Dean Huijsen, Real Betis x Real Madrid, La Liga. Foto: Reprodução/Real Madrid CF via site oficial.
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Huijsen, a exceção em uma noite ruim do Real Madrid: solidez, personalidade e protagonismo

Em uma noite em que o Real Madrid encontrou dificuldades para transformar domínio em gols, pelo menos um jogador deixou o campo com motivos para comemorar. Dean Huijsen foi uma das poucas notícias positivas na derrota por 1 a 0 para o Betis. Enquanto o time de José Mourinho esbarrava nas defesas de Valles e, principalmente, na própria falta de pontaria, o zagueiro manteve a defesa madridista de pé com uma atuação segura e personalidade para aparecer também no ataque.

A primeira derrota da temporada deixou poucas razões para otimismo, mas a atuação de Huijsen certamente foi uma delas.

Mais do que a evolução técnica, porém, existe uma mudança de postura no zagueiro. Aos poucos, o espanhol demonstra uma versão mais competitiva e agressiva, sem perder a tranquilidade que sempre foi uma de suas principais características. Uma transformação que pode estar diretamente ligada ao significado do número que passou a vestir.

Ao herdar a camisa 4 de David Alaba, Huijsen assumiu também um número carregado de história no Real Madrid. É o mesmo que pertenceu a dois de seus grandes ídolos: Sergio Ramos e Fernando Hierro. Na época, o defensor prometeu entregar tudo diariamente, tanto nos treinamentos quanto nos jogos. Em La Cartuja, cumpriu a promessa mesmo em uma noite de derrota.

Huijsen secou Cucho e ainda apareceu no ataque

Sua principal missão tinha nome e sobrenome: Juan “Cucho” Hernández. E Huijsen cumpriu o trabalho com precisão. O atacante colombiano teve pouquíssimo espaço dentro da área e encontrou no zagueiro madridista um adversário disposto a antecipar jogadas, cortar linhas de passe e dificultar cada tentativa de aproximação.

O Betis tentou encontrar Cucho entre as linhas, mas Huijsen não lhe deu espaço para respirar. O zagueiro também protagonizou duelos intensos com Antony, outro dos jogadores mais perigosos da equipe de Manuel Pellegrini. Em nenhum momento, porém, demonstrou intimidação diante do bom momento vivido pelo brasileiro.

A atuação não ficou restrita à capacidade de contenção. Uma das características que fizeram Huijsen ganhar espaço no Real Madrid é justamente a tranquilidade para jogar com a bola nos pés. O espanhol não se esconde e não demonstra medo de avançar quando encontra espaço.

Em La Cartuja, chegou perto de ser o herói improvável da noite. Aos 11 minutos, obrigou Valles a fazer uma grande defesa após finalizar à queima-roupa em uma cobrança de escanteio. Depois, acertou o travessão em uma cabeçada. No segundo tempo, ainda recuperou uma bola em posição avançada e quase transformou a jogada em assistência para Mbappé.

Foram oportunidades que, caso tivessem terminado no fundo da rede, poderiam ter mudado completamente a história da partida.

Uma dupla que começa a ganhar confiança

Ao lado de Huijsen, Ibrahima Konaté também teve uma atuação segura, embora sem alcançar o mesmo nível do companheiro. O francês cumpriu sua função, mas mostrou menos precisão, principalmente nos momentos em que o Real Madrid precisava sair jogando ou controlar as ações sem a bola.

A dupla, ainda em processo de construção, começa a apresentar suas diferentes características. Huijsen parece cada vez mais adaptado ao ambiente madridista, enquanto Konaté ainda busca alcançar sua melhor versão com a camisa branca.

É uma combinação que pode se tornar importante ao longo da temporada. E, para um Real Madrid que teve a defesa como um de seus principais problemas nas últimas temporadas, encontrar estabilidade no setor pode representar uma mudança significativa.

Huijsen, nesse sentido, começa a assumir um papel que vai além de simplesmente ocupar uma posição na zaga.

O número 4 como combustível

Em noites cinzentas, alguns nomes conseguem escapar do julgamento coletivo. Contra o Betis, Huijsen foi um deles. Sua atuação reforça a sensação de que o Real Madrid encontrou no jovem zagueiro uma peça capaz de oferecer não apenas segurança defensiva, mas também personalidade e qualidade na saída de bola.

A cada partida, o espanhol parece dar mais significado ao número 4 que herdou. E existe ainda uma motivação pessoal por trás dessa evolução: recuperar espaço na seleção espanhola depois de ter ficado fora dos planos de Luis de la Fuente na Copa do Mundo conquistada pela Espanha. Cada jogo, portanto, também funciona como uma mensagem ao treinador da seleção.

A derrota em La Cartuja doeu para o Real Madrid, mas não para Huijsen da mesma maneira. Em uma noite em que quase tudo deu errado para a equipe de José Mourinho, o zagueiro mostrou que está disposto a sustentar o time quando necessário — e, cada vez mais, a assumir protagonismo quando a partida exige.

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