Copa do Mundo

Espanha desperta na Copa do Mundo e mostra sua força com atuação dominante contra a Áustria

A Espanha finalmente apresentou a atuação que todos esperavam antes do início da Copa do Mundo. Depois de uma fase de grupos marcada por dúvidas e por um futebol abaixo das expectativas, a equipe comandada por Luis de la Fuente dominou a Áustria, venceu por 3 a 0 e garantiu sua classificação para as oitavas de final com uma exibição que recoloca a seleção entre as principais candidatas ao título.

O placar poderia ter sido ainda maior. A Espanha terminou a partida com 65% de posse de bola, 23 finalizações e 10 chutes no alvo. Além do controle territorial, a equipe conseguiu acelerar o jogo nos momentos certos, criou oportunidades por diferentes setores e praticamente não permitiu que a Áustria ameaçasse sua defesa.

A vitória também mostrou que a força espanhola não depende apenas de Lamine Yamal. Mikel Oyarzabal continua vivendo uma fase extraordinária com a seleção, os laterais aparecem cada vez mais como peças fundamentais no sistema ofensivo e a defesa terminou mais uma partida sem sofrer gols.

Depois de começar o torneio de forma pouco convincente, a Espanha parece ter despertado no momento mais importante.

A Espanha que todos esperavam finalmente apareceu

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Foto: FIFA

A fase de grupos havia deixado dúvidas sobre o verdadeiro nível da seleção espanhola.

Na estreia, o empate por 0 a 0 contra Cabo Verde provocou preocupação. A Espanha teve dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades claras e apresentou um futebol lento diante de um adversário que conseguiu se defender durante toda a partida.

As vitórias sobre Arábia Saudita e Uruguai diminuíram a pressão, mas ainda não foram suficientes para mostrar todo o potencial da equipe. A seleção venceu mais pela eficiência do que por atuações dominantes.

Contra a Áustria, o cenário foi completamente diferente.

A Espanha controlou o confronto praticamente do início ao fim. Os 65% de posse de bola mostram apenas uma parte desse domínio. Mais importante do que permanecer com a bola foi a capacidade de transformar o controle do jogo em chances de gol.

Foram 23 finalizações, sendo 10 no alvo. A Áustria, por outro lado, conseguiu apenas cinco chutes durante toda a partida e nenhum deles exigiu uma defesa do goleiro espanhol.

A diferença entre as duas equipes também apareceu na maneira como cada uma reagiu aos momentos importantes do confronto.

Ainda no primeiro tempo, Marc Cucurella chegou a marcar, mas o gol foi anulado. Em vez de demonstrar nervosismo, a Espanha manteve o mesmo ritmo e continuou pressionando.

Essa tranquilidade pode ser um sinal importante para o restante da competição. Seleções campeãs nem sempre começam um torneio apresentando seu melhor futebol. Muitas vezes, o crescimento acontece durante a competição.

A Espanha parece estar seguindo exatamente esse caminho.

Oyarzabal assume o protagonismo em um ataque cheio de estrelas

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Foto: FIFA

Antes do início da Copa do Mundo, grande parte das atenções estava concentrada em Lamine Yamal e Nico Williams.

No entanto, o principal responsável pelos gols espanhóis nos últimos meses tem sido Mikel Oyarzabal.

Aos 29 anos, o atacante da Real Sociedad atravessa um dos melhores momentos de sua carreira. Antes do Mundial, havia marcado 13 gols em seus 13 jogos anteriores pela seleção espanhola e acumulava uma sequência de 12 partidas como titular participando diretamente de pelo menos um gol.

Na Copa do Mundo, manteve o mesmo nível.

Depois de marcar duas vezes contra a Arábia Saudita, Oyarzabal voltou a aparecer diante da Áustria e abriu o caminho para a classificação espanhola.

O momento chama ainda mais atenção quando se considera o contexto do ataque.

Nico Williams não vive sua melhor fase e também enfrenta problemas físicos. Lamine Yamal continua sendo a principal referência técnica e o jogador que atrai a maior atenção das defesas adversárias, mas a Espanha precisava de outro atleta capaz de transformar oportunidades em gols.

Oyarzabal assumiu essa responsabilidade.

O atacante já havia sido decisivo na final da Euro 2024 e agora começa a aparecer até mesmo como candidato à Chuteira de Ouro da Copa do Mundo.

Os laterais se transformaram em armas ofensivas

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Foto: FIFA

Um dos pontos mais interessantes da atuação espanhola foi a participação dos laterais.

A maioria dos adversários entra em campo com uma preocupação evidente: limitar os espaços de Lamine Yamal e dos outros jogadores que atuam pelos lados.

A Áustria tentou fazer exatamente isso.

Para diminuir o impacto dos pontas espanhóis, a equipe de Ralf Rangnick utilizou marcações duplas em diferentes momentos da partida. O problema é que essa estratégia abriu espaços para as ultrapassagens dos laterais.

Marc Cucurella aproveitou esse cenário pela esquerda.

Foi dele o cruzamento que terminou no gol de Mikel Oyarzabal. O jogador ainda chegou a balançar as redes, embora o lance tenha sido posteriormente anulado.

Do outro lado, Pedro Porro também foi decisivo.

Titular no lugar de Marcos Llorente, o lateral apareceu livre na segunda trave para aproveitar o cruzamento de Álex Baena e marcar seu primeiro gol pela seleção.

A jogada resumiu uma das principais virtudes do sistema de Luis de la Fuente.

Enquanto os adversários concentram a marcação nos jogadores mais conhecidos, a Espanha cria superioridade com atletas que chegam de trás. Baena se movimenta por dentro, os pontas atraem defensores e os laterais aproveitam os espaços que surgem pelos corredores.

Isso torna a equipe muito mais difícil de marcar.

Defesa perfeita aumenta o favoritismo espanhol

O ataque mostrou sua melhor versão, mas existe outro número que talvez seja ainda mais importante para as ambições da Espanha.

A seleção ainda não sofreu nenhum gol nesta Copa do Mundo.

A vitória sobre a Áustria representou o quarto jogo consecutivo sem ser vazada.

Mesmo quando não apresentou seu melhor futebol na fase de grupos, a equipe conseguiu manter a segurança defensiva. Agora, com o ataque também funcionando, a Espanha começa a apresentar um equilíbrio que poucas seleções conseguiram demonstrar no torneio.

A Áustria teve apenas cinco finalizações e nenhuma no alvo. Sua melhor oportunidade aconteceu aos 61 minutos, quando Sasa Kalajdzic cabeceou para fora após uma boa cobrança de Marcel Sabitzer.

Foi pouco para ameaçar uma seleção que controlou a posse, criou mais oportunidades e mostrou soluções por diferentes setores do campo.

A Áustria deixa a competição após disputar seu primeiro mata-mata de Copa do Mundo desde 1954. A eliminação para uma das favoritas não apaga a campanha, embora as discussões entre David Alaba e Florian Grillitsch durante a partida tenham mostrado a frustração de uma equipe que percebeu estar sendo amplamente superada.

Para a Espanha, a sensação é oposta.

Depois de começar a Copa cercada por questionamentos, a equipe de Luis de la Fuente apresentou sua atuação mais completa justamente no início do mata-mata. Com Oyarzabal em grande fase, laterais participando diretamente dos gols, um ataque que produziu 23 finalizações e uma defesa que ainda não foi vazada, a seleção espanhola mostrou que o gigante adormecido finalmente despertou.

(Foto de capa: FIFA)

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Kaique