Pochettino - Estados Unidos
Futebol Copa do Mundo

Como Pochettino fez os Estados Unidos acreditarem no título da Copa do Mundo

A seleção dos Estados Unidos foi uma das primeiras garantidas no mata-mata da Copa do Mundo. Após vencer Paraguai e Austrália nas duas primeiras rodadas, a equipe assegurou a classificação com antecedência e passou a chamar atenção pelo futebol apresentado. No entanto, tão importante quanto os resultados é a mudança de cenário vivida pela seleção americana desde o início do torneio.

Antes da Copa do Mundo, Mauricio Pochettino convivia com desconfiança. O treinador argentino foi contratado para mudar o patamar da seleção, mas ainda existiam dúvidas sobre seu trabalho. Além disso, o contrato do comandante vai apenas até o fim do Mundial, o que fazia muitos acreditarem que sua passagem seria curta. Agora, poucas semanas depois, o cenário é completamente diferente.

As vitórias convenceram, o desempenho empolgou e os Estados Unidos começaram a enxergar a possibilidade de competir em um nível que parecia distante. Mais do que montar um time capaz de vencer partidas, Pochettino conseguiu mudar a maneira como jogadores e torcedores olham para a seleção.

Pochettino mudou a forma como os Estados Unidos enxergam a Copa

Durante muitos anos, os Estados Unidos chegaram às Copas do Mundo carregando o rótulo de seleção competitiva, mas sem reais condições de lutar pelo título. A expectativa normalmente era avançar de fase e, se possível, surpreender algum favorito. Pochettino trabalhou justamente para quebrar essa mentalidade.

Segundo o próprio treinador, uma das frases espalhadas pelas paredes do hotel da seleção é “Why not us?” (“Por que não nós?”). A mensagem resume a ideia que ele tenta transmitir desde que assumiu o comando da equipe: os Estados Unidos não devem entrar em campo apenas para competir, mas acreditando que podem vencer qualquer adversário. Essa mudança apareceu dentro das quatro linhas.

Além de conquistar duas vitórias em dois jogos, os americanos apresentaram um futebol ofensivo, intenso e com personalidade. A equipe passou longe da postura cautelosa que muitas vezes marcou campanhas anteriores em Copas do Mundo. Em vez disso, buscou controlar os jogos e atacar os adversários sempre que teve oportunidade.

Os próprios jogadores reconhecem essa transformação. Tim Weah afirmou que Pochettino trouxe um espírito diferente para a equipe, tornando os Estados Unidos uma seleção mais agressiva. Na visão do atacante, o grupo deixou de assumir apenas o papel de “bom moço” para adotar uma postura mais competitiva durante as partidas.

Ao mesmo tempo, o treinador conseguiu encontrar equilíbrio no elenco. A equipe reúne jovens promessas com atletas que já atuam nas principais ligas da Europa, formando um grupo que mistura velocidade, intensidade e experiência.

O resultado apareceu rapidamente. Os Estados Unidos garantiram vaga no mata-mata antes da última rodada da fase de grupos e passaram a ser vistos de maneira diferente dentro da competição.

A conexão criada com a torcida virou uma das forças dos Estados Unidos

A mudança provocada por Pochettino não ficou restrita ao campo. Depois da vitória sobre a Austrália, o treinador precisou interromper uma entrevista porque os torcedores presentes no estádio começaram a cantar seu nome. A cena simbolizou a relação construída entre comissão técnica, elenco e torcida durante a Copa do Mundo.

Os jogadores também participaram desse momento. Após o apito final, deram a volta no gramado para agradecer o apoio dos americanos, enquanto os torcedores cantavam e celebravam a classificação. Essa identificação aparece inclusive nas declarações dos próprios fãs. Muitos enxergam Pochettino como o responsável por iniciar uma nova fase para a seleção, destacando a forma simples como o treinador conduz a equipe e a mentalidade vencedora implantada desde sua chegada.

Esse ambiente também ajuda a explicar por que a pergunta “Por que não nós?” deixou de ser apenas um slogan e passou a representar o sentimento de boa parte do país. Depois de anos chegando aos Mundiais sem grandes expectativas, os Estados Unidos começaram a acreditar que podem disputar a Copa do Mundo em igualdade com seleções tradicionais.

Naturalmente, isso não significa que a equipe tenha se transformado na principal favorita ao título. O mata-mata costuma elevar o nível de dificuldade e colocará os americanos diante de adversários ainda mais fortes.

Ainda assim, o trabalho realizado por Pochettino até aqui já produziu um efeito importante. A seleção não mudou apenas a própria maneira de jogar. Ela também mudou a forma como passou a ser vista.

Esse novo cenário também pode influenciar o futuro do treinador. A expectativa antes do torneio era de que Pochettino deixasse a seleção ao fim da Copa para retornar ao futebol europeu. No entanto, o próprio argentino já admitiu que haverá tempo para conversar sobre uma possível permanência quando a competição terminar.

Por enquanto, qualquer decisão fica em segundo plano. O foco continua sendo a campanha na Copa do Mundo. Mas independentemente do que acontecer nas próximas semanas, Pochettino já conseguiu entregar algo que os Estados Unidos buscavam há bastante tempo: fazer sua seleção acreditar que pode competir de igual para igual no maior torneio do futebol mundial.

Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.