Hakimi vs Experience, Marrocos x Haiti, Copa do Mundo 2026
Futebol Copa do Mundo

Marrocos leva susto, mas manda recado na busca por superar 2022: veja as impressões

De olho em mais uma vez alcançar a primeira prateleira do futebol internacional, o Marrocos se despediu da primeira fase da Copa do Mundo com uma vitória de virada por 4 a 2 sobre o Haiti nesta quarta-feira (24), e mandando um recado: ‘sua realidade mudou para sempre’. Classificados para a fase 16 avos de final com os mesmos 7 pontos do líder Brasil no Grupo C (para quem perdeu somente no saldo de gols), os Leões do Atlas mostraram que têm poder suficiente para igualar – ou até superar – a histórica campanha de 2022.

Entretanto, o jogo contra o time caribenho também ligou um alerta importante sobre o sistema defensivo do técnico Mohamed Ouahbi. Tendo que buscar o resultado por duas vezes diante de um adversário totalmente inferior, a seleção marroquina mostrou que a mudança de nível da equipe traz riscos que jamais poderão ser cometidos na fase eliminatória, principalmente se o adversário for mais forte e superior.

A seguir, confira as impressões sobre a vitória e o que classificação de Marrocos representa para a sequência desta Copa.

A metamorfose tática e o preço do protagonismo ofensivo

Em 2022, a seleção de Marrocos surpreendeu a todos ao calcar seu sucesso em uma defesa bem organizada e que tinha tomado apenas um gol até as semifinais. Quatro anos depois, a realidade é outra: os africanos entram em campo com o peso do favoritismo e a necessidade de ter a posse de bola e ditar o rumo da partida, mostrando que o sistema ofensivo passou a ter um protagonismo decisivo para o time.

Diante da modesta seleção haitiana, esse modelo sofreu um duro golpe e por pouco não foi tombado. Quando passou a pressionar e a permanecer o tempo todo no ataque na tentativa de tirar a vantagem do Brasil no saldo de gols, os africanos se dispersaram defensivamente e permitiram que a seleção caribenha marcasse dois gols em contra-ataques e transições rápidas, ficando próxima de pontuar pela primeira vez em um Mundial. Tais vacilos precisarão ser repensados, e a proteção deve ser bem estudada enquanto os homens de frente estiverem atacando.

A ousadia haitiana e o fantasma do ‘franco-atirador’

Entrar em campo apenas para cumprir tabela em uma Copa do Mundo (a depender de sua história no torneio) pode ser uma vergonha ou simplesmente uma nova aventura. Para o já desclassificado Haiti, evidentemente se mostrou a segunda opção.

Após ‘vender caro’ a derrota para a Escócia na estreia e não ver a ‘cor da bola’ contra o Brasil, os caribenhos assumiram o papel de ‘franco-atirador’ no confronto final contra o Marrocos e jogaram na intenção de deixar um legado para o futebol de seu país. Conseguindo explorar a luta marroquina em tentar ser líder do grupo pelo saldo de gols, o time de Sébastien Migné se mostrou muito bem durante boa parte do jogo e se despediu sem apatia.

Com transições rápidas e muita ousadia, os haitianos não apenas marcaram duas vezes, como fizeram o favoritismo dos rivais cair por terra em vários momentos do primeiro tempo. A grande lição que fica é: numa Copa do Mundo, menosprezar um adversário livre e sem nada a perder muitas vezes não termina com um final feliz.

A reação fria e calculista e a individualidade de Marrocos

Se a defesa por muitos momentos cochilou e passou aperto nos contra-ataques do Haiti, a mentalidade e o repertório técnico do Marrocos fizeram valer a pena a partida dessa quarta-feira. Estar em desvantagem no placar por dois momentos contra a pior equipe do grupo poderia ter gerado uma bagunça no psicológico dos comandados de Mohamed Ouhabi, no entanto, os jogadores apresentaram uma postura ‘fria e calculista’ para reverter esse cenário.

Nos momentos de tensão, a individualidade chamou a responsabilidade e pôs a seleção africana de volta aos trilhos. A técnica de Hakimi, autor do primeiro gol e da assistência que gerou a virada, somada ao faro de gol de Saibari e Rahimi, mostraram que os Leões do Atlas têm absolutas condições de reagir em momentos de adversidade ao depender do jogo individual e do talento de seus craques.

Os ajustes pontuais para sobreviver e avançar no Mundial

O balanço final da primeira fase é positivo: sete pontos, classificação com duas vitórias e um empate e invencibilidade mantida. No entanto, a partir da fase de 16 avos de final, o Mundial se torna uma competição onde qualquer erro pode se transformar em um fantasma para uma vida inteira.

O susto contra o Haiti mostrou que o técnico Mohamed Ouahbi precisará buscar imediatamente o ponto de equilíbrio de seu time. Se quiser sonhar com uma nova semifinal ou com um título inédito, o Marrocos precisa consolidar a força ofensiva que se apresentou nos quatro gols marcados em Atlanta, mas tem a demanda de recuperar o sistema defensivo que o projetou para o mundo na Copa do Catar.

Em mata-mata, depender sempre do poder de reação e ‘entregar o ouro’ na defesa é um jogo arriscado demais. Portanto, ajustar é preciso, e os marroquinos, certamente farão o que for necessário, independentemente de quem for o adversário da próxima segunda-feira.

(Foto: Darrian Traynor/AFP)