Luka Modric está na lista de convocados do treinador Slaven Bilic para defender a Croácia na próxima Data Fifa. A dois dias de completar 41 anos, o meio-campista fará parte do início da campanha croata na Uefa Nations League. Entre setembro e outubro, a seleção terá pela frente Espanha, em duas oportunidades, além de Tchéquia e Inglaterra.
Lenda do Real Madrid e apontado como um dos melhores jogadores da história da Croácia, Modric vive um dilema comum aos grandes atletas: qual é o momento certo para parar? Nos clubes, ele decidiu adiar essa escolha. O veterano segue em atividade e assinou com o Milan por mais um ano, até a metade de 2027.
Na seleção, porém, a discussão é diferente. Modric é símbolo da geração que foi vice-campeã mundial em 2018 e terminou em terceiro lugar em 2022. Para muitos, a eliminação para Portugal no primeiro mata-mata da Copa do Mundo de 2026 deveria ter marcado sua despedida. Para outros, ele merece continuar até decidir definitivamente “pendurar as chuteiras”.
Modric ainda é útil, mas precisa passar o bastão
As dúvidas sobre Modric são válidas e fazem parte da realidade de qualquer jogador que permanece em atividade aos 40 anos. O início de sua carreira, inclusive, foi marcado por dificuldades físicas no Tottenham, com lesões que o afastaram dos gramados em alguns momentos. Perto dos 41, porém, ele chega em boas condições físicas e continua competitivo.
Na Copa do Mundo de 2026, foi titular nas quatro partidas da Croácia e permaneceu em campo até o apito final nas duas últimas. Para quem acompanhou os jogos, ficou evidente uma queda de desempenho ao longo das partidas. Mesmo assim, o meio-campista continuou extremamente útil, principalmente pela qualidade técnica, experiência e capacidade de organizar o jogo.
O início da temporada no Milan reforça essa avaliação. Nas três primeiras rodadas do Campeonato Italiano 2026/27, Modric participou de todas as partidas, sendo titular nas duas últimas. No fim de semana, teve boa atuação diante da Juventus, com 94% de acerto nos passes e contribuição importante na parte defensiva.
Por isso, sua convocação não representa nenhum absurdo. Tecnicamente, Modric continua sendo um jogador inigualável dentro da seleção croata. Ele pode ajudar a equipe neste momento, mas precisa entender que sua participação deve mudar gradualmente.
A tendência mais saudável é reduzir seus minutos conforme as partidas avançam e abrir espaço para atletas mais jovens. Ao mesmo tempo, sua presença no vestiário continua valiosa. Capitão, vencedor da Bola de Ouro e extremamente respeitado pelos companheiros, ele pode exercer uma função que vai muito além do que produz com a bola nos pés.
A Croácia tem de onde tirar neste processo de renovação
Em seleções de menor profundidade, é comum que jogadores protagonistas sejam “espremidos” até o fim por falta de reposição. O Chile é um exemplo. Durante seu auge, a equipe contou com Arturo Vidal, Alexis Sánchez e Medel, mas não conseguiu produzir uma geração suficientemente talentosa para conduzir a transição.
A Croácia tem uma situação um pouco diferente. É verdade que ainda não surgiu ninguém com o talento de Modric — e talvez isso não aconteça pelos próximos 50 anos. Mas Bilic conta com alternativas capazes de manter o meio-campo competitivo enquanto a renovação acontece.
Petar Sucic é um dos principais nomes. Aos 22 anos, o volante ganhou espaço e se tornou importante na Inter de Milão. Seu primo Luka Sucic, apenas um ano mais velho, também apresenta potencial e vem mostrando bom nível na Real Sociedad.
Outro jogador que merece atenção é Martin Baturina. Mais ofensivo e com capacidade para atuar em diferentes posições do meio-campo e do ataque, o atleta de 23 anos vem sendo importante no Como. Nas três primeiras rodadas do Campeonato Italiano, já soma dois gols e uma assistência.
Diante desse cenário, a melhor solução parece estar entre os dois extremos. A Croácia não precisa abandonar seu maior craque imediatamente, mas também não pode adiar indefinidamente a renovação. Modric pode continuar sendo referência enquanto os jovens ganham espaço e responsabilidade.
Provavelmente, Modric não estará em atividade na Eurocopa de 2028 ou na Copa do Mundo de 2030. Por isso, sua convocação deve ser encarada menos como uma tentativa de prolongar uma era e mais como uma passagem de bastão. É hora de apreciar os últimos momentos de um craque histórico, enquanto a Croácia prepara os garotos para assumir o protagonismo.
Foto: Ozan Koze / AFP



