O Brasil esteve muito perto de viver uma eliminação que entraria para uma das páginas mais negativas de sua história em Copas do Mundo. Contra o Japão, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, a Seleção saiu atrás no placar, teve dificuldades durante boa parte do jogo, mas encontrou forças para virar e avançar às quartas sob o comando de Carlo Ancelotti.
A vitória brasileira foi construída com sofrimento e decidida apenas nos minutos finais, mas mostrou um lado que nem sempre acompanhou a Seleção nos últimos anos: capacidade de reação em momentos de pressão.
Mais do que o resultado em si, o jogo reforçou algo que vem sendo observado desde o início do torneio: a influência de Ancelotti no comportamento do time.
Brasil sofreu no primeiro tempo e viu Japão controlar o cenário ideal
O primeiro tempo não foi de domínio japonês absoluto, mas foi suficiente para colocar o Brasil em uma situação desconfortável.
Com organização, intensidade e velocidade para atacar os espaços, o Japão encontrou o cenário que desejava. A equipe abriu o placar explorando justamente um dos pontos que mais geravam preocupação na Seleção: a dificuldade para reagir rapidamente em transições defensivas.
Do outro lado, o Brasil apresentou pouca mobilidade. Com o time titular mais velho em uma partida de mata-mata de Copa desde 2006, a equipe mostrou dificuldades especialmente no meio-campo e na recomposição.
A sensação durante o intervalo era de que o Japão tinha o controle emocional e estratégico do confronto.
Ancelotti muda o time e Brasil responde na segunda etapa
A principal resposta brasileira veio logo na volta para o segundo tempo.
Lucas Paquetá deixou o campo e, no lugar de uma troca mais conservadora no meio, Ancelotti apostou em Endrick. A entrada do jovem atacante trouxe mais intensidade ao setor ofensivo e aumentou a movimentação pelo centro do campo.
Não foi uma alteração que mudou completamente o jogo de forma imediata, mas alterou o ritmo da equipe.
Além disso, Ancelotti manteve Casemiro em campo mesmo após o volante receber cartão amarelo e carregar parte da responsabilidade no lance do gol japonês.
A escolha acabou sendo decisiva.

Casemiro lidera reação e Brasil aposta em pressão aérea
Foi justamente Casemiro quem marcou o gol de empate em uma jogada que virou símbolo da mudança de postura brasileira.
Após aumentar o volume ofensivo, o Brasil passou a explorar muito mais cruzamentos e pressão constante sobre a área japonesa.
Se na primeira etapa o time havia utilizado pouco esse recurso, no segundo tempo a estratégia ficou evidente: empurrar o Japão para trás e atacar de maneira direta.
A Seleção passou a ocupar praticamente todo o campo ofensivo e limitou drasticamente as escapadas japonesas.
Mesmo quando encontrou espaços para contra-atacar, o Japão já não conseguia manter a mesma qualidade das ações ofensivas que apresentou no primeiro tempo.

Martinelli decide e Brasil evita eliminação histórica
Ancelotti continuou mexendo no ataque e uma das mudanças mais curiosas acabou definindo o confronto.
Gabriel Martinelli entrou ocupando uma função mais centralizada e apareceu justamente onde ninguém esperava. Já nos acréscimos da etapa final, o atacante encontrou espaço entre os defensores japoneses, controlou o tempo da jogada e finalizou com tranquilidade para marcar o gol da virada.
Explosão entre jogadores, torcida e comissão técnica.
Todos comemoravam intensamente — menos Ancelotti.
Enquanto o estádio alternava entre euforia e frustração, o treinador italiano manteve a postura tranquila que virou uma de suas marcas.

Vitória mantém tradição brasileira em copas
A classificação evitou um resultado que teria peso histórico para o futebol brasileiro.
Desde 1938, o Brasil só deixou de alcançar as quartas de final em uma Copa com mata-mata em uma única ocasião: em 1966, quando caiu ainda na fase de grupos.
Além disso, a Seleção não era eliminada logo na primeira fase eliminatória desde 1990.
Por isso, o triunfo sobre o Japão representou mais do que uma simples classificação.
A atuação não elimina críticas sobre o desempenho geral da equipe nem encerra discussões sobre o nível técnico apresentado ao longo da Copa. Ainda assim, mostrou um Brasil capaz de reagir sob pressão — algo que frequentemente foi questionado em campanhas anteriores.
Antes do torneio, muito do debate girava em torno de Vinícius Júnior assumir o protagonismo da Seleção.
Depois desta classificação dramática, talvez o principal diferencial brasileiro esteja em outro nome.
Carlo Ancelotti.
Foto: Fifa via Getty Images
