentes protagonistas. A nova etapa exigirá liderança, equilíbrio e personalidade para manter a Albiceleste competitiva no cenário internacional.

A herança deixada pelo craque também pode ser decisiva nos próximos meses. Messi não apenas conquistou títulos; ajudou a transformar a mentalidade da seleção e participou diretamente de uma das gerações mais vitoriosas do futebol argentino. Agora, os jogadores que cresceram ao seu lado terão a missão de preservar essa cultura competitiva e manter a equipe entre as principais forças internacionais. Mais do que substituir um talento individual, será necessário sustentar os valores construídos durante sua era e encontrar novos líderes capazes de assumir responsabilidades.

A Argentina, portanto, sentirá a falta de Messi nas próximas convocações, especialmente pela ausência de seu talento extraordinário e de sua liderança. Mas a despedida do camisa 10 também abre espaço para a construção de uma nova identidade. O maior teste de Scaloni será fazer com que a equipe deixe de procurar um sucessor direto de Messi e passe a encontrar vários jogadores capazes de dividir responsabilidades, assumir protagonismo e preservar o legado deixado pelo maior ídolo da Albiceleste, mantendo viva sua cultura vencedora.

(Foto: Getty Images)