A Croácia conquistou uma vitória importante nesta terça-feira (23). Com o triunfo por 1 a 0 sobre o Panamá, a seleção chegou aos quatro pontos e ficou em uma posição confortável para confirmar a classificação ao mata-mata da Copa do Mundo na última rodada.
No entanto, o resultado talvez não tenha respondido todas as perguntas que cercam a equipe. Pelo contrário. Em alguns aspectos, a partida reforçou dúvidas que já haviam aparecido na estreia contra a Inglaterra. Do outro lado, o Panamá acabou eliminado, mas deixou uma impressão mais positiva do que muitos imaginavam antes do início do torneio.
A seguir, confira quatro impressões que ficaram da partida.
A Croácia ainda procura sua melhor versão na Copa
É comum que seleções cresçam ao longo de uma Copa do Mundo. Nem sempre os melhores times apresentam seu melhor futebol logo nas primeiras rodadas. Ainda assim, é difícil ignorar que a Croácia segue longe de sua melhor versão. Contra a Inglaterra, a equipe já havia encontrado dificuldades para competir em alto nível durante boa parte da partida. Agora, diante de um adversário teoricamente mais acessível, os croatas novamente passaram longos períodos sem conseguir impor seu jogo.
A seleção tem qualidade técnica, jogadores experientes e um meio-campo que continua sendo capaz de impor respeito. No entanto, parece faltar fluidez ofensiva. Em muitos momentos, o time troca passes sem conseguir acelerar as jogadas ou criar superioridade perto da área adversária.
Naturalmente, vencer é sempre importante em torneios curtos. Porém, a sensação deixada pelas duas primeiras rodadas é que a Croácia ainda está tentando encontrar a forma ideal de jogar nesta Copa do Mundo.
Budimir mudou o jogo para os croatas
Uma das consequências mais interessantes do jogo pode estar relacionada à disputa por vaga no ataque croata. Petar Musa começou como titular, mas teve dificuldades para participar da partida. O atacante apareceu pouco e não conseguiu oferecer a presença de área que a equipe precisava durante o primeiro tempo.
Já Budimir entrou no intervalo e precisou de poucos minutos para fazer diferença. Além do gol que decidiu o confronto, o atacante conseguiu participar mais das ações ofensivas e deu ao time uma referência mais clara dentro da área.
Nem sempre um gol é suficiente para mudar completamente a situação de um jogador dentro do elenco. Porém, em uma competição curta como a Copa do Mundo, aproveitar oportunidades costuma ter um peso enorme.
Neste cenário, parece justo afirmar que Budimir aumentou suas chances de receber mais minutos na sequência do torneio.
O Panamá mostrou que é mais competitivo do que a tabela indica
Olhar para a classificação e enxergar um Panamá eliminado já na segunda rodada pode transmitir uma imagem injusta da campanha da seleção na Copa do Mundo. A equipe perdeu para Gana por 1 a 0 em um gol sofrido no último lance da partida. Agora, voltou a perder pelo placar mínimo diante da Croácia. E a verdade é que em nenhum dos dois jogos o Panamá foi dominado de forma absoluta.
Contra os croatas, inclusive, o time mostrou personalidade para seguir competindo mesmo após sofrer o gol. Em diversos momentos da segunda etapa, a seleção conseguiu pressionar, construir ataques e levar algum perigo ao gol adversário, mesmo enfrentando uma seleção que, obviamente, possui mais força e chegou ao jogo com favoritismo.
Naturalmente, faltou qualidade ao Panamá para transformar essas situações em gols. Isso faz parte da diferença existente entre seleções de níveis distintos. Porém, podemos dizer que competitividade ainda não foi exatamente um problema para os panamenhos nesta Copa do Mundo.
Talvez a eliminação precoce fosse inevitável. Ainda assim, o Panamá deixa a impressão de que entregou mais do que muitos esperavam antes do início da competição.
A Croácia sente o fim de sua geração de ouro
Durante muitos anos, a Croácia se acostumou a desafiar expectativas. O país foi vice-campeão da Copa do Mundo em 2018, terminou o Mundial de 2022 na terceira colocação e criou o hábito de competir em alto nível contra seleções com muito mais tradição.
Porém, a impressão deixada nas duas primeiras rodadas desta Copa é que aquela geração fará muita falta aos croatas. Afinal, alguns jogadores importantes já não estão mais presentes, enquanto outros vivem uma fase diferente da carreira. Modric segue sendo uma peça valiosa, mas hoje já não consegue carregar o time da mesma forma que fazia alguns anos atrás.
A reformulação era inevitável e faz parte do ciclo natural de qualquer seleção. O problema para os croatas é que o time atual encontra dificuldades para repetir o nível que transformou o país em uma grande força nas últimas edições da Copa. Neste cenário, a Croácia continua sendo competitiva, mas neste momento mostra ser um time abaixo do que aquele que conquistou os melhores resultados de sua história.
Créditos da foto de capa: Getty Images.